A CPI, a moral e o grampo
Corrupção é de direita ou de esquerda? A pergunta parece – e é – idiota, mas decorre da tentativa absurda de conferir blindagem ideológica a políticos envolvidos com Carlos Cachoeira.
A CPI foi concebida para crucificar dois pesos-pesados da oposição: o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e o governador tucano de Goiás, Marcone Perillo, acusados, em graus diferenciados, de relações promíscuas com o contraventor.
Eis, porém, que, na sequência, descobriu-se que mais dois governadores, além de um punhado de parlamentares governistas, jogavam no mesmo time: Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ). Agnelo, que já era alvo de denúncias do tempo em que ocupou uma secretaria no Ministério da Saúde e em que foi ministro dos Esportes, soma agora mais essa.
Bem mais do que Perillo, seus assessores mostraram-se integrados ao esquema Cachoeira.
Sérgio Cabral é amigo íntimo do dono da Delta, Fernando Cavendish, o que, em si, não constitui nenhum delito. Porém, trata-se de empresa que passou de nanica a gigante na Era Lula, com obras bilionárias no estado que Cabral governa, muitas sem licitação.
A Delta, de quebra, está sob suspeita de integrar ou mesmo de pertencer ao esquema Cachoeira, o que coloca o governador no alça de mira da CPI.
Diante do imprevisto – altamente previsível -, começa um movimento seletivo para poupar os governistas e centrar as investigações nos oposicionistas. Mais especificamente, em Demóstenes e Perillo.
Daí a pergunta inicial sobre corrupção e ideologia. O Código Penal não discrimina ninguém; a política, sim.
O que é óbvio em todo esse imbróglio é que, se há alguém que não exibe qualquer intolerância ideológica, esse alguém é o próprio Cachoeira. Relacionou-se com todos, à direita e à esquerda, mas, por razões óbvias, mais com quem está no poder – e, por conseguinte, dispõe de meios mais eficazes de atendê-lo.
Leia a íntegra em A CPI, a moral e o grampo
Ruy Fabiano é jornalista
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