sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Substituto do Clodovil



Tudo ia bem no 6º Seminário LGBT - de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros, promovido por três comissões da Câmara dos Deputados. Tudo. Até que pede a palavra o deputado Paes de Lira (PTC-SP), coronel da Policia Militar, para dizer que leis que tratem da questão LGBT são “segregacionistas”, um antigo discurso que pretendeu dominar os debates quando foi aprovada a “Lei Caó”, que criminaliza o preconceito racial, há muitos anos...
Não deu outra: levou a maior vaia do público diretamente interessado no seminário, que lotava o plenário 3 do Anexo 2 da Câmara. E ouviu a promessa: ele vai liderar a lista de políticos homofóbicos em São Paulo nas eleições de 2010. Numa Casa aberta à convivência entre os que divergem, nada disso surpreendeu. Surpresa mesmo foi descobrir quem é o deputado: substituto de Clodovil, falecido em março, e de orientação sexual assumida e conhecida.
O coronel ainda agradeceu, sorridente, a notícia de que vai liderar a lista "com orgulho", segundo ele...

6 comentários:

Sotoro Nakama disse...

Os truculentos homófobos que já têm seu representante no Senado (Marcelo Crivella), agora já têm também na Câmara dos Deputados: o coronel da Polícia Militar Paes de Lira que assumiu no lugar do glorioso Clodovil. É, a coisa vai complicar para os gays...

Alberto del Castillo disse...

Que sistema eleitoral é este em que um eleitor escolhe o Clodovil e leva de brinde o ?Paes? de Lira

AAreal disse...

Ivanildo, com essa o Clodô se virou dentro do caixão. Não sei pra que nova posição mas que se virou se virou.

Hélio disse...

Alberto, o sistema é podre e pode ficar muito pior se for aprovada a tal lista fechada. Nunca deixei de votar, mesmo quando o fazia por exclusão. Aquela insólita escolha do menos ruim. Mas, com esta aberração, se ela vier a ser adotada, vou, pela primeira vez, deixar de participar. Na verdade, nos meus 80 anos, jamais vi tanta degradação moral de tantos deputados e senadores. Como dizem meus netos, "tô fora".

Alberto del Castillo disse...

Hélio, estou com você. Esta lista fechada, se for adiante, nos levará às ruas em protesto.
Ontem o Merval Pereira apresentou como defensores da lista Maria Celina D'Araujo da FGV, o Vereador Alfredo Sirkis do PV e o Cientista Político Amaury de Souza. Os argumentos apresentados são, na minha opinião, de tamanha ingenuidade que custo a acreditar na racionalidade dos entrevistados.

doutor Carlos disse...

Essa Maria Celina d'Araujo é uma dessas auto-intituladas politólogas. Mais ou menos como aqueles que se intitulam carnavalescos, ambientalistas ou, ainda, outros que se chamam filósofos. Ninguém verifica de onde vem esses títulos, essa ou aquela profissão. Todos nós já tivemos o desprazer de ouvi-la, assanhandinha, tão preciosa quanto esse apóstrofo que coloca antes do nome Araujo. Uma chata, enfim, que gosta de aparecer como personalidade forte, diferente, quase exótica. A lista fechada é uma excrecência e temos de insistir pelo voto distrital, com o qual os mais votados serão aqueles que serão eleitos. Em vez disto, no sistem,a atual, conveniente aos Sarneys, temos um Presidente da Câmara, esse politiqueiro infame, Michel Temer, que foi eleito com pouco mais de dois mil votos. Pode?