sexta-feira, 15 de maio de 2009

A Infraero e o PMDB


O ministro da Defesa, Nelson Jobim, ironizou nesta quarta-feira a reação do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), que na terça-feira subiu à tribuna para anunciar que vai apresentar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC)estabelecendo que o Ministério da Defesa deve ser ocupado apenas por militares da ativa ou da reserva, num claro confronto com Jobim, que é advogado e foi presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).
- O senador tem direito de apresentar a PEC que bem entender. A questão não é apresentar PEC. A questão é aprová-la - disse. - Cada um apresenta as PECs que bem entender - repetiu.
Jobim voltou a reafirmar que as demissões de apadrinhados políticos na Infraero irão continuar e que ele não está ligando para a ira dos peemedebistas. Entre os demitidos da empresa estão o irmão e a cunhada de Jucá. Ambos estavam lotados na Infraero de Recife. A ex-mulher de Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, também foi uma que perdeu o emprego.
- Isso é absolutamente irrelevante - disse o ministro sobre as críticas, acrescentando: - Vou fazer o que tenho de fazer e ponto. Cada dia com sua agonia - disse Jobim, que afirmou que não confunde "partido com integrantes de partido".
As divergências pública entre Jobim e integrantes do PMDB começaram na segunda-feira, quando o ministro ameaçou sair do governo se fossem sustadas as demissões de apadrinhados políticos na Infraero. As dispensas causaram desconforto no PMDB, que até ameaçou assinar a CPI da Petrobras.
Na terça, Jucá chamou de truculenta a forma com que foi tratado no episódio:
- Não aceito a forma truculenta com que fui tratado nesse episódio. Trabalho muito para este governo. Esse tipo de afirmação não procede. Que Jobim não generalize! Se tem alguém que está agindo errado, que não agiu com seriedade, que ele aponte quem é - disse Jucá, que afirmou que Jobim "não deveria arrumar desculpas" para sair do governo.

3 comentários:

Alberto del Castillo disse...

A transparência das intenções dos corruptos é surpreendente.
Não defendo mentiras e subterfúgios mas o descaramento de se colocarem acima do bem e do mal é um atestado às leis e a paciência dos eleitores.
Parece que já contam como favas contadas a aprovação da lista única, salvação dos impenitentes e crápulas de plantão.

Alberto del Castillo disse...

No segundo parágrafo do meu comentário substituir "atestado às leis" por "atentado às leis"

Doutor Carlos disse...

Romero Jucá é de alta linhagem na canalhice dos políticos brasileiros. Nem falar do Henrique Alves, que deve ser filho ou algo parecido de um Aluísio Alves cacicão no Rio Grande do Norte, que nem sei se ainda é vivo. Mas são todos da linhagem aproveitadora e canalha de todos esses pulhas que se desenvolveram nas lonjuras e nas facilidades de Brasília. Confesso-me agradavelmente surpreso com Jobim e gostaria que ele não esmorecesse, despedindo os irmãos do Jucá - cara, se tiver filho ele deve se chamar Juquinha ou Jucázinho - e a ex-mulher de Henrique Alves e todo o resto dos apaniguados.