sábado, 18 de julho de 2009

A Casa do Atraso - Nelson Motta

O nepotismo, o apadrihamento político, as viagens, o uso de dinheiro público em causa pr´ppris s~so velhos conhecidos. Mas o que mais me espanta na crise do Senado, por enquanto, é o anacronismo. É a opção preferencial pelo atraso, aliado da burocracia, que favorece todos os itens acima.
Em plena era da internet e dos celulares, da comunicação instantânea, pago pelos contribuinte, o Senado emprega centenas de contínuos, para entregar papéis que podem ser mandados por e-mails. São batalhões de copeiras, para fazer cafezinho, quando qualquer boteco tem máquinas de café expresso que até um suplente de senador pode usar sozinho. Só os garçons são insubstituíveis.
Se a gráfica do Senado fosse vendida e a Casa pagasse pela impressão das cotas a que cada senador tem direito na gráfica mais cara de Brasília, os gastos cairiam a uma fração dos atuais. Pensando bem, é melhor nem sugerir, o pessoal já vai pensar nas comissões que as gráficas pagarão pelo apoio. Quase tudo que a gráfica do Senado imprime poderia ser só publicado no site da Casa e aberto ao público. É mais barato e mais seguro do que papel, que apodrece.
Mas o símbolo máximo do anacronismo do Senado é a Divisão de Taquigrafia, com centenas de funcionários de carreira, e outros tantos terceirizados, que taquigrafam as sessões do no plenário e nas comissões. Qualquer gravadorzinho digital de camelô, ou mesmo um celular, registraria até os suspiros, fungadas, engasgadas e outros ruídos do orador. Depois é só ouvir e transcrever. A carreira de taquígrafo deveriaser substituída pela de "degravador". É algo tão antigo que ninguém com menos de 25 anos sabe o que é. So se viu no Google.
Na era dos celulares e dos telefones móveis, o Senado deve abrigar uma legião de telefonistas. E, nos elevadores automáticos, ascensoristas, ára apertar o botão dos andares. Os senadores têm até cota mensal de telegramas, que hoje vão todos por e-mail, e os Correios entregam em casa. Só faltam os mensageiros a cavalo.
A corrupção e o atraso formam um par perfeito, os vícios do Senado alimentam os seus anacronismos. E vice-versa.

2 comentários:

Alberto del Castillo disse...

Caro Nelson, o que ocorre não é anacronismo, tem outro nome.

AAreal disse...

É verdade, tem outro nome.