domingo, 25 de novembro de 2012

A Demissão de Mano


Presidente quer Muricy, mas vice sonha com Felipão. Tite pode ser a alternativa



Muricy Ramalho é o técnico preferido de José Maria Marin
Foto: AP/09-04-2012
Muricy Ramalho é o técnico preferido de José Maria MarinAP/09-04-2012
RIO — Unidos na hora de demitir o técnico Mano Menezes, José Maria Marin, presidente da CBF, e Marco Polo del Nero, um dos vices e eminência parda na entidade, não estão de acordo quanto ao nome do substituto, que terá a missão de dirigir a seleção na Copa de 2014. Marin, ligado ao São Paulo, quer ver Muricy Ramalho no comando, enquanto Felipão é o preferido de Marco Polo, que tem origem no Palmeiras. Diante do impasse, a solução pode ser Tite. Mas o treinador do Corinthians só terá chance se o clube paulista conquistar o título mundial de clubes, no fim do ano, no Japão. De qualquer maneira, a CBF só vai anunciar o novo treinador no início de janeiro. A estreia será dia 6 de fevereiro, contra a Inglaterra, em Wembley.
— Que papai do céu me ilumine!Felipão, que foi demitido pelo Palmeiras e está sem clube, não quis se pronunciar. Muricy afirmou que só sairia se fosse liberado pela diretoria do Santos. Já Tite, que soube na demissão de Mano durante o treino do Corinthians, respondeu de forma enigmática se aceitaria assumir a seleção brasileira:
Comissão técnica é dissolvida
A notícia da demissão de Mano, justamente no momento em que a seleção começava a dar sinais de progresso, pegou quase todo mundo de surpresa. Foi, no mínimo, uma decisão tomada na hora errada. Afinal, criou uma turbulência desnecessária e coloca o novo treinador, desde já, sob pressão.
Quem esteve em Buenos Aires acompanhando a decisão do Superclássico das Américas voltou da Argentina com a impressão de que alguma coisa não ia bem. Mas, como cravar a demissão do treinador que acabara de conquistar um título com a seleção?
No início da tarde desta sexta-feira, porém, a demissão de Mano já era quase uma fato concreto. O afastamento foi decidido numa reunião realizada na sede da Federação Paulista, cujo presidente é Marco Polo del Nero, e não na sede da CBF, no Rio, como seria natural. Também participaram Marin e Andrés Sanchez, diretor de seleções da CBF. A permanência de Andrés, que tentou até o fim manter Mano no cargo, também foi uma surpresa.
— Eu achava que não era o momento. O trabalho já tinha andado uns 80%. Mas respeito a hierarquia da CBF. Sou um simples diretor. Fui voto vencido. O presidente entende que tinha de mudar o planejamento. É um direito dele, que está sendo muito corajoso — afirmou Sanchez, que espera ser ouvido quando o novo técnico for escolhido. — Afinal, sou diretor de seleções — completou, em entrevista realizada também na sede da Federação Paulista.
Mais do que diretor de seleções, Andrés Sanchez, amigo do ex-presidente Lula, é o interlocutor da CBF junto ao Governo Dilma. Como a presidente praticamente ignora José Maria Marin devido a seu passado político — o presidente da CBF teria sido ligado a grupos de repressão política na década de 70 — a presença de Sanchez na direção da CBF é uma necessidade a dois anos da Copa do Mundo.
Segundo o diretor de seleções da CBF, toda comissão técnica foi demitida. Apenas Emerson Ávila, responsável pela seleção sub-20, continua:
— Mas se o novo treinador quiser aproveitar alguém não terá o menor problema. Ninguém está vetado.
Foi Sanchez quem comunicou a demissão a Mano, com quem tinha estreita relação desde que o Corinthians:
— Mano está há muito tempo de futebol e sabe que isso acontece.
Mano recebeu a notícia de sua demissão com a mesma serenidade que mostrou à frente da seleção em dois anos. “Desejo, desde já, sucesso à seleção brasileira na conquista do sonho maior da nossa torcida, que é o título do hexacampeonato em 2014”, postou o ex-treinador da seleção em seu Twitter.

Dirceu: O Julgamento do julgamento



Dirigentes do PT se reúnem em ato de desagravo aos condenados pelo STF



O ex-ministro José Dirceu participou do ato ao lado de José Genoino e João Paulo Cunha, em Osasco
Foto: Manoel Marques / O Globo
O ex-ministro José Dirceu participou do ato ao lado de José Genoino e João Paulo Cunha, em OsascoMANOEL MARQUES / O GLOBO
SÃO PAULO - Cerca de mil militantes do PT, dirigentes do partido e deputados fizeram na sexta-feira à noite um ato de desagravo aos petistas condenados pelo Supremo. O ex-ministro José Dirceu, condenado a dez anos e dez meses de prisão, conclamou o PT e os movimentos sociais a promover, nas ruas, “um julgamento do julgamento” do mensalão.
Dirceu afirmou que foi linchado antes de ser julgado e que, até poucos meses atrás, o Judiciário era tido como “um dos Poderes mais corruptos” do país.
— Nós temos de fazer o julgamento do julgamento agora. Não temos medo da verdade e dos autos. É preciso que não se confunda a nossa tranquilidade, a nossa segurança, a nossa capacidade de resistir e, se for preciso, enfrentar a prisão, com fraqueza — disse Dirceu.
Pedido ao PT para batalha social e política
Em suas críticas ao julgamento, José Dirceu afirmou que os petistas sofreram “infâmia e a ignomínia”:
— Nós não aceitamos o que aconteceu. Estamos indignados e somos vítimas de um julgamento injusto.
Segundo Dirceu, existe uma estratégia dos adversários de travar a disputa com o PT fora do campo político:
— Temos de retomar a batalha no campo da mobilização social, popular, sindical e política. Precisamos organizar a luta e a agenda que tem de começar com a questão do mandato de João Paulo (Cunha) e com a reforma política. Tem de colocar em discussão o papel da mídia no Brasil e da regulação da mídia.
Ele voltou a responsabilizar os meios de comunicação pelas condenações:
— Nós, antes de sermos condenados, fomos linchados. Quem jogou o principal papel na articulação foram os meios de comunicação, não todos, mas foram determinados meios de comunicação.
O desagravo foi realizado em Osasco, base eleitoral do deputado João Paulo Cunha. Ele, Dirceu e o ex-deputado José Genoino foram recebidos pelos militantes com aplausos. Os petistas defenderam que Genoino assuma a vaga deixada pelo deputado Carlinhos Almeida na Câmara.
Emocionado, Genoino disse que é inocente e está “com a cabeça erguida”:
— O PT sofreu no Brasil inteiro. E olha o resultado eleitoral. O partido com o maior número de votos e que se elegeu no maior número de cidades. Esse partido nos ensinou a não nos sentir sozinho, mesmo quando a gente está só e carente. O PT para mim é vida, é sangue na veia.
O deputado João Paulo Cunha, que disse ser “doloroso ser chamado de corrupto”, destacou a posse do ministro Joaquim Barbosa, relator do processo, na presidência do STF, como um feito do ex-presidente Lula:
— Por que chegou um negro lá? Porque era um compromisso nosso, do PT e do Lula, de recuperar um pedaço da injustiça contra os negros — disse João Paulo, completando:
— Acusam-nos de ter comprado voto. Não há maior ignomínia do que essa. Eu sou mensaleiro? Eu precisaria ganhar dinheiro para votar com Lula, com o PT? Posso ser juridicamente condenado, mas pela justiça sou inocente.
—Não vamos nos calar, vamos resistir, vamos defender o seu mandato, João Paulo. Vamos defender o seu mandato, José Genoino — disse o deputado Carlos Zarattini.
O deputado Devanir Ribeiro disse que “quem tem de cassar mandato é a Câmara”, reforçando a posição do PT de tentar garantir os mandatos.

Cartas de Buenos Aires: A guerra dos Roses



Em uma das cenas mais emblemáticas do filme “A guerra dos Roses”, de 1989, Kathleen Turner e Michael Douglas ficaram pendurados num lustre, no que seria o cume (literal) de um divórcio feito com muita sujeira e barraco. Do auge do casamento em ruínas, são confrontados pelo fracasso de sua relação e uma guerra é travada dentro da própria casa.
Dizem que o falecido Néstor Kirchner viu com simpatia a ascensão do caminhoneiro Hugo Moyano na Central Geral dos Trabalhadores (CGT), que congrega boa parte da força de trabalho do país.
É mais que isso - Kirchner precisava, naquele momento, do apoio da massa trabalhadora. Reza a lenda que o marido da atual Presidenta Cristina Fernández de Kirchner surpreendeu-se, posteriormente, com a ambição de Moyano. Essa relação entre Moyano e o kirchnerismo foi deteriorar-se de vez nesse ano, já que, em vida, Néstor falhou em cortar-lhe as asinhas.
Desde então, a viúva Cristina e o líder sindical vêm travando uma guerra campal nas ruas de Buenos Aires pelo controle do país. É um casamento desfeito que termina mal.
Na última terça-feira, Moyano conseguiu, em mais uma demonstração de força, parar Buenos Aires. Conseguiu fechar bancos, boa parte do comércio, parar trens e algumas linhas do metrô, cancelar voos e deixar certas zonas da cidade vazias, com ares de fim do mundo. O objetivo era pressionar o Governo a revisar o piso salarial de seus trabalhadores.
É a segunda vez, esse ano, que Moyano põe a cidade em clima de possível Armageddon. Em junho, conseguiu congregar milhares de pessoas na Plaza de Mayo e deixou todos com medo de desabastecimento de comida, gás e gasolina.
Na ocasião, disparou fortes críticas a Presidenta, enquanto ela, simultaneamente, inaugurava uma planta de processamento de porcos em San Luís. Coincidência suína? Em seu discurso, ela chegou a dizer que, passando por uma porquinha que alimentava seus filhotes enquanto eles brigavam por uma teta livre, pensou: “Os porcos são como as pessoas, também lutam por liderança”, uma clara mensagem ao sindicalista.


Para se ter uma ideia de como essa relação com o Kirchnerismo foi azedando com o tempo, basta relembrar as palavras de Moyano sobre Néstor, quando ele faleceu, em outubro de 2010: “Depois de Perón e Evita, ninguém fez tanto pela Argentina quanto ele”.
Durante a greve, em declarações à imprensa local, o líder sindical voltou a citar Evita Perón, dessa vez para cutucar a Presidenta: “Onde estão os trabalhadores, está a pátria”. Cristina se defendeu dizendo que não responde a ameaças.
Pelo visto, é mesmo um divórcio peronista, desses bem barulhentos. 

Gabriela G. Antunes é jornalista e nômade. Cresceu no Brasil, mas morou nos Estados Unidos e Espanha, antes de se apaixonar por Buenos Aires. Na cidade, trabalhou no jornal Buenos Aires Herald, mantém o blog Conexão Buenos Aires e não consegue imaginar seu ultimo dia na capital argentina. Estará aqui todos os sábados.

A Palavra do Dia


Compositor (24/11/12)
É a pessoa que se dedica a escrever música. Geralmente, o compositor possui conhecimentos de teoria musical, e cria uma partitura para que a música possa ser lida por outros. Ocompositor é responsável também pela letra, quando há, e pelos arranjos para os instrumentos e vozes. As partituras podem ditar exatamente o que deve ser tocado ou apresentar seções livres para o improviso, chamadas de cadenza, assim como os arranjos. Atualmente, com a lei dos direitos autorais,é preciso que os músicos façam uma patente de suas composições, para receberem os lucros de reproduçã    o.

sábado, 24 de novembro de 2012

Alckmin reage à perda do controle da segurança, por Ricardo Kotscho - Balaio do Kotscho



Demorou, mas caiu a ficha do governador Geraldo Alckmin, que decidiu trocar o comando da Segurança Pública em São Paulo no momento em que a guerra entre a PM e o PCC já estava fugindo ao controle, deixando mais de 300 mortos.
Na mesma quarta-feira em que anunciava a troca de Antonio Ferreira Pinto pelo ex-procurador geral de Justiça Fernando Grella Vieira, o governo estadual divulgou os dados da violência em outubro: os assassinatos na capital praticamente dobraram em relação ao mesmo mês do ano anterior, passando de 78 para 150.
A situação de Ferreira Pinto, um linha-dura que Alckmin herdou do governo de José Serra, já estava insustentável desde o início da escalada da violência em junho, mas havia dois problemas para substituí-lo.
Homem público cordato e conciliador, o governador não queria tirar o secretário em meio à crise para não dar demonstração de fragilidade diante da ofensiva do PCC, e estava esperando uma trégua para agir.
Mais difícil do que este momento chegar, com os índices de criminalidade não parando de subir, foi encontrar alguém que aceitasse pegar o rabo de foguete que é a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, conflagrada por conflitos entre as polícias civil e militar.

 

Fernando Grella Vieira (foto acima), que chefiou o Ministério Público de 2008 a 2012, tem um perfil completamente oposto ao de Antonio Ferreira Pinto, que resolveu enfrentar o PCC, a maior organização crimonosa do país, colocando "a Rota na rua" com licença para matar, relembrando os tempos do governo Paulo Maluf no início dos anos 1980.
Ao contrário do ex-secretário, Vieira é um negociador, tem boa relação com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e pretende trabalhar em conjunto com o governo federal, em especial na área de inteligência da investigação policial, que foi abandonada nos últimos tempos.

A Palavra do Dia


Coro 
Grupo de pessoas que cantam em conjunto, acompanhados de instrumentos ou não. Os coros podem ser de vozes masculinas, femininas, infantis e mistas. Os cantores são distribuídos de acordo com a faixa de alcance de suas vozes em quatro grupos:baixos e tenores (timbres mais grave e agudo masculinos), e contraltos e sopranos (timbres mais grave e agudo femininos). Os grupos barítono e mezzo-soprano, de vozes intermediárias, também podem ser incluídos. Ainda é possível usar a técnica do falsete, do italiano ‘tom falso’, através da qual o cantor emite, de modo não natural, sons mais agudos que os de sua capacidade natural. No estilo a cappella, os cantores não são acompanhados de instrumentos: cada grupo de vozes executa uma parte da música, alguns cantam a melodia e outros a harmonia, ou cantam a mesma melodia em defasagem, que é a entrada de uma voz seguida da outra sem que se alcancem jamais.


Luiz Fux canta Tim Maia em homenagem a Joaquim Barbosa



Ministro do STF subiu no palco em festa organizada após posse do novo presidente do tribunal


BRASÍLIA - Notável saber jurídico, reputação ilibada e talento musical. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux roubou a cena durante a festa organizada após a posse de Joaquim Barbosa como presidente da Corte. Pouco antes da meia-noite da quinta-feira, ele subiu no palco, pegou a guitarra e soltou a voz. Ele cantou "Um dia de domingo", de Tim Maia, e deixou claro, a música era uma homenagem a Joaquim.- Estou fazendo essa homenagem a meu querido amigo e ministro Joaquim Barbosa - disse Fux, completando: - Ministros e juízes são homens simples e do povo.
O ministro cantava, a banda contratada para festa tocava, o público acompanhava e filmava a performance do ministro. A festa foi animada, mais do que as anteriores organizadas para comemorar a posse de um ministro do STF, garantem frequentadores assíduos dessas celebrações. Em razão da festa, realizada num clube de Brasília na orla do lago Paranoá, o trânsito nos arredores ficou congestionado.
Foi uma das mais concorridas festas de posse do Supremo da última década. O ministro Joaquim Barbosa recebeu mais de mil convidados para celebrar sua chegada à presidência da Corte. Os parentes de Paracatu (MG), a nata do mundo jurídico e artistas se acotovelaram para abraçar Joaquim. O tempo inteiro, ele esteve rodeado de um séquito, todos fazendo questão de tirar fotos em companhia do ministro.
Hoje, Fux - o escolhido pelo novo presidente do STF para discursar pela Corte na cerimônia formal de posse que ocorrera horas antes no tribunal - é o único ministro de quem Joaquim ouve os conselhos. Ambos se conheciam de vista. A amizade se aprofundou quando Fux chegou à Corte, no ano passado. E ficou mais intensa durante o julgamento do mensalão, no qual os dois convergiram em quase todos os votos dados até agora.
Outros três colegas do Supremo foram à festa. Ricardo Lewandowski, empossado como vice-presidente da Corte, era um deles. Ele estava mais contido e passou a maior parte do tempo sentado em uma mesa com seus familiares. Também estiveram lá Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello. O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, também foi, sendo um dos últimos a deixar o local.
A festa foi organizada por associações de magistrados. Serviram risoto de camarão, penne, saladas, escondidinho de frango, salgadinhos e canapés. Também havia bebida à vontade. O evento ocorreu em uma casa de festas de Brasília.

Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pizza famiglia - Merval Pereira": 
O "pizzaiolo" Odair Cunha criou uma peça tão indigesta que sua eliminação exigirá doses maciças de purgantes.
Se tudo correr bem, Odair e seus comparsas serão retirados do Congresso pela única via digna dos escroques. O esgoto. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Joaquim Barbosa no STF


Joaquim Barbosa: filho de pedreiro e faxineira assume a presidência do STF


Novidade no Supremo. Barbosa ao lado de Lula, na solenidade de nomeação ao STF, por indicação do próprio ex-presidente, que buscava um negro para um cargo representativo Foto: Jamil Bittar/Reuters/7-5-2003
Novidade no Supremo. Barbosa ao lado de Lula, na solenidade de nomeação ao STF, por indicação do próprio ex-presidente, que buscava um negro para um cargo representativoJAMIL BITTAR/REUTERS/7-5-2003
BRASÍLIA — Joca, um dos oito filhos de um pedreiro que deixou Paracatu, Minas Gerais, para tentar a sorte em Brasília, no início da década de 1970, assume hoje, às 15h, a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF). Joca era o apelido de infância do ministro Joaquim Benedito Barbosa Gomes, de 58 anos, o primeiro negro a comandar a mais alta Corte do país. Implacável na condenação dos réus do mensalão e, às vezes, incisivo na forma de lidar com outros ministros, Barbosa assume gerando a expectativa de inaugurar uma nova fase no Judiciário.
Barbosa chegou ao STF em 2003 por indicação do ex-presidente Lula. O presidente queria um negro para um cargo tão representativo e escolheu Barbosa, até ali um pouco conhecido procurador da República no Rio. Barbosa teve, então, que mostrar que a cor da pele poderia ter sido um ponto de partida, mas não o fator determinante na escolha. Ele tinha atrás de si uma carreira e notório saber jurídico, tal qual os demais colegas da Corte.
Em 2006, ainda um novato no STF, Barbosa deu mostras da independência e da firmeza que marcariam sua trajetória de juiz. Diante da desconfiança de alguns, o ministro acolheu quase na íntegra a denúncia do ex-procurador Antônio Fernando de Souza contra 40 réus do mensalão, entre eles o ex-ministro José Dirceu e o ex-deputado José Genoino, dois ex-dirigentes do PT, partido que viabilizara a chegada dele ao tribunal. Mas as surpresas não param por aí.
Barbosa conduziu com mãos de ferro o processo e acabou produzindo um relatório final considerado mais contundente e mais consistente que a denúncia do procurador-geral. Avesso a firulas, atropelou a resistência do revisor Ricardo Lewandowski a aspectos do relatório, ignorou arestas com o ministro Gilmar Mendes e, numa costura política com o ex-presidente Ayres Britto, conseguiu a condenação de 25 dos 40 réus, inclusive dos petistas.
Transmitido pela TV Justiça e com ampla cobertura da imprensa, o julgamento confirmou que Barbosa é mesmo direto no trato com os colegas. Nada muito diferente da assertividade que ele revelou nas votações de outros projetos importantes, que acabaram sendo aprovados pelo STF depois de acaloradas discussões.
— Ele foi muito duro (no julgamento do mensalão). Mas não podemos deixar de dizer que a atuação dele é coerente com tudo o que ele foi ao longo da vida. Ele sempre foi assim sério, cara fechada. Ele foi do Ministério Público e sempre expôs o que pensa. Ele é assim — resume Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado de Duda Mendonça, um dos réus do mensalão.
Barbosa marcou pontos importantes também na aprovação da Lei da Ficha Limpa, na permissão para pesquisas com células-tronco, e na união entre pessoas do mesmo sexo. Hoje, Barbosa é o juiz mais conhecido no país. Ele já negou que tenha intenção de fazer carreira política. Antes de se tornar celebridade, teve que percorrer longo caminho, marcado por disciplina, estudo e superação.
Negro, pobre e migrante, desembarcou em Brasília no início dos conturbados anos 1970 com um objetivo muito claro: fugir da pobreza e da irrelevância, sina reservada a milhares de outros jovens de mesma origem social. E foi o que ele fez. Depois de alguns bicos, foi chamado para trabalhar como digitador na gráfica do Senado.
Não era um grande emprego, mas ele não tinha escolha. O jovem Barbosa trabalhava das 18h às 4h da madrugada digitando textos para o “Jornal do Senado”, que, às 7h, já deveria estar sendo entregue no Senadinho, no Rio. Neste período, passou no vestibular para Direito, na Universidade de Brasília, e teve que se desdobrar para se manter na faculdade e no trabalho. Segundo antigos colegas, algumas vezes, Barbosa dormia na oficina porque não sobrava tempo para voltar para casa.
— Ele era compenetrado, muito atento no serviço. Era um dos melhores digitadores. Escrevia rápido e quase não cometia erros. Não nos dava nenhum trabalho — derrama-se o ex-coordenador de Produção Mário César Pinheiro Maia, chefe de Barbosa na gráfica e ainda hoje amigo do ministro.
Maia também era técnico do Photon, o time da gráfica em que Barbosa jogava como ponta-esquerda:
— Ele gostava de driblar, não soltava a bola. Era fominha, mas jogava bem.
Maia e outros amigos dos tempos de gráfica foram convidados para a posse de Barbosa, ou Quinca, como ele era conhecido no Senado.
— Quando ele não estava trabalhando, estava estudando. Teve uma vida sofrida, mas era bom menino — lembra José de Lourdes, parceiro de Barbosa em longas madrugadas de trabalho.
Quase sempre calado, Barbosa não aceitava provocação. Segundo Lourdes, certa vez, um colega faixa preta em judô fez uma brincadeira de mau gosto. Barbosa rasgou um palavrão e exigiu que o lutador se retratasse. Assim, impôs respeito.
Na UnB, Barbosa teve uma passagem discreta. No período, os estudantes estavam divididos entre progressistas, que queriam derrubar a ditadura militar, e conservadores, alinhados com o regime. Segundo o ex-reitor da UnB José Geraldo de Sousa, contemporâneo de faculdade do ministro, Barbosa era um reformista, queria mudar o sistema, mas dentro das regras estabelecidas:
— Era um período difícil. Os estudantes começaram a ser organizar com a criação do Centro Acadêmico e com o Escritório Modelo de Advocacia. Ele fazia parte das discussões, mas não me lembro de ter integrado a direção.
Para ele, naquele período Barbosa estava mais concentrado nos estudos do que no movimento estudantil. Ainda na UnB, Barbosa passou no concurso para oficial de chancelaria do Itamaraty. A partir daí, a carreira deslanchou. Foi procurador jurídico do Ministério da Saúde, fez mestrado, doutorado e passou no concurso do Ministério Público Federal. Aprendeu a falar francês, inglês e alemão.
Em 2003, quando Lula procurava por um negro para indicar ao STF, Barbosa já tinha o currículo recheado de referências nacionais e internacionais. Mas a escolha não foi fácil. O advogado Kakay afirma que marcou um encontro de Barbosa com o então ministro José Dirceu, num restaurante. Logo depois, o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos entrou no circuito e ajudou a assegurar a indicação do então procurador da República para o STF. A rede de apoios não impediu que, nove anos depois, Barbosa levasse o julgamento do mensalão às últimas consequências.
A trajetória também foi marcada por desavenças públicas com colegas do tribunal. O ministro discutiu abertamente com Marco Aurélio, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski. Também teve entreveros com o ex-ministro Cezar Peluso.
Uma das primeiras discussões que Barbosa protagonizou no tribunal foi com Marco Aurélio, em 2004. Barbosa criticou o colega, que tinha autorizado, por liminar, uma mulher a abortar um feto com anencefalia. Barbosa disse que a decisão era muito polêmica para Marco Aurélio tomar sozinho. O colega ficou irritado e disse que, se estivesse na Idade Média, resolveria a pendenga com um duelo fora do tribunal.
Outra briga famosa foi quando Peluso sugeriu que o colega era inseguro. Barbosa respondeu, em entrevista ao GLOBO, que o ministro era “desleal, caipira e tirano”. Em 2009, Barbosa disse, em discussão acirrada no plenário, que Gilmar Mendes estava “destruindo a credibilidade da Justiça brasileira”. A Corte quis divulgar uma nota de repúdio à fala de Barbosa. Lewandowski se recusou a assinar o texto, obrigando os colegas a mudar de posição.
Hoje, o ministro mais próximo de Barbosa é Luiz Fux, que inclusive já o acompanhou a uma consulta médica no Rio, para tratamento de seu problema crônico nos quadris. Mas os dois não são íntimos. Os amigos de Barbosa estão no Rio, onde ele morou por muitos anos. Na capital fluminense também mora o filho, Felipe, jornalista de 26 anos. Barbosa tem um apartamento no Leblon. A mãe, Benedita, ex-faxineira de 70 anos, mora em Brasília, bem como os sete irmãos e os sobrinhos do ministro. O pai, Joaquim, morreu há dois anos.

Pizza famiglia - Merval Pereira



A votação hoje do arremedo do relatório final da CPI do Cachoeira vai dar uma boa medida sobre a situação da moral vigente Congresso Nacional. Ficará explícito se a maioria governista existe para coonestar qualquer ação fraudulenta liderada pelo PT ou se, pelo contrário, alguns dos partidos aliados ainda têm independência para não colocar seus nomes em documentos como aquele, que dá um fecho farsesco apropriado a todo um processo que nunca deixou de ser falso, a começar de sua gestação.
Todo mundo sabia desde o começo que a CPI do Cachoeira foi criada sob inspiração do ex-presidente Lula e do hoje réu condenado José Dirceu com objetivos bastante claros: desmoralizar a oposição, o Procurador-Geral da República Roberto Gurgel e o que chamam de mídia, a fim de tentar atingir a credibilidade do julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal.
Não deu certo por que a farsa não teve força para encobrir as revelações que foram surgindo, dia após dia, no STF, e também por que no desenrolar da CPI surgiu um fato insuperável na figura do empreiteiro Fernando Cavendish e sua construtora Delta.
A partir da revelação do relacionamento do empreiteiro com figuras notáveis do governismo, como os governadores do Rio, o peemedebista Sérgio Cabral e de Brasília, o petista Agnelo Queiroz, e também a atuação suprapartidária do bicheiro Carlinhos Cachoeira em vários estados brasileiros, em ligação estreita com a Delta, a maioria governista viu que não seria possível continuar as investigações da CPI sem dar vários tiros no pé.
Durante o desenrolar da CPI, alguns deputados e senadores independentes do PDT, PMDB, PSOL resistiram bravamente aos avanços petistas vocalizados por figuras patéticas usadas como “laranjas” para ações de vingança contra o Procurador-Geral da República e a revista Veja, na figura de seu redator-chefe Policarpo Junior.
Sem conseguir apoio político para convocar seus alvos preferenciais, e enfraquecidos por não quererem ver no banco dos réus seus apaniguados, os governistas perderam o rumo da CPI para proteger o empreiteiro Fernando Cavendish, e decretaram seu final melancólico quando recusaram a prorrogação dos trabalhos para que as ligações da Delta no mundo político fossem investigadas a fundo.
Por isso o relatório final da CPI do Cachoeira, de autoria do deputado petista Odair Cunha divulgado ontem é uma patética demonstração de ineficiência do instrumento investigativo congressual e uma confissão de sabujice poucas vezes vistas em tempos recentes, que, diga-se, não foram pródigos em atitudes desassombradas ou de altivez por parte de nossos congressistas.
Este pseudo relatório supera todas as indignidades porventura cometidas, na sua sanha acusatória seletiva. Misturando alhos com bugalhos, o relator Odair Cunha não conseguiu acobertar seus desmandos com a aparência de seriedade que quis dar em alguns momentos, especialmente quando trata do trabalho da imprensa.
Chega a ser ridículo seu conceito de relação de jornalista com a fonte, quando se dá ao desplante de definir o que está certo e o que está errado nesse relacionamento. A tal ponto que até mesmo o presidente da Federação Nacional do Jornalismo (Fenaj), normalmente alinhado com o petismo, teve que advertir que se tratava de uma interferência no trabalho jornalístico que não é aceitável.
Em outro ponto, o deputado do PT Odair Cunha se arroga a analista de valores dos tempos modernos, afirmando que “em nossos dias, existe uma profunda cisão entre a mensagem divulgada cotidianamente pela mídia, através dos diferentes meios de informação, e os valores éticos que a sociedade e a civilização ocidental alegam cultivar.”. Como se seu relatório espelhasse qualquer valor ético.
O deputado Miro Teixeira, do PDT do Rio, um dos mais destacados membros do grupo independente que tem impedido até agora que a insensatez domine completamente os trabalhos da CPI, denunciou que a colocação de jornalistas no relatório final tem a finalidade de produzir um ato diversionista que desvie a atenção do fracasso da CPI e da enorme pizza que se produziu para impedir que a relação da empreiteira Delta com os mais diversos níveis políticos fosse investigada.

Entre o Estado e o governo, por Jorge Maranhão



Jorge Maranhão, O Globo
Os cidadãos brasileiros não sabem muito bem no que votam para presidente da República, se mais para o chefe do Poder Executivo, função de governo, ou para chefe de Estado, função de representação da nação, acima dos demais poderes, o correspondente ao que foi outrora o poder moderador do Império.
Mas o fato é que a presidente Dilma, pendulando por entre uma função e outra, tem sido mais feliz como chefe de Estado do que de governo!
A impressão que se tem é a de que, diferentemente de seu antecessor, que até hoje reduz tudo a uma negociação sem fim nem princípios, se entrincheira na função de chefe de Estado para evitar o embate duro e nem sempre limpo da política cotidiana.
Setores mais radicais especulam que ela não vai comparecer hoje à posse do chefe do Poder Judiciário, e ela corre a desmentir numa iniciativa instantânea de quem sabe que suas responsabilidades como chefe de Estado não podem se submeter às conveniências de um partido do governo.
A mídia especula que ela participa da barganha de cargos em campanhas eleitorais, mas ela não cede além dos cargos do Poder Executivo, de resto direito seu, e evita o mesmo jogo para os cargos das demais instituições de Estado.
Sua consciência funcional é clara quando não submete a políticas de governo de interesse partidário as políticas de Estado de interesse público, como quando se relaciona com instituições como as Forças Armadas, os tribunais de justiça, o Ministério Público, a Receita e a Polícia Federal, por exemplo.
Mais recentemente, a presidente tem feito prevalecer uma política de Estado também com as instituições de controle e gestão; e aí é que tem feito toda a diferença, reconhecida inclusive por organismos multilaterais da área.

Lewandowski convida os rejeitados por Joaquim - Ricardo Noblat





O ministro Joaquim Barbosa riscou da sua lista de convidados os jornalistas que costumam cobrir as atividades do Supremo Tribunal Federal.
Não quis tê-los em sua posse, esta tarde. Muito menos na festa que três associações de magistrados lhe oferecem neste momento no Espaço Porto Vitória.
Os jornalistas foram se queixar ao ministro Ricardo Lewandoswki, que assumiu a vice-presidência do tribunal e que, como Joaquim, está sendo festejado pelos magistrados.
Lewandowski convidou os rejeitados por Joaquim.
Logo Lewandowski, o saco de pancadas de estimação dos jornalistas.

A Palavra do Dia


Orquestra 
Conjunto de músicos e instrumentos que executaprincipalmente música erudita e ópera, apesar de as orquestras poderem tocar outros tipos de música, como ojazz, arranjos de música popular etc. O termo ‘orquestra’ também se refere a um espaço dos antigos teatros gregos que era destinado a um coro de bailarinos e músicos. Umaorquestra de pequena dimensão é chamada de orquestra de câmara. Já uma orquestra de grande dimensão é conhecida como orquestra sinfônica ou filarmônica. Atualmente não se faz nenhuma distinção entre elas, mas o termo ‘sinfônica’ costuma designar uma orquestra mantida por uma instituição pública, e ‘filarmônica’, uma orquestra sustentada por instituição privada. Além disso, a orquestra filarmônica é fundada pelos integrantes que a compõem, enquanto na sinfônica são escolhidos através de concurso público. Umaorquestra sinfônica possui cinco classes de instrumentos: cordas (violinos, violas, violoncelos, harpas); madeiras (flautas,oboés, fagotes, clarinetes); metais (trombones, trompas,trompetes, tubas); instrumentos de percussão (triângulo, pratos, tímpanos) e de teclas (piano, cravo). 

Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Luz e sombra, por Dora Kramer": 
O congresso está mal.
É a consequência de um sistema eleitoral em que aos caciques políticos correspondem os direitos e aos eleitores as obrigações.
Em 15/11/1889 os políticos derrubaram a monarquia e comunicaram ao povo no dia seguinte que eramos todos republicanos. Daí em diante a democracia de cabresto comanda o pais. 


AAreal deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Charge do Amarildo": 
Retrata bem a loucura da realidade atual. 

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Luz e sombra, por Dora Kramer


Dora Kramer, O Estado de S.Paulo
No edifício central da Praça dos Três Poderes, a apresentação das conclusões de uma CPI criada por motivos tortos e extinta por razões torpes.
No prédio ao lado, a ascensão à presidência do Supremo Tribunal Federal do relator de um processo que, se não muda o País, faz subir de patamar a confiança das pessoas na Justiça.
Uma coincidência de calendário muito oportuna para a análise do contraste entre os papéis cumpridos pelos Poderes Legislativo e Judiciário em trajetórias crescentemente opostas.
Ao mesmo tempo em que o Supremo afirma sua autonomia, o Congresso se afunda na submissão aos ditames do Executivo e das infames conveniências partidárias.
Enquanto a Corte Suprema investe na punição dos crimes contra a administração pública, o Parlamento dá abrigo à impunidade.
Está prevista para hoje ou amanhã a leitura do relatório final da comissão de inquérito criada para apurar as ramificações do esquema e as ligações do operador de jogos clandestinos Carlos Augusto Ramos, o Cachoeira, com políticos, empresários e governos.
Hoje o julgamento do mensalão é retomado sob a presidência interina de Joaquim Barbosa, que amanhã é investido oficialmente no cargo.
Quis o acaso que os dois episódios ocorressem na mesma semana, abrindo espaço para o cotejo na atuação dos dois Poderes que às vezes se confrontam.
Sobre o Judiciário têm falado os fatos, cuja relevância fica ainda mais explícita no momento da ascensão de Joaquim Barbosa devido a todo o simbolismo que encerra.
Sobre o Legislativo falou a subserviência da maioria governista aos propósitos do ex-presidente Lula de instalar uma CPI para tentar promover uma desmoralização geral com o objetivo de levar a oposição, a imprensa, o Ministério Público e os ministros do Supremo a dividir o banco dos réus com os acusados no processo do mensalão.
Foram os motivos tortos de seu nascimento, referidos no início do texto.

JANTAR DE CONFRATERNIZAÇÃO...


 
Um grupo de amigos de 50 anos discutia para escolher o restaurante onde iriam jantar.Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque as GARÇONETES eram gostosas e usavam mini-saias e blusas muito decotadas.
Dez anos mais tarde, aos 60 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque a comida era muito boa e havia uma excelente carta de vinhos.

Dez anos mais tarde, aos 70 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Decidiram-se pelo Restaurante Tropical porque lá havia uma rampa para cadeiras de rodas e até um pequeno elevador....

Dez anos mais tarde, aos 80 anos, o grupo reuniu-se novamente e mais uma vez discutiram para escolher o restaurante. Finalmente decidiram-se pelo Restaurante Tropical.
Todos acharam que era uma grande idéia porque nunca tinham ido lá antes...


TA RINDO NÉ????
Tua vez vai chegar... 
 

Joaquim Barbosa para presidente?, por Ruth de Aquino




Ruth de Aquino, ÉPOCA
Esse título é uma provocação. Ou não. Porque, de fato, esse mineiro de Paracatu, primogênito de oito filhos de um pedreiro e uma dona de casa, está prestes a se tornar presidente, mas do Supremo Tribunal Federal.
Não escapará do rótulo de “primeiro presidente negro” do STF. É inevitável. O adjetivo vem a reboque como verdade histórica, o registro de uma primazia. O segundo negro se livrará desse aposto ambíguo. Um dia não haverá mais “o primeiro negro” e “a primeira mulher”, porque a cor da pele e o sexo perderão todo o significado. Felizmente.
Esse título é um “replay” de uma coluna que publiquei em ÉPOCA há cinco anos. Reproduzo abaixo alguns trechos para reativar a memória dos leitores e ver o que mudou e o que não parece mudar.
21/9/2007
“Esta não é uma campanha para eleger o ministro do Supremo Tribunal, Joaquim Barbosa, presidente do Brasil em 2010. O juiz que se tornou o símbolo do combate à corrupção e à impunidade teria primeiro de se filiar a um partido. Precisaria também desejar muito ser presidente da República. Teria de achar que serviria melhor ao país e à Justiça se renunciasse ao Supremo. Sabe-se apenas que Joaquim Barbosa foi eleitor de Lula, e que o PT não tem candidato à sucessão.
Tudo isso não passa, claro, de especulação – uma heresia para os políticos profissionais encarapitados em suas mordomias e alianças em Brasília, à espera de uma brecha para subir ao pódio. Como assim? Um juiz para presidente? Seria uma piada, uma advertência ou a única saída?
Colocar no Planalto, pelo voto, alguém com absoluta integridade, sem espírito corporativo nem vícios políticos e aparentemente sem chance de se deslumbrar com o poder. Um homem que, como nosso atual presidente, veio de baixo, mas domina vários idiomas, além do nosso, o português. (...)
Ninguém ouviria Joaquim Barbosa deblaterar contra a elite intelectual. Ele é parte dela. Fez doutorado na França e escreveu livro em francês, depois de estudar Direito nos Estados Unidos. (...)
O Brasil fez história elegendo um operário para presidente. Com Joaquim Barbosa, teria seu primeiro presidente negro, que chegou aonde chegou sem o privilégio de nenhuma cota racial. O ministro costuma dizer: ‘Sempre tive um norte: preciso estudar’.

Supremo F. C. x Câmara Sporting - Rádp´dp Motrno



Assumindo a presidência do Supremo Tribunal Federal, o ministro Joaquim Barbosa terá um abacaxi para descascar: os quatro deputados delinquentes que foram condenados pela Corte devem perder o mandato?

José Genoino (PT-SP) tomou seis anos e onze meses e terá que dormir na cadeia. João Paulo Cunha (PT-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT) também foram condenados, mas suas penas ainda não foram definidas.

À primeira vista, cidadãos condenados pelo Supremo não podem exercer mandatos parlamentares. A Constituição é clara quando diz que o parlamentar cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral perde o mandato, mas, por incrível que pareça, não atribui esse mesmo poder ao STF. Deveria, mas não atribui.

Quem tem poder absoluto para cassar deputados é a Câmara. Ela já viveu dois precedentes. Em 1947, o Tribunal Superior Eleitoral cancelou o registro do Partido Comunista e, no ano seguinte, o Congresso cassou o mandato dos parlamentares comunistas. Em 1968, a Câmara negou o pedido de abertura de processo contra o deputado Marcio Moreira Alves, o governo baixou o AI-5 e o Congresso foi fechado. Foi um grande momento para Legislativo.

Em 1974, livre da peia da licença, a ditadura processou o deputado Francisco Pinto, e o Supremo Tribunal Federal condenou-o a seis meses de prisão, que cumpriu num quartel da PM. Seu crime: ter chamado o general chileno Augusto Pinochet de ditador. Nenhum ministro justificou seu voto reconhecendo que se estava numa ditadura. Foi um dos piores momentos do Supremo.

Chico Pinto não era acusado de corrupção, lavagem de dinheiro nem formação de quadrilha. O centro do problema, contudo, não está nos delitos cometidos pelos parlamentares, mas na independência dos poderes. Pelo andar da carruagem, essa questão arrisca ser discutida num clima de arquibancada, favorecido pela demonstração da culpa dos réus. Contudo, no caso há uma questão constitucional, pois o Tribunal avançará sobre uma prerrogativa que hoje é da Câmara. Hoje, numa disputa entre o Supremo Futebol Clube e o Congresso Sporting, os ministros ganham de goleada, mas não se está num jogo de bola. Tudo bem, e no próximo caso?

Há o risco de que a Câmara proteja os mensaleiros, atropelando a noção do decoro. Afinal, em 2006 ela liberou João Paulo Cunha. Cassações de mandatos pelo Supremo, por crimes de ladroeiras, atribuem à Corte uma responsabilidade que a História já mostrou ser tóxica.

Há um caminho alternativo: os ministros podem decidir apenas suspender os direitos políticos dos réus e, nesse caso, eles preservam os mandatos, pois foram eleitos quando os tinham. Se a Câmara achar que a presença de quatro condenados pelo STF no seu plenário não constitui uma ofensa ao decoro da Casa, problema dela e da base de apoio do governo petista.

Admita-se que aconteça isso. Poderá ocorrer uma votação noturna apertada e o presidente da Casa será obrigado a dizer o seguinte:

— Apresso a tomada dos votos porque quatro nobres deputados precisam deixar o plenário, pois são 19h45m e eles deverão se recolher à penitenciária da Papuda antes das 20 horas, como é do conhecimento de todos.

Acima do mandato dos deputados mensaleiros condenados há uma delicada questão constitucional


Elio Gaspari é jornalista

A Charge do Amarildo



A Charge do Amarildo


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Os brasileiros são felizes?, por Ateneia Feijó



Volta e meia ouço ou leio que mais vale um povo feliz com um pibinho do que um povo infeliz com um pibão. O discurso ou o artigo quase sempre é de alguém que defende politicamente o indicador de Felicidade Interna Bruta (FIB) como mais importante que o Produto Interno Bruto (PIB).
Diante da crise europeia, já teve até político dizendo que era melhor o Brasil crescer menos e manter a alegria do povo brasileiro. Se de fato isso fosse possível, nada contra. Só que fica difícil imaginar o país com um alto índice de felicidade (real) diante de uma epidemia de crack, por exemplo.
Estudiosos e cidadãos engajados na luta contra tamanha infelicidade têm alertado para a urgência de ações a fim de não permitir que essa epidemia continue se disseminando. Chamam atenção para o fato de que as pessoas dependentes do crack podem até se tornar perigosas.
E avisam: elas estão se replicando velozmente. Infelicitando mais e mais famílias, mais vizinhos, mais amigos. Pressionando populações e infernizando suas vidas. É necessário atacar em todas as frentes: da emergência à prevenção.
Por que coisas assim acontecem? Qual o motivo? E cadê o antídoto, a alegria do povo brasileiro? É só para turista ver?
Os de casa, os mais atentos, enxergam a ideologização indevida de jogos de poder. Políticos, prefeitos, governadores e presidente deveriam se eleger para governar o país como um organismo; um sistema interligado.
Da descabidíssima falta de infraestrutura ao apagão de mão de obra qualificada, da violência urbana aos conflitos rurais. Problema não tem fronteira.
Então, não adianta gogó, não adianta ficar teorizando. Nunca o governo teve tantos ministérios, secretarias, programas, projetos. Resultados? Distribuição de renda e crédito fácil para o consumo. Ou mensuração para o PIB. Para o FIB? Subjetividade.
Sim, há iniciativas que se destacam como bem-sucedidas. Mas deveria ser o normal!
O PIB não deixa dúvidas: é a soma do valor de todos os serviços e bens produzidos. Já o FIB...
Segundo alguns pesquisadores, entre sociedades com o mesmo nível de desenvolvimento econômico, o bem-estar tende a ser maior naquelas com menor nível de corrupção, maior liberdade política, liberdade religiosa e de expressão.
O Indicador de Felicidade Interna Bruta tem a ver também com nível de confiança, que passa por respeito a quaisquer contratos. E ainda por harmonia familiar e amorosidade nos relacionamentos sociais. Existe receita para uma nação verdadeiramente feliz?