quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O Mensalão



Na primeira parte do item 6, 10 réus são condenados por corrupção passiva; e 10 por lavagem de dinheiro



Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello
Foto: Agência O Globo / André Coelho
Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Celso de MelloAGÊNCIA O GLOBO / ANDRÉ COELHO
RIO - No trigésimo dia de julgamento do mensalão, o Supremo condenou nesta segunda-feira cinco réus por formação de quadrilha: Pedro Corrêa, Valdemar Costa Neto, Jacinto Lamas, João Cláudio Genu e Enivaldo Quadrado. Apenas foram absolvidos pela prática do crime Pedro Henry e Breno Fischberg. A Corte terminou de votar a primeira parte do item 6 do julgamento, que versa sobre o recebimento de vantagem indevida por parlamentares. Além disso, o STF assinalou que existiu, sim, compra de apoio político, e refutou a tese do caixa 2.
Já por lavagem de dinheiro, também foram 10 réus: Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Emerson Palmiere, Jacinto Lamas, Pedro Henry, Pedro Corrêa, Bispo Rodrigues, João Cláudio Genu, Romeu Queiroz e Breno Fischberg. No caso de José Borba, houve o primeiro empate. Cinco votos a favor da condenação e cinco contra.Foram condenados ainda 10 réus por corrupção passiva: Roberto Jefferson, Valdemar Costa Neto, Emerson Palmiere, Jacinto Lamas, Pedro Henry, José Borba, Pedro Corrêa, Bispo Rodrigues, João Cláudio Genu e Romeu Queiroz.
Com o voto de Toffoli, Jefferson é condenado por lavagem
Com o voto de Toffoli, o primeiro a votar nesta segunda, a maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) já havia condenado Jefferson e Queiroz — já condenados por corrupção — também por lavagem de dinheiro. O réu Emerson Palmieri, tesoureiro do partido na época, foi absolvido nas duas acusações por Toffoli. Segundo o ministro, a própria série de depoimentos dos acusados comprova que houve crime:
— Jefferson recebeu R$ 4 milhões em espécie na sede nacional do PTB em Brasília e recebeu outros R$ 500 mil por intermédio de José Régis e R$ 345 mil retirados por Alexandre Chaves. Quanto a Romeu Queiroz, utilizou-se de astúcia o recebimento irregular de mais de 300 mil reais e dissimulou a importância de R$ 250 mil em duas parcelas e entregues ao PTB em Brasília. Assim agindo, a intenção do acusado foi impedir o rastreamento dos recursos — que só foram rastreados por exame do instituto de criminalistas de modo a configurar o delito de lavagem. Portanto, julgo procedente os crimes de lavagem imputados a Roberto Jefferson e Romeu Queiroz.
Antes, Toffoli retomou seu voto absolvendo os réus João Claudio Genú, Breno Fischberg, Enivaldo Quadrado e Pedro Corrêa, os deputados Pedro Henry (PP) e Valdemar Costa Neto (PR), além de Carlos Rodrigues (ex Bispo Rodrigues), Carlos Alberto Quaglia e Jacinto Lamas pela acusação de formação de quadrilha. Fischberg e Genu também foram absolvidos pelo crime de lavagem de dinheiro.
De forma sucinta, Toffoli ainda condenou o deputado Valdemar, Bispo Rodrigues e Lamas por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. Antônio Lamas foi absolvido de todas as acusações, por falta de provas.
— Acompanho o relator e revisor, julgando procedente a ação para condenar os réus Valdemar Costa Neto, Carlos Alberto Rodrigues e Jacinto Lamas Em relação ao crime de quadrilha, vou acompanhar a divergência aberta pela ministra Rosa Weber, julgando improcedente a ação em relação a Valdemar Costa Neto e Jacinto Lamas — argumentou Toffoli. — E, do mesmo modo, julgando improcedente para Antônio Lamas.
Borba condenado por Toffoli
Ao analisar o caso de José Borba, então deputado pelo PMDB, o ministro Dias Toffoli condenou o réu pelo crime de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro, por entender que ficou claro o recebimento de R$ 200 mil por parte do parlamentar.
— A respeito de lavagem de dinheiro, entendo que a acusação provou de forma suficiente e clara. (...) O réu determinou que o saque se materializasse em nome de Simone. Ou seja, ele se recusou a receber e Simone recebeu em nome dele. Por isso, entendo que há a dissimulação de valores — defendeu o ministro.
Marco Aurélio condena por corrupção mas absolve por lavagem
Segundo a se pronunciar na sessão de hoje, o ministro Marco Aurélio Melo votou por condenar os réus ligados ao PMDB, ao PP, ao PTB e ao antigo PL pelo crime de corrupção passiva — mas preferiu absolvê-los na acusação de lavagem de dinheiro. Nesse caso se enquadram o deputado Valdemar, João Claudio Genu, Jacinto Lamas, Bispo Rodrigues, Roberto Jefferson, Romeu Quiroz e José Borba. Emerson Palmieri e Antônio Lamas foram absolvidos de ambas as acusações. Valdemar Costa Neto e Jacinto Lamas ainda foram absolvidos na acusação de formação de quadrilha.
Os réus Enivaldo Quadrado e Breno Fischberg foram absolvidos pelo crimes de lavagem de dinheiro, mas enquanto este foi absolvido por formação de quadrilha, aquele foi condenado pelo mesmo crime. João Claudio Genú e Pedro Corrêa também foram condenados por formação de quadrilha e corrupção passiva. O ex-presidente do PP, porém, foi absolvido do crime de lavagem de dinheiro, assim como o ex-líder Pedro Henry — também absolvido pelos crimes de corrupção e formação de quadrilha.
— O que houve foi a busca de uma base de sustentação. E, a meu ver, se utilizou muito mal - talvez por se tratar de um dinheiro fácil — a prata. E houve, em dúvida alguma, muito embora a verificação se faça no campo de uma certa ambiguidade, a partir da entrega dos numerários, atos de ofício nas diversas votações procedidas na Câmara dos Deputados — afirmou Marco Aurélio.
Celso de Mello: ‘Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe’
Após as votações dos ministros José Antonio Dias Toffoli e Marco Aurélio Mello sobre o item referente à compra de apoio político no Congresso, durante o 30º dia de julgamento do mensalão, falou o decano Celso de Mello. Em sua fala, posterior à condenação de vários réus, como Roberto Jefferson e Valdemar Costa Neto por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, ele se dedicou a analisar a imoralidade do conjunto de crimes cometidos e a prejudicialidade de tal atos para República.
- Se impõe a todos os cidadãos dessa República um dever muito claro: a de que o Estado brasileiro não tolera o poder que corrompe e nem admite o poder que se deixa corromper - disse ele, que continuou a enquadrar os mensaleiros:
- Este processo criminal, senhor presidente, revela a face sombria daqueles que, no controle do aparelho de Estado, transformaram a cultura da transgressão em prática ordinária e desonesta de poder, como se o exercício das instituições da República pudesse ser degradado a uma função de mera satisfação instrumental de interesses governamentais ou desígnios pessoais.
Antes de fazer essas considerações, Celso de Mello defendeu o entendimento do tribunal sobre a corrupção passiva. Segundo ele, a jurisprudência nos tribunais destaca que se configura crime quando o agente ou o servidor público age "na perspectiva de um ato de ofício inscrito na esfera de suas funções".
- O eminente relator ao destacar este aspecto, mostrou essencial a configuração, o delito de corrupção passiva nesta modalidade de crime contra o que é público. Notadamente a votação da reforma previdenciária e da reforma tributária. É preciso observar que a votação parlamentar traduz um exemplo clássico de ato por parte de parlamentares assim como ato jurisdicional para o fato penal.
Celso de Mello disse que seguiria integralmente o voto de Barbosa:
- Acompanho o voto inteiramente do eminente relator e também em relação a Antônio Lamas. acompanho de modo integral o ministro relator no voto que Vossa Excelência profere, tanto condenatório quanto absolutório.
Ayres Britto diz que empate em relação a José Borba será decidido depois
Último a falar, Ayres Britto preferiu descrever as ligações de Marcos Valério com os demais réus a repetir a avaliação das acusações já feitas por outros ministros:
- Senhores ministros, um protagonista em especial confirma esse quase consenso de acusação e defesa quanto à materialidade dos fatos. Esse protagonista se chama Marcos Valério. (...) É praticamente impossível deixar de associá-lo a quase todos os réus desta ação penal. (...) Esteve por oito vezes com dirigentes do Banco Central, simulou empréstimos para suas quatro empresas de publicidade e mediou contatos profissionais com o Banco de Minas Gerais, Banco Mercantil, Telemig, Bônus Banval, Natimar... assim como esteve pessoal e reiteradamente com a mais alta cúpula do Partido dos Trabalhadores.
O presidente da Corte disse que seguiria integralmente o voto de Joaquim Barbosa. Ao perceber que sua condenação em relação a José Borba não estava definida (empate de 5 a 5 referente ao crime de lavagem de dinheiro), ele disse que deixaria a questão para depois:
- Percebo que este meu voto condenatório, haverá um embate, porém, como o processo é contínuo e cada um pode mudar de voto, e como bem lembrou o ministro Marco Aurélio, o que temos feito aqui é registrar votos e não propriamente proclamar os resultados de cada votação. Podemos deixar esta questão de desempate para o final do julgamento.
Sessão foi retomada com voto de Toffoli
A sessão teve início nesta segunda-feira com a continuação do voto do ministro José Dias Toffoli sobre o item 6 do processo, que trata de acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha por parte de parlamentares e pessoas ligadas ao PP, ao PTB, ao PMDB e ao antigo PL.
Devido aos compromisso de diversos ministros no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última quinta-feira, a sessão foi interrompida. Na sessão de hoje, após o ministro Dias Toffoli concluir seu voto, ainda vão se pronunciar os ministros Marco Aurélio Melo, Celso de Mello e Ayres Britto. Se houver tempo, o ministro relator, Joaquim Barbosa, coemça a apresentar ainda hoje seu voto em relação às acusações de corrupção ativa do item 6. Esse é um dos temas mais aguardados do julgamento, pois envolverá o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoíno e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares.


Eleição no Rio


Aliança com PTN, saúde e gestão olímpica são temas mais discutidos



Candidatos participam a prefeito do Rio participam de debate na TV Record
Foto: Agência O Globo / Marcelo Carnaval
Candidatos participam a prefeito do Rio participam de debate na TV RecordAGÊNCIA O GLOBO / MARCELO CARNAVAL
RIO - A menos de uma semana das eleições, o debate dos candidatos a prefeito do Rio na TV Record acabou sendo dominado pelas denúncias de irregularidades na aliança entre o PMDB de Eduardo Paes, candidato à reeleição, com o PTN. Propostas para a saúde na cidade do Rio e para a gestão olímpica também foram abordados.
Paes, que conseguiu um direito de resposta no debate, reiterou o que tem dito sobre o caso: que tem ajudado o PTN com material de campanha de modo legal. No fim de semana, o prefeito apresentou notas fiscais comprovando os repasses.O tom mais duro foi do candidato do DEM, Rodrigo Maia, que, já no primeiro bloco, questionou Paes. Ao longo do debate, os candidatos Marcelo Freixo (PSOL), Otavio Leite (PSDB) e Aspásia Camargo (PV) criticaram a coligação de Paes. Segundo reportagem publicada no site da “Veja” no fim de semana, o PMDB teria oferecido R$ 200 mil para que o PTN retirasse a candidatura própria.
— Lamentável que tenha que participar de debate com essa acusação. Todos os partidos que fazem parte da coligação têm apoio declarado à Justiça eleitoral. Todos os candidatos que estão aqui fazem isso com seus candidatos a vereador.
Os adversários de Paes também fizeram um apelo para que o carioca leve a eleição para o segundo turno — as pesquisas apontam até agora a reeleição de Paes já no primeiro turno. O prefeito tem mais de 50% das intenções de voto.
No segundo bloco, os principais temas foram saúde e infraestrutura voltada à preparação para os Jogos Olímpicos de 2016. O deputado estadual Marcelo Freixo criticou o modelo de OSs (organizações sociais), implementado por Paes, para o atendimento médico-hospitalar.
O atual prefeito tratou de Olimpíadas, e disse que os jogos de 2016 servirão à cidade, com investimentos em infraestrutura. Otávio Leite (PSDB) afirmou que vai organizar o sistema de transportes, que classificou como “bagunçado”. Otávio Leite confrontou Paes com os altos investimentos em publicidade.
Já a candidata do PV, Aspásia Camargo, explicou suas propostas para oferecer educação em tempo integral. O candidato do PMDB disse que esta é uma “prática dos governos no Brasil” e que a maioria das peças é institucional.
— Foram R$ 170 milhões. Com esse dinheiro daria para construir 50 novas creches. Eu faria diferente. Eu investiria no combate ao crack — criticou Otavio Leite.
Aspásia Camargo lembrou sua filha autista para criticar a falta de atendimento aos portadores de deficiências nas escolas do Rio.
— Sou mãe de uma filha autista. Realizarei um trabalho de seleção, em que cada tipo de deficiência será atendido de acordo com suas especificidades.
Na discussão sobre Olimpíada, ‘golfe popular’ vira piada
No segundo bloco, o candidato do PSDB, Otavio Leite, surpreendeu ao defender a transferência do campo de golfe, previsto para as Olimpíadas de 2016, para Guaratiba. Para ele, as competições realizadas nos próximos Jogos Olímpicos devem servir para popularizar o golfe no Brasil. A proposta foi ironizada pelos seus adversários Marcelo Freixo (PSOL) e Rodrigo Maia (DEM).
— Há duas opções: ou o clube Itanhangá ou um terreno de um empresa que vai ampliar o gabarito. Minha proposta é completamente diferente. Quero levar o golfe para Guaratiba. Por que não ter um golfe popular?
A solução surpreendeu Freixo que antes de se dizer contrário a proposta, ironizou Otávio Leite:
— Golfe popular é um pouco mais difícil, deputado.
Leita na tréplica voltou a defender a ideia:
— É estranho não poder ser (um esporte) popular. A discussão do golfe é importante e vejo como uma alternativa.
Mesmo fora da “discussão”, o deputado federal Rodrigo Maia (DEM), também, aproveitou para ironizar a ideia:
— Depois da fórmula 1 popular, agora temos o golfe.


A Charge de Chico Caruso





Na boca da urna - Dora Kramer




Entramos na chamada reta final. Da eleição municipal e da definição sobre o destino dos réus do processo judicial resultante do escândalo do mensalão.
São duas as perguntas recorrentes: o julgamento terá influência no resultado eleitoral? Esse resultado poderá ser visto como uma espécie de ensaio geral para a eleição presidencial e parlamentar de 2014?
Responda-se como quiser, pois as chances de erro e de acerto são as mesmas quando se faz um mero exercício de futurologia difícil de ser comprovado de modo a não deixar margem a dúvidas.
De um lado, não há como um assunto que está todos os dias no Jornal Nacional não influir de alguma maneira.
De outro, o PT já entrou mal nas disputas nas capitais e até apresentou melhoras de desempenho em algumas delas, como em Salvador.
Portanto, por mais difícil que seja fazer essa medição em princípio, é possível dizer que o peso do julgamento no resultado das urnas é relativo.
Já a influência de 2012 em 2014 é mais fácil de analisar. Claro que todo momento eleitoral é aproveitado pelos políticos para testar e renovar suas relações com o público.
Muitos parlamentares lançam candidaturas a prefeito justamente no intuito de se colocarem em circulação na entressafra. Do mesmo modo, é hora de os pretendentes à Presidência começarem a se movimentar País afora.
Lula lançou a então ministra Dilma Rousseff como "mãe do PAC" em fevereiro de 2008 e fez da suposição de que seria a escolhida para disputar a sucessão dele em 2010 um assunto daquela eleição municipal.
Agora, quando o lulismo começa a dar sinais de esgotamento, o senador Aécio Neves comparece a microfones e palanques assim como o governador Eduardo Campos mostra suas credenciais.
Mas, quem se lembra de quantas prefeituras o PT ganhou em 2008? Qual foi a importância dessa contabilidade no pleito de 2010? Pois é.

A Palavra do Dia


Papiro 
Erva cultivada no delta do rio Nilo que, por meio de técnicas simples, era transformada pelos egípcios em papel, de mesmo nome. O processo se dava de tal forma: primeiro, finas tiras do caule do papiro eram cortadas e mergulhadas em água e vinagre para eliminar o açúcar. Depois de secas, eram sobrepostas e cruzadas para serem prensadas, misturando-se homogeneamente. Pronto, o papiro era enrolado em uma vareta de madeira ou marfim. O papel resultante era forte e de superfície lisa, próprio para ser usado pelos escribas. 
 

Comentários dos Leitores

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Palavra do Dia": 
Professor Roberto
Qual a diferença de "um moral" e "uma moral"? 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Eleição Americana": 
O debate dos candidatos é peça fundamental da eleição presidencial nos EEUU. No país do "Show Business" o presidente também deve ser artista.
A confirmar resultados anteriores o mais simpático vai à Casa Branca.
Neste quesito o Obama dá goleada. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Mensalão: Chegou a vez de José Dirceu e companhia ...": 
Chegou a hora da verdade.
A existência de corruptores é insofismável. Resta apenas dar nome aos burros.
É evidente que um esquema tão complexo e abrangente aponta para uma organização criminosa (formação de quadrilha). Neste caso dar nome aos burros poderá arrastar para a arena o Governo Lula, maior beneficiário da perpetração deste crime hediondo.
Enquanto aguardamos o desfecho desta tragédia sugiro revisitarem "O Crepúsculo dos Deuses" (Gotterdammerung) ópera profética de Richard Wagner que completa o ciclo do Anel dos Nibelungos. 

Jorge Eduardo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Dilma: governo quer incentivar mudança de comporta...": 
"Trânsito" deveria ser matéria obrigatória em todas as escolas, desde o jardim de infância até o curso superior.Esse papo de que "o governo quer incentivar mudança de comportamento no trânsito" é papo furado. O que o governo quer mesmo é fabricar mais e mais automóveis que vão parar nas mãos da maioria de uma gente sem a menor qualificação,responsabilidade e educação. A turma da tal cidadania de mão única: pra mim, tudo. Pros outros, nada.
45.000 mortes equivale à queda de 180 aviões com 250 passageiros. 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Mensalão: Chegou a vez de José Dirceu e companhia - Ricardo Noblat



Depois de condenar os políticos que receberam propina e sepultar definitivamente a versão de caixa dois eleitoral, o Supremo Tribunal Federal julga nesta semana o núcleo do PT acusado de montar e operar o maior esquema de corrupção da história
A Hora da Verdade
Hugo Marques e Laura Diniz, edição de VEJA que já está nas bancas
Falta apenas a viga mestra no edifício legal que vem sendo construído pelo Supremo Tribunal Federal (STF ) nos trabalhos de julgar o milionário esquema de compra de apoio parlamentar comandado pelo PT no primeiro mandato do ex-presidente Lula.
Essa peça fundamental começa a ser delineada nesta semana, quando os ministros passam a julgar o núcleo político do esquema, os cabeças do alto comando do partido do governo, os principais réus do mensalão. Uma importante fase foi superada na semana passada, quando os ministros condenaram por corrupção passiva réus de quatro partidos que receberam dinheiro do maior escândalo de corrupção política da história do Brasil.

Montagem sobre fotos Caio Guatelli/Folhapress/Cristiano Mariz e Dorivan Marinho

Punições foram impostas a mensaleiros de proa, entre eles Roberto Jefferson, presidente do PTB e delator do esquema, e Valdemar Costa Neto, deputado mandachuva do PR (antigo PL ).
O STF tirou do horizonte a tese da defesa de que as montanhas de recursos repassados a parlamentares faziam parte de compromissos de campanha que estavam sendo saldados com dinheiro oriundo do caixa dois do PT e, assim, abriu o caminho jurídico para punir os responsáveis ativos pelo suborno de parlamentares, o que deverá ocorrer a partir desta semana.
Depois de 29 sessões de julgamento, já foram comprovados os desvios de recursos dos cofres públicos, a contratação de empréstimos fraudulentos para esconder a origem e o destino do dinheiro sujo e a venda de apoio político de parlamentares ligados ao PP , PMDB , PTB e PR .
Resta punir quem articulou a ação criminosa e atuou como corruptor, papéis que, segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal, foram desempenhados pelos integrantes da cúpula petista.
Ou seja, chegou a hora da verdade para José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil, José Genoino, ex-presidente do PT , e Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido. Eles serão julgados em primeiro lugar pelo crime de corrupção ativa. Dado o veredicto, os ministros vão analisar as responsabilidades da trinca petista por formação de quadrilha, crime pelo qual também respondem o empresário Marcos Valério e outros operadores do mensalão.
Chegou a fase crucial do processo. As condenações dos companheiros são dadas como certas pelos petistas, antes iludidos com a miopia de que a biografia e o legado de Lula ficariam livres dessa mancha. Ninguém mais compra aquela história da carochinha de que o PT e Lula são vítimas de uma conspiração das elites em que a imprensa e o STF se uniram para dar um golpe e blá-blá-blá…

A Eleição Americana


Às vésperas do primeiro debate da campanha presidencial americana, figuras-chave do Partido Republicano se dividem quanto às chances de uma reviravolta na disputa. As últimas pesquisas mostram que as intenções de voto em Mitt Romney caíram - principalmente nos estados sem preferência eleitoral definida, como Iowa e Ohio, e que serão determinantes na escolha do novo ocupante da Casa Branca. Neste cenário, uma boa performance na discussão sobre política interna, tema do primeiro debate, é considerada essencial para a candidatura. Com duração de 90 minutos, a previsão é que cerca de 60 milhões de americanos acompanhem o embate pela TV.

Enquanto os estrategistas da campanha de Romney preferem moderar as expectativas, o governador de Nova Jersey, Chris Christie, foi enfático:

- Esta disputa vai virar de cabeça para baixo na quinta de manhã - disse o republicano, ao "Face the Nation", da CBS.


Considerado um dos nomes fortes do partido, Christie evitou responder sobre suas perspectivas de se tornar candidato em 2016.

- Mitt Romney vai vencer, então esta é uma questão da qual eu não tenho que tratar - disse.

Já o candidato à vice-Presidência republicano, Paul Ryan, se mostrou mais contido. Ele destacou as qualidades do presidente Barack Obama como orador.

- O presidente Obama é um orador muito talentoso. O homem está no palco nacional há muitos anos. Esta é a primeira vez de Mitt neste tipo de palco - disse, em entrevista ao programa "Fox News Sunday".

Mesmo com tom mais moderado, Ryan destacou, no entanto, que Romney representa uma alternativa para o país. Ele disse já estar familiarizado com as promessas não cumpridas de Obama e com a economia estagnada. O candidato afirmou ainda que o debate ajudará o eleitor a entender as diferenças de propostas dos dois partidos.

Nos dias que antecedem os debates, os dois candidatos passarão a maior parte do tempo em treinamento. Romney foi no domingo à igreja e passou diversas horas se preparando para o debate. Obama, que fez campanha em Nevada neste fim de semana, ficará praticando durante três dias, no que chama de "Campo de debate".

Já o senador John McCain, candidato à Presidência em 2008, avalia que os candidatos poderiam facilmente prever e se preparar para perguntas sobre a maior parte dos temas, mas foi cauteloso.

- Algumas vezes esperamos uma grande virada, mas isso não acontece com frequência - disse, em entrevista ao "State of the Union", da CNN.


Reportagem do "New York Times" confirma esta expectativa. Segundo o jornal, somente em duas ocasiões os debates mudaram o rumo da disputa. A primeira vez foi em 1960, no embate entre John F. Kennedy e Richard Nixon. A segunda foi ano ano 2000, na disputa entre George W. Bush e Al Gore.

Dilma: governo quer incentivar mudança de comportamento no trânsito - Rádio do Moreno



A presidente Dilma Rousseff disse hoje que o governo pretende incentivar os brasileiros a mudar o comportamento no trânsito. Segundo ela, a campanha Pela Consciência no Trânsito, lançada no último dia 21, tem como objetivo reduzir o número de acidentes nas estradas e também dentro das cidades. 

No programa semanal Café com a Presidenta, Dilma lembrou que 42 mil pessoas perdem a vida todos os anos em acidentes de trânsito no Brasil. “É um número devastador”, avaliou. O assunto, segundo ela, foi abordado durante conversa com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, na semana passada.
“A ONU lançou a Década Mundial de Ação pela Segurança no Trânsito. Sabe qual é o objetivo? É tentar reduzir pela metade as mortes no trânsito em todos os países até 2020. Aqui no Brasil, vamos participar desse esforço mundial pela redução das mortes no trânsito”, destacou.
Para a presidente, os acidentes de trânsito se tornaram uma epidemia e, no Brasil, metade das vítimas é formada por jovens com idade entre 15 e 39 anos. “São perdas irreparáveis para as famílias, para os amigos e para o país”, disse. “Temos que evitar que o motorista dirija em alta velocidade, pegue o volante depois de beber. Sempre lembrando também que todos precisam usar o cinto de segurança”, completou.
Segundo Dilma, o governo vai investir R$ 42 bilhões em obras de infraestrutura para melhorar a qualidade das rodovias no país. Ao todo, mais de 7,5 mil quilômetros (km) devem ser duplicados e modernizados. Também serão investidos quase R$ 40 bilhões em transporte coletivo nos grandes centros urbanos. Além disso, até o final do ano, o governo começa a distribuir 1 milhão de bafômetros para ajudar nas ações de fiscalização.
“Precisamos ainda adaptar a legislação para punir com mais rigor quem adota comportamentos de risco no trânsito. Quem comete uma imprudência no trânsito não está colocando em risco só a própria vida, mas também está colocando em risco a vida dos outros”, concluiu.

A Palavra do Dia

Alegoria 
É uma figura de linguagem usada para representar um sentido diferente do literal. Apesar da semelhança com a metáfora, a alegoria é uma espécie de extensão da mesma, por não se limitar a uma comparação e elaborar um novo sentido complexo e mais abrangente. A fábula é um exemplo de aplicação da alegoria, visto que a história dos personagens animais apresenta uma moral literal, ou seja, que se aplica a nós, humanos, e que não deixa dúvidas quanto à sua relação com o sentido figurado. Um exemplo célebre é a Alegoria da Caverna – metáfora criada por Platão, em que a caverna representa a ignorância humana –, exemplificando como podemos nos libertar da escuridão e encontrar a luz.


Fique olhando a foto... aguarde um pouco e ....verá !!!!!

EM TEMPO DE DENGUE........
 
 
 


 
 

Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Sub judice: 640 candidatos a prefeito correm o ris...": 
Toda lei deve ser eficaz.
Se a Lei Ficha Limpa não impede os sujos de se candidatarem há que aperfeiçoá-la. 

Harpianônima deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Em comício, Lula diz que Serra deveria se aposenta...": 
Pinçamos algumas joias do pensamento "Lulesco" em seu pronunciamento:
1)Demonstrar preconceito em relação aos idosos não foi inteligente.
2)Falar em "cabide de emprego" foi adequado pois sempre foi sua especialidade.
3)Falar de "trabalhar" é muita pretensão pois sua falta de saber nesta área é pública e notória. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Aécio aquece para 2014 com críticas a Dilma, Lula ...": 
Em Minas o Aécio dá olé nos adversários mas no resto do Brasil terá que enfrentar o pernambucano Eduardo Campos que está a salvo dos efeitos pós mensalão que certamente atingirão o mineiro. 

Erre Dawkins deixou um novo comentário sobre a sua postagem "SIGNIFICADO DA PALAVRA ANFITRIÃO": 
Esta estória de mulher ser engravidada por um Deus na ausência do marido serve apenas para limpar a barra das meninas. 

Erre Dawkins deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Palavra do Dia": 
Localizem os paradoxos:
Lula é Deus e Martha sua arcanja enviada para ungir o Haddad prefeito. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Palavra do Dia": 
Será que lavagem de dinheiro é uma catacrese ou será apenas o esquecimento de notas e moedas no bolso da calça dos políticos? 

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Em comício, Lula diz que Serra deveria se aposentar


Petista disse ainda que tucano não tem mais idade para se candidatar à Presidência


SÃO PAULO – O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva disse em comício na noite deste sábado que o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, deveria se aposentar e afirmou que o tucano não tem mais idade para ser presidente. Ao discursar em ato de campanha do candidato do PT à prefeitura, Fernando Haddad, Lula voltou a criticar Serra por ter abandonado os cargos de prefeito e governador de São Paulo antes do término do mandato.
- Foi para o governo do estado, ficou três anos, se mandou e tentou ser presidente. Tomou uma chulada. Certamente, ele deve estar desesperado porque não tem mais idade para ser presidente. Não vai chegar lá – afirmou Lula.
Para Lula, Serra vê São Paulo como um cabide de emprego.
- Agora voltou para São Paulo como se São Paulo fosse um cabide de emprego. Ora, meu . Deus do céu, requer a aposentadoria que é melhor. Requer uma pensão, qualquer coisa, mas não a prefeitura. A prefeitura é para quem sabe e para quem quer trabalhar – disse Lula em comício no bairro São Miguel Paulista, na zona leste da capital.
Numa provável referência ao escândalo do mensalão, Lula disse que "tentaram" dar um golpe no governo dele em 2005, mas afirmou isso não aconteceu porque há milhares de "Lulas" pelo país, referindo-se aos militantes do PT que o apoiam.
- A elite política brasileira não brinca em serviço. Eles não gostam quando eu falo, eles ficam nervosos, mas em 2005, eles tentaram dar um golpe no meu governo. Tentaram, como tentaram dar e deram no João Goulart, como tentaram dar no Juscelino, como levaram o Getúlio Vargas à morte - disse.No segundo comício da noite, no bairro Cidade Tiradentes, também na zona leste, Lula lembrou de ataques que seu partido sofreu de adversários durante a campanha de Dilma Rousseff à presidência. Ele afirmou que “um candidato” ofendeu muito Dilma e baixou o nível da campanha. Lula afirmou ter pedido a Haddad para ele não responder às “grosserias” que adversários fazem.
O ex-presidente pediu para que nesta última semana de campanha, os militantes do PT peçam votos para Haddad de casa em casa, de igreja em igreja, de loja em loja. Ao dizer que Haddad vai governar para os pobres, Lula afirmou que ricos não precisam de prefeito.
- Governar é fazer o que a Marta fez, é olhar para os mais pobres. Todo mundo precisa de prefeito. Agora, rico não precisa de prefeito nem de presidente, nem do governador. Quem precisa é o povo mais humilde, mais pobre, mais necessitado. Embora ele tenha que governar para todos. Ele tem que governar para o povo da Avenida Paulista, que mora na Rua Augusta, ele tem que governar para a periferia – disse.
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, e o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, também discursaram nos comícios. Marta acusou Serra de ter “desarticulado”o que a cidade tinha de bom e disse que o candidato do PRB, Celso Russomanno, carece de plano de governo.
Haddad voltou a criticar a administração do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que apoia Serra, além do próprio tucano e de Russomanno. O petista disse que os dois adversários não tÊm programa de governo e estão fugindo de debates.

Aécio aquece para 2014 com críticas a Dilma, Lula e Haddad



Pré-candidato a presidente, tucano ensaia discurso de campanha



Senador Aécio Neves faz campanha eleitoral em Recife
Foto: Agência O Globo / Hans von Manteuffel
Senador Aécio Neves faz campanha eleitoral em RecifeAGÊNCIA O GLOBO / HANS VON MANTEUFFEL
BELO HORIZONTE - Num momento de fragilidade política do PT, maior adversário do PSDB, o senador Aécio Neves (MG) pegou carona nas candidaturas tucanas bem sucedidas e partiu para seu primeiro teste como pré-candidato ao Planalto fora de seus domínios, as gerais. Num roteiro de carreatas e grandes eventos de campanha nas regiões Sul e Nordeste, ele incorporou de vez o discurso de candidato e conseguiu levar para o ringue, com áspera troca de farpas, a presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente Lula e, de quebra, o candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad.
Aécio, segundo seus aliados, tem o timing perfeito da hora de começar a brigar com Dilma, sua provável adversária em 2014. Semana passada, travou um embate com os adversários.
— Se Aécio quer ser presidente, estude um pouquinho, leia um livro por semana. Pode ser na praia de Ipanema — disparou Haddad.
— Quero agradecer ao candidato Haddad por ter lançado a minha candidatura, mas vou deixar que o meu partido decida isso no tempo certo. Como não acho que ele possa ser tão idiota, como parece às vezes, certamente quis dar ali uma estocada no presidente Lula, talvez não satisfeito com a incapacidade que (Lula) demonstrou até agora para alavancar sua candidatura — devolveu Aécio.
Na guerra com Dilma e o PT, o mineiro pode ganhar o primeiro round com a reeleição do prefeito Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte, contra o petista Patrus Ananias. Para ajudar Patrus, Dilma e Lula despacharam para a capital mineira o marqueteiro João Santana.
Estrela da campanha de Lacerda, Aécio tem percorrido Minas Gerais e as principais cidades do país em campanha paralela. Na propaganda de seu candidato, alfineta Dilma: ele usou o veto presidencial ao aumento dos royalties do minério para acusar a presidente, mineira de nascimento, de não ter amor ao estado, pois, com a medida, tirou de Minas R$ 300 milhões.
— A presidente vem cometendo equívocos e não vou me furtar a fazer críticas a esses episódios. O primeiro foi responder um artigo do ex-presidente Fernando Henrique para agradar Lula. O segundo foi contestar interpretação do Supremo no julgamento do mensalão e, por último, lotear e colocar o governo a serviço do partido, dando um ministério para Marta Suplicy. Isso enterra o bom discurso inicial da faxina.
Aécio ainda minimizou o poder do Lulismo. Em viagem pelo Nordeste, acusou Lula de agir “como líder de facção”:
— O ex-presidente Lula mancha a própria biografia, quando defende os réus do mensalão e ataca a oposição de forma extremamente agressiva nos palanques. O que estamos percebendo é que o lulismo, da forma que existia, quase messiânico, que apontava o dedo e tudo seguia na mesma direção, não existe mais.
Petista diz que mineiro se ‘apequena’ com estratégia de partir para o ataque
O senador Jorge Viana (PT-AC) avalia que seu colega Aécio Neves (PSDB-MG) faz uma jogada arriscada ao atacar Lula justamente no Nordeste:
— Se o Aécio está querendo se tornar conhecido a nível nacional, acho que está fazendo do pior jeito possível. Age errado quando parte para o confronto com Dilma em Minas, fazendo cobranças indevidas. E o equívoco maior é ir para o Nordeste, onde é desconhecido e Lula consagrado, e chamá-lo de chefe de facção. Quando ele desqualifica Lula e Dilma, Aécio se apequena.
Em Minas, o PT tenta reagir à investida de Aécio nas campanhas municipais. O presidente do PT estadual, Reginaldo Lopes, foi a municípios mineiros para apagar os rastros de Aécio. E o presidente do PSDB estadual, Marcus Pestana, também percorre municípios para levantar as candidaturas tucanas e fortalecer a base para Aécio em 2014.
A caravana de Aécio já foi a algumas capitais mais de uma vez, como Recife, Goiânia, São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Natal, Belém, Curitiba, João Pessoa, Aracaju e Teresina. Esta semana irá a Vitória e Vila Velha (ES).
— Ainda existe um grau de desconhecimento do meu nome em algumas regiões, mas o que sinto é um grande entusiasmo e expectativa com a minha chegada nesses lugares.


Os brasileiros de bem e a imprensa livre estão com a alma lavada



Blog de Ricardo Setti
Amigas e amigos do blog, acabou a festa.
Acabou a palhaçada.
Acabou a farsa.
O Supremo Tribunal Federal ontem viveu um dia histórico quando, pelo voto de ministros ou por apartes e comentários a votos de colegas, e ainda sem que todos os ministros hajam terminado seus votos, deixou claro, por maioria de 6 dos 11 ministros, que, SIM, existiu o mensalão, que o mensalão foi alimentado por dinheiro público e, principalmente, que se tratava de um esquema de compra de votos na Câmara dos Deputados.

O arco-íris envolve o Supremo - Foto: Carlos Humberto/ STF

Na sessão de ontem, coube ao ministro Luiz Fux, um dos dois integrantes do Supremo indicados pela presidente Dilma, reiterar pelo menos dez vezes, com todas as letras, que foi disso que se tratou.
As pessoas de bem “deztepaiz” estão de alma lavada por verem ser revelado à plena luz do dia — e, felizmente, se esboroar de vez — um esquema corrupto e totalitário cujo intento sinistro era fazer o Executivo, por meios escusos, ilegais e sórdidos, ser dono do Legislativo, acabando com o equilíbrio entre os poderes e instituindo uma espécie de “bolivarianismo” enviezado no Brasil.
A imprensa livre, objeto de insultos, ofensas, injúrias, mentiras — como a de ser supostamente “golpista” – e todo tipo de lama arremessada por adeptos do lulo-petismo, até por setores minoritários da própria mídia, aí incluídos os que publicam opinião em troca de soldo, está de alma lavada — por ter, desde o começo, baseada em fatos concretíssimos, apontado que o mensalão era exatamente isso que o Supremo acaba de deixar claro que era.
Colunistas livres e sem amarras com o poder ou com quem quer que seja, como tenho o orgulho de me considerar, estão de alma lavada, depois de serem criticados, insultados, enxovalhados e xingados por fanáticos ou malandros, inconformados com o primado da lei e com a reafirmação da independência e da correção de instituições como o Ministério Público e a mais importante corte de Justiça.

Sub judice: 640 candidatos a prefeito correm o risco de ganhar e não levar


No próximo domingo, candidatos em 602 cidades tem futuro incerto

RIO - A uma semana do primeiro turno das eleições municipais, 640 candidatos a prefeito em 602 cidades podem ir para as urnas no próximo domingo ainda sem saber se poderão tomar posse caso sejam eleitos. Ou seja, podem até ganhar, mas correm o risco de não assumir o cargo. Isso acontece porque esses políticos estão com as candidaturas indeferidas ou cassadas, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda não julgou os recursos. Até o momento, a Corte analisou 241 processos referentes a candidaturas ao Executivo, incluindo casos de concorrentes que tiveram o registro aprovado em instâncias anteriores e contestado por partidos adversários ou pelo Ministério Público Eleitoral (MPE).
No Rio, 32 candidatos em 26 cidades tiveram seus registros indeferidos ou cassados. É o segundo estado onde, proporcionalmente, há mais municípios com pelo menos um concorrente à prefeitura nesta situação. Há prefeitos no estado que concorrem à reeleição sem ter a certeza de que sua candidatura vai ser liberada. São os casos de Rachid Elmor (PDT), de Paty do Alferes, Rafael Miranda (PP), de Cachoeiras de Macacu, e Rosinha Garotinho (PR), de Campos dos Goytacazes. Também existem ex-prefeitos que tentam voltar ao cargo e aguardam recursos. Em Tanguá, o número de pendurados atinge metade dos aspirantes ao Executivo. Para tentar garantir a vaga, todos recorreram ao TSE.
— Infelizmente, a legislação admite que isso ocorra, o que só gera instabilidade e insegurança jurídica e institucional. Trata-se dos candidatos eleitos com pedido de registro sub judice, ou seja, aqueles cujos registros foram indeferidos, mas recorreram das decisões nos tribunais regionais eleitorais ou ao TSE. Assim, o candidato concorre com o registro de candidatura indeferido, porém à espera do julgamento de um recurso visando à reforma da decisão de indeferimento — explicou o coordenador do 5º Centro de Apoio Operacional das Promotorias Eleitorais do Rio, Rodrigo Molinaro Zacharias.
O fato de a candidatura não estar julgada até a eleição pode causar insegurança tanto para o candidato quanto para o eleitor. O político pode ter dificuldades de encontrar doadores, já que não há garantia de que ele terá o registro aprovado. E é ruim para o eleitor, que pode votar em um concorrente que, depois da eleição, corre o risco de ser considerado inapto. Com isso, o voto do eleitor no candidato é anulado.
De acordo com resolução do TSE, nenhum candidato com registro indeferido pode ser diplomado — ato em que a Justiça oficializa quem foi eleito —, mesmo que exista recurso. Caso isso ocorra e o candidato a prefeito mais votado não tiver a maioria absoluta dos votos válidos, o segundo colocado na eleição tomará posse. Essa situação vai perdurar até o julgamento final do registro do primeiro colocado. Entretanto, se o mais votado estiver com o registro indeferido e obtiver mais da metade dos votos válidos, será preciso convocar uma nova eleição. Até lá, o presidente da Câmara Municipal assumirá o cargo de prefeito interinamente. Ainda assim, existe a possibilidade de políticos eleitos, e ainda com o registro indeferido, sejam diplomados, amparados por liminares.
O TSE informou que os casos deverão ser julgados até o fim de dezembro, data das diplomações. Até agora, 5.223 recursos sobre registro chegaram à Corte. Pouco menos de um terço foi julgado. Cerca de 40% dos processos são sobre a Lei da Ficha Limpa.
— Muitos candidatos que deveriam ter recorrido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) perderam o prazo e entraram direto com recurso no TSE. Isso aconteceu em pelo menos 48 candidaturas do Rio — disse o presidente do TRE-RJ, desembargador Luiz Zveiter, explicando que isso sobrecarrega o TSE.
O PR é, proporcionalmente, o partido com o maior número de candidaturas a prefeito indeferidas. São 48 nessa situação entre os 703 políticos da sigla que concorrem ao Executivo.
— Às vésperas da eleição, o político desiste, e o partido indica outro. O eleitor não tem tempo de se informar. Ao digitar o número do candidato que renunciou, os eleitores verão a foto dele, já que os dados estão na urna. O cidadão vota em um e elege outro — explica Molinaro.
Essa constatação é corrente entre os membros do MPE, que defendem mudança na lei. Na tentativa de impedir que os partidos adotem essa prática, o procurador regional eleitoral do Rio, Maurício da Rocha Ribeiro, recomendou que as siglas não substituam os candidatos a menos de dez dias das eleições, sem justa causa, sob pena de caracterizar fraude eleitoral.
Há ainda 924 candidatos a prefeito que estão com o registro deferido, mas o MPE ou coligação adversária ainda contestam a decisão. Pode acontecer de o TSE mudar o entendimento das instâncias anteriores, e o político, que até então estava aprovado, fica impedido de assumir se eleito.
Apenas um dos três candidatos que disputam a prefeitura de Cachoeiras de Macacu teve a candidatura deferida, sem pendências judiciais. O atual prefeito, Rafael Miranda (PP), que tenta a reeleição, teve o registro negado pelo TRE e recorreu. O registro do ex-prefeito Cica Machado (PSC) foi aprovado, mas a coligação que apoia o prefeito tenta mudar a decisão.
— Cachoeiras de Macacu é uma cidade de interior, mas não é pequena. A eleição é muito disputada. A apuração parece final de Copa do Mundo. Tem telão na praça, e todos vibram a cada totalização dos votos. Há até brigas de torcida — explicou a juíza eleitoral da cidade, Carla Regina da Costa.
Procurado pelo GLOBO, Miranda não estava na prefeitura no horário de expediente e não retornou as ligações.
Na vizinha Tanguá, dos sete políticos que concorrem à prefeitura, quatro tiveram candidatura indeferida, sendo que apenas um deles não recorreu. Lá, os eleitores se dividem entre os descrentes da política e aqueles que valorizam a intenção de voto ao extremo.
— Outro dia, prenderam cabos eleitorais de um candidato a prefeito comprando votos por R$ 100. Não dá para jogar o voto fora. Sou a favor de quem tem ficha limpa — disse a estudante, Paola dos Santos, de 17 anos.

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SIGNIFICADO DA PALAVRA ANFITRIÃO


          



Na mitologia grega, Anfitrião era marido de Alcmena, a mãe de Hércules. Enquanto Anfitrião estava na guerra de Tebas, Zeus tomou a sua forma para deitar-se com Alcmena, e Hermes tomou a forma de seu escravo, Sósia, para montar guarda no portão. Com a gravidez de Alcmena, uma grande confusão foi criada, pois evidentemente, Anfitrião duvidou da fidelidade da esposa. No fim, tudo foi esclarecido por Zeus e Anfitrião ficou contente por ser marido de uma mulher escolhida do deus. Daquela noite de amor nasceu o semideus Hércules. A partir daí, o termo anfitrião passou a ter o sentido de "aquele que recebe em casa". Portanto, ANFITRIÃO é sinônimo de CORNO MANSO e FELIZ! 
RESUMINDO: QUANDO LHE DISSEREM QUE É UM BOM ANFITRIÃO FIQUE DE ORELHA EM PÉ. 

A Palavra do Dia


Paradoxo 
Paradoxo é uma figura estilística que consiste em uma ideia aparentemente contraditória à estrutura lógica e ao senso comum. Apesar de sua aparência falsa, expressa uma verdade possível, se vista pelo lado psicológico ou poético. Todo paradoxo se consiste de uma antítese, ou seja, oposição de termos e ideias. Luís de Camões, célebre poeta português, escreveu o soneto: “Amor é fogo que arde sem se ver/É ferida que dói e não se sente/É um contentamento descontente/É dor que desatina sem doer”, construído de paradoxos. Carlos Drummond de Andrade, escritor brasileiro, também escreveu alguns versos paradoxais: “Estou cego e vejo/Arranco os olhos e vejo”, que logicamente não fazem sentido, mas no contexto poético do texto podem ser interpretados e compreendidos.

domingo, 30 de setembro de 2012

A Palavra do Dia


Catacrese 
É uma figura de linguagem que consiste no uso de uma palavra ou expressão para descrever algo que não possui denominação apropriada. Por isso são utilizadas aquelas já incorporadas pelos falantes da língua, sendo considerada uma metáfora corriqueira. Enraizada na fala popular, a catacrese termina por retirar o sentido original das palavras, e seu significado, naquele contexto, passa a ser universalmente compreendido. A catacrese é uma derivação da metáfora, mas se diferencia dela por já ter sido incorporada na fala, se tornando assim, corriqueira. Alguns exemplos de catacrese são: ‘O pé da mesa’; ‘dente de alho’; ‘braço da poltrona’; e ‘embarcar no avião’.

sábado, 29 de setembro de 2012

A hora H - Dora Kramer



Semana que vem o julgamento do mensalão vai pegar fogo. Dentro e fora do Supremo Tribunal Federal, onde começará a ser examinada a parte da denúncia relativa aos personagens que põem o PT direta e nominalmente no banco dos réus: José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares.

Até agora só desfilaram coadjuvantes naquela passarela. Operadores financeiros, facilitadores de negócios, espertalhões, aprendizes e professores de feiticeiros.
Gente permanentemente conectada na oportunidade de levar alguma vantagem, para a qual importa pouco quem esteja no comando. Basta que os comandantes liberem a livre navegação pelas águas do poder.
Esse pessoal já está condenado, sem despertar grandes suscetibilidades. A reação às condenações diz respeito ao indicativo de que podem também alcançar os réus que de fato interessam - os representantes mais graduados, entre os citados na denúncia, do projeto beneficiário do esquema de financiamento.
Pois é a partir daí é que os ânimos realmente se acirram.
Quem se espanta com divergências entre ministros do Supremo ou se apavora com o tom mais incisivo de um ou de outro não leva em conta as implicações de uma decisão colegiada envolvendo legislação, doutrina, agilidade de raciocínio, capacidade de encadeamento lógico e muito conhecimento acumulado em trajetórias jurídicas distintas entre si.
De outra parte, quem vê despropósito na acusação de que o STF funciona como tribunal de exceção a serviço de uma urdidura conspiratória, não sabe o que é o furor de uma fera ferida.
Muito mais além do que já houve ainda está para acontecer.
Os ministros do Supremo vão discutir dura, detalhada e por vezes até asperamente todos os aspectos do processo, dos crimes imputados aos réus e das circunstâncias em que foram ou não cometidos, para mostrar as razões pelas quais condenam ou absolvem.
Nada há de estranho, inusitado ou inapropriado nisso. Não é nos autos que os juízes falam? Pois estão falando neles e deles. É o foro adequado para a discussão. Se a interpretação da lei não fosse inerente à função do magistrado, um bom programa de computador que cruzasse a legislação com as acusações daria conta do recado.
Descontados excessos de rispidez de um lado (do relator) e exageros na afetada afabilidade de outro (do revisor), os debates são apropriados e indispensáveis em caso de alta complexidade e grande repercussão como esse.