sábado, 3 de agosto de 2013

Cartas de Seattle: Cidadão, não! Residente, por Melissa de Andrade



Não é uma lei nem nada, mas a Prefeitura de Seattle está evitando usar o termo “cidadão” porque pode ser ofensivo para parte da população.
Pausa para a patrulha do antipoliticamente correto achar um absurdo, argumentar que não existe motivo para que uma palavra tão corriqueira possa incomodar alguém, alfinetar que os Estados Unidos exageram nos cuidados para não ofender quem quer que seja e que desse jeito não se sabe onde vamos parar.
Pronto?
Pois é hora de apresentar um fato: boa parte das pessoas que moram em Seattle não são cidadãs. São residentes, mas não cidadãos. A diferença é enorme. Ser residente legal significa ter visto permanente para morar nos Estados Unidos e pagar impostos, mas não poder votar, por exemplo, porque este direito é exclusivo aos cidadãos de nascimento ou de naturalização. É mais ou menos como no Brasil.
Seattle tem estrangeiro para todo lado. Empresas como Microsoft, Boeing e Amazon recrutam milhares de profissionais todos os anos. Com eles, vêm as famílias. Ou seja, um passeio no parque ou no supermercado e você vai ouvir pelo menos três idiomas diferentes.
Os números não-oficiais são conflitantes e os números oficiais me parecem muito baixos. Quase 20% dos moradores de Seattle teriam nascido no exterior, diz o governo local. O número seria um aumento bem expressivo dos 5% de uma década atrás.

Foto: Kelly Smith @CC

Parece muito mais. A cidade é internacional. A impressão que se tem ao andar nas ruas é que a minoria das pessoas é que é nascida nos Estados Unidos. Nas empresas da área de tecnologia, sempre tem estrangeiro na equipe. Claro que os filhos adultos dos profissionais que se mudaram de outros países para cá há várias décadas ajudam a dar o tom internacional. Eles parecem estrangeiros, mas não são.
Por tudo isso é que, se eu escuto um discurso de um político falando que vai fazer isso ou aquilo para os cidadãos, boa parte da plateia não se sente incluída na promessa. Quando alguém noticia que os cidadãos de Seattle vão poder desfrutar disso ou daquilo, sinto que não estão falando comigo. Não é que fico ofendida, mas me sinto excluída.
Se cidadãos e não cidadãos trabalham duro, pagam impostos e compõem a multiculturalidade característica de Seattle, parece no mínimo adequado que a Prefeitura se dê conta disso e governe para os residentes, em vez de somente para os cidadãos. É por isso que “Seattleite” é o termo usado para quem mora em Seattle, não para quem nasceu aqui.

Melissa de Andrade é jornalista com mestrado em Negócios Digitais no Reino Unido. Ama teatro, gérberas cor de laranja e seus três gatinhos. Atua como estrategista de Conteúdo e de Mídias Sociais em Seattle, de onde mantém o blog Preview e, às sextas, escreve para o Blog do Noblat.

Saiba por que as ressacas nos tornam mais estúpidos


  • Dores de cabeça matinais causadas pelo excesso de álcool prejudicam o modo como o cérebro processa informações
  • Tempo de reação de uma pessoa de 20 anos é comparável a de alguém de 40 anos nestas condições


Cena do filme “Se beber não case”: estupidez de sucesso.
Foto: Divulgação
Cena do filme “Se beber não case”: estupidez de sucesso. Divulgação
LONDRES - Qualquer um que já tenha acordado de ressaca suspeitou o que uma nova pesquisa da Universidade de Keele, em Staffordshire, no Reino Unido, acaba de confirmar: o mal estar gerado pelo excesso de bebidas alcolólicas altera a capacidade de raciocínio.
Os psicólogos definem a ressaca como os sintomas deixados depois que os níveis de álcool na corrente sanguínea retornam a zero. E a nova descoberta indica que os excessos de uma noite animada podem durar bem mais que o tempo que se leva para ficar sóbrio novamente. Junto com tonteiras, náusea e ansiedade, a ressaca tem impacto na memória de trabalho, que regula a habilidade de reter e manipular informações, levando as vítimas a serem menos capazes de desenvolver tarefas como uma simples conta aritmética.
- Os sintomas da ressaca não são apenas psicológicos, afetam o funcionamento cognitivo e o humor, podendo levar a diversas consequências indesejáveis - explicou ao jornal “The Telegraph” a pesquisadora em pós-doutorado Lauren Owen, coordenadora do estudo.
Os resultados preliminares, segundo ela, parecem indicar uma queda entre 5% e 10% na memória de trabalho e um aumento de erros em cerca de 30% nos voluntários em ressaca. Os tempos de reação também ficaram abaixo do esperado, o equivalente a uma pessoa de 20 anos tendo uma atitude de alguém de 40 anos.
As causas científicas de ressaca ainda não são bem compreendidas. São parcialmente um sintoma de desidratação, mas os produtos químicos do álcool, como o etanol, também parecem desempenhar algum papel. No organismo o etanol se decompõe em um composto chamado acetato para que possa ser expelido, mas também pode formar uma molécula tóxica chamada acetaldeído durante esse processo. Baixos níveis de metanol também podem ser encontrados em algumas bebidas alcoólicas mais escuras e são quebrados em compostos mais tóxicos, que pioram a ressaca.


O inferno de Dante e o de Dirceu


  • Audaciosas e hilariantes aventuras desse fabuloso personagem que beira o inverossímil

Já leu o best-seller “Inferno”, de Dan Brown ? Não leia, não perca seu tempo com essa longa e entediante palestra sobre pintores renascentistas e igrejas de Florença e Veneza, misturada com versos do “Inferno”, de Dante Alighieri, como pano de fundo para uma gincana de um professor americano de Simbologia, e uma linda jovem com um QI fabuloso, para tentar impedir a ativação de um vírus criado por um cientista louco para matar um terço da humanidade, acreditando que assim a salvaria do inevitável extermínio provocado pela superpopulação da Terra.
O grande mistério da história é: por que o genial cientista que criou o vírus, que eles imaginam ser um 2.0 da peste negra medieval, não se contenta com a sua nobre missão de salvar a raça humana, mas faz questão de se suicidar e deixar um emaranhado de pistas, dicas e charadas em quadros, livros e estátuas para encaminhar os heróis eruditos para o local secreto onde o vírus será ativado na data fatal? Ora, para Dan Brown escrever essa baboseira e ganhar milhões de dólares.
Já leu o best-seller “Dirceu”, de Otávio Cabral ? Corra para ler, você não vai conseguir parar. Não só pelas audaciosas e hilariantes aventuras desse fabuloso personagem que beira o inverossímil e faria a alegria de qualquer ficcionista, mas pela rica narrativa de sua relação de amor e ódio com Lula, que por si só mereceria um livro, e de suas brigas e traições com Palocci, Tarso Genro, Mercadante, Marta e outros grã-petistas.
São várias as vidas de Dirceu, de líder estudantil preso pela ditadura e exilado em Cuba a comandante de focos de guerrilha aniquilados pelo Exército antes de começarem, do falso comerciante Pedro Carôço no interior do Paraná a presidente do PT que chega ao poder com Lula em 2002, de chefe da quadrilha do Mensalão a homem de negócios milionário. De herói a vilão, do céu ao inferno, são muitos os inimigos que enfrentou e as mulheres que conquistou, amou, traiu e enganou. Que filme !
Se fosse traduzido para o inglês e apresentado como um romance, “O inferno de Dirceu” seria muito melhor e faria mais sucesso que o de Dan Brown.
Nelson Motta é jornalista


Presidente do Fla diz que risco de queda não altera o planejamento


  • ‘Temos de acreditar’, diz Eduardo Bandeira de Mello

Quebrando a cabeça. Mano Menezes ainda busca regularidade no Brasileiro: Flamengo está na zona de rebaixamento Foto: Cezar Loureiro / Agência O Globo
Quebrando a cabeça. Mano Menezes ainda busca regularidade no Brasileiro: Flamengo está na zona de rebaixamento Cezar Loureiro / Agência O Globo
Nos primeiros sete meses de gestão, em que procurou vasculhar a real situação financeira do clube, a atual diretoria do Flamengo tem andado em torno de um dilema. O mesmo buraco, que sugere a necessidade do saneamento de toda a instituição, é aquele que oferece o risco de queda. Depois de celebrar o bom trabalho nos primeiros dias, em que considerou o pior cenário possível para divulgar uma dívida de 750 milhões, o alto comando rubro-negro mantém a confiança, apesar dos números do time, que marcou só nove gols em dez jogos e voltou à zona de rebaixamento com a derrota de anteontem, por 3 a 0, para o Bahia.
— Vamos continuar trabalhando com a mesma seriedade. Não muda nada por causa do último jogo — disse o presidente Eduardo Bandeira de Mello, confiante na evolução rubro-negra . — Encontramos uma situação caótica, que ainda é difícil, mas que já começou a clarear.
A mudança de cultura anunciada pelo novo governo começa pela forma de enxergar a situação. Para que o Flamengo possa voltar a ter um time forte, à altura da expectativa da torcida e das tradições do clube, a primeira medida foi reduzir os investimentos do futebol. Com um elenco modesto, o Flamengo começa a ficar para trás justamente num momento em que as distâncias na tabela tendem a se acentuar. Comparado a uma corrida de automóvel, o Brasileiro estaria exatamente naquela volta em que o carro-madrinha sai da pista e obriga os competidores a acelerar fundo. Com poucos jogos no meio de semana e paralisação para a Copa das Confederações, as primeiras dez rodadas deixaram os times agrupados na tabela, na qual o líder tem 13 pontos a mais que o lanterna.
Estrela no banco
Só em agosto, o rubro-negro fará sete jogos, a começar pelo clássico de domingo com o Atlético-MG, em Brasília.
— Estou preocupado como também estaria se o time estivesse na frente. O trabalho tem sido bem feito, e temos de acreditar — afirmou o presidente, dividido entre a necessidade de acalmar a torcida e de rechaçar o clamor por mudanças e contratações de impacto. — É questão de responsabilidade, não dá para fazer loucuras, não temos dinheiro.
Depois das primeiras rodadas em ritmo lento, a relargada se anuncia dramática. Com 16 times à sua frente, e o São Paulo no retrovisor, o Flamengo precisa da potência e da regularidade que ainda não mostrou para voltar a andar entre os melhores. Passado o agrupamento inicial, resta o desafio da reaproximação, a começar pela distância que separa o futebol rubro-negro de sua torcida e do comando do clube. Em agosto, o time só voltará a jogar no Maracanã dia 11, contra o Fluminense. Salvo a partida diante do Goiás, dia 14, no Serra Dourada, as demais serão em Brasília, contra Portuguesa (dia 7), São Paulo (18) e Grêmio (25). Com as férias do vice Wallim Vasconcellos num momento em que o time precisa de trabalho duro, aliados já começam a temer pela instabilidade do futebol rubro-negro, que tem no diretor Paulo Pelaipe e no técnico Mano Menezes seus principais gestores.
— Mano e Pelaipe têm experiência muito grande — disse presidente, ao justificar a opção pelo modelo em que os dirigentes amadores não entram em campo e a maior estrela fica no banco. — O Mano é o líder do elenco e tem feito um trabalho muito bom.
Além da derrota da véspera, ontem, com o fechamento dos aeroportos do Rio, por causa de neblina, o presidente suportou sete horas de vôo para chegar separado do time, que seguiu à noite para Brasília. Apesar dos horizontes cinzentos, o comandante rubro-negro não se assusta com o risco de queda.


A Palavra do Dia

Cabeçalho
Também chamado de cabeço, o cabeçalho é o conjunto de informações, geralmente fixas e padronizadas, no alto das páginas. As informações contidas no cabeçalho costumam ser o nome do autor, o título da obra e do capítulo corrente. O cabeçalho tem função de marcar certas constâncias gerais ou parciais para orientar o leitor durante a leitura. A tradição tipográfica consagrou determinadas combinações para o posicionamento do cabeço, como, por exemplo, nome do autor na página par e título do livro na página ímpar.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A Frase do Dia




Para desfazer informações desencontradas veiculadas nos últimos dias, o PT vem a público reafirmar sua parceria governamental e aliança eleitoral prioritária com o PMDB. Além disso, continua com a firme disposição de reeditar, em 2014, a chapa que nos levou à vitória em 2010, com a presidenta Dilma Roussef e o vice-presidente Michel Temer.
Rui Falcão, presidente nacional do PT

Diário dos Passos: A maturação e A dúvida, por Vanja Campos


"Tudo é uma questão de tempo, até a certeza necessita de maturação, diz Léo em seu favor".
"Quanto a mim, abraço a dúvida inconteste, como quem traga o último cigarro, bebe o último gole, e dorme para acordar sem vontade".

Vanja Campos nasceu no Recife. Formada em Sociologia com pós-graduação em História, é pesquisadora da Fundação Joaquim Nabuco.

Escola proíbe alunas de usarem saias, na Inglaterra


  • Segundo a direção, peça estava ficando cada vez mais curta

RIO - Alunas da escola cristã Walkwood Church of England Middle School, na Inglaterra, foram proibidas de usar saias. O motivo, segundo a direção, é que as bainhas não param de subir. Por isso, a recomendação é que as meninas passem a usar somente calças, a partir de setembro. E a partir de 2014, também será exigido que elas vistam camisas em vez de blusas, para que o uniforme seja o mesmo dos meninos.
A medida tem levantado discussões, já que essa não foi a primeira vez que um colégio adotou a estratégia. Estima-se que, atualmente, 63 escolas já proibiram alunas de usar saias na Inglaterra, sendo que, na maior parte dos casos, a regra vale para o ensino médio. Neste caso recente, chama atenção o fato de a norma valer para garotas com idades entre 9 a 13 anos.
O diretor da escola, David Doubtfire, disse ao jornal “The Telegraph”, que a medida foi necessária porque as alunas têm usado saias cada vez mais curtas. “Algumas garotas mais velhas estavam começando a usar saias muito curtas. Ficava difícil controlar, especialmente quando elas se sentavam no salão da escola. Era muito vulgar.”
O diretor comentou ainda que gostaria de simplesmente pedir às alunas que usassem saias mais longas, mas isso não seria suficiente, já que elas enrolariam a parte superior da peça, assim que os responsáveis virassem as costas. Apesar da rigidez, o professor disse que ainda será avaliada a proposta de as garotas utilizarem vestidos no verão.
Um grupo composto por cerca de 20 pais escreveu à escola, para protestar contra a medida, que consideraram "louca". Um deles disse ao Telegraph que " chamar meninas de nove anos de ‘vulgar’ é um absurdo. Eles não são mulheres, são meninas. E impedi-las de usar saias só vai confundi-las”.


Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Palavra do Dia": 
As manifestações das ruas podem ser o prefácio de um Brasil mais justo.

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O país das multidões - Elio Gaspari": 
"Estamos esperando o técnico para usar os computadores" é a imagem perfeita do Brasil de hoje.

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "SP tem mais cenas de vandalismo em ato contra Alck...": 
O fato de estarem se manifestando contra Alckmin e/ou Cabral não justifica nem atenua a atitude criminosa de agressão a terceiros entre eles policiais e a depredação decorrente de atos de vandalismo injustificáveis.
A postura leniente da imprensa em relação aos bandidos parece inibir a manutenção da ordem pública por parte dos órgãos que são pagos pela população para exercerem esta função.
O desprezo aos direitos humanos no excesso da violência ocasional da repressão policial não é pior que os crimes dos vândalos dirigidos contra os cidadãos indefesos.
Esta atitude passiva dos defensores da ordem poderá inclusive gerar a catástrofe de uma reação do povo despreparado para assumir sua própria segurança.
A omissão das autoridades em relação aos anseios dos cidadãos levou o povo às ruas mas parece que a mensagem não foi compreendida.
Será que somos administrados por idiotas ou criminosos simpatizantes dos marginais que buscam desmoralizar os protestos pacíficos de uma população indignada.

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Banalização do Bem - Zuenir Ventura": 
Assim como o Zuenir, todos esperamos que as sementes da visita do Papa tenham caído em terra fértil e que sejam cuidadas por jardineiros perseverantes e cheios de esperança. 

A Palavra do Dia

Frontispício 
Também chamado de folha de rosto, o frontispício é a primeira folha do livro, onde se faz a apresentação essencial da obra. Alguns dos elementos presentes no frontispício são o nome do autor, o título e o subtítulo da obra, entre outros. O verso da folha de rosto é o local onde são indicados os direitos autorais e editoriais e outras informações, como a menção dos que preparam a obra para edição, por exemplo.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

SP tem mais cenas de vandalismo em ato contra Alckmin e Cabral


  • Polícia e manifestantes entraram em confronto; 20 foram detidos


Jovem quebra vidraça de agência bancária
Foto: AFP
Jovem quebra vidraça de agência bancária AFP
SÃO PAULO - Em novo protesto contra os governadores Geraldo Alckmin (SP) e Sérgio Cabral (Rio), manifestantes e policiais entraram em confronto, nesta terça-feira, em São Paulo, depois de cenas de vandalismo em diferentes pontos da cidade. Enquanto seguiam da Avenida Faria Lima para a Paulista, vândalos quebraram agências bancárias e uma concessionária de veículos importados, enquanto a polícia reagia com bombas de efeito moral.
Os jovens, a maior parte escondendo o rosto com lenços e capuzes, também picharam lojas e carros na rua. Eles gritavam palavras de ordem contra Alckmin e Cabral e xingavam policiais e jornalistas.Ao menos 20 pessoas foram detidas. Um deles chegou a ser arrastado por policiais para um carro da polícia. Com a cabeça sangrando e ferimentos no rosto, um jovem foi socorrido por uma mulher no meio da Avenida Rebouças.
Segundo o tenente-coronel Eduardo da Silva Almeida, comandante do 23º BPM, a PM monitorou as redes sociais e localizou a convocação para o protesto. Antes do ato, a polícia já se preparava para reagir.
— Vamos garantir a manifestação para que não haja depredações e problemas — disse o comandante, negando que o grande número de policiais tenha sido chamado por se tratar de protesto contra o governador.
Numa tentativa de diminuir o impacto do protesto, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo divulgou nota, horas antes da manifestação, afirmando que usaria a “energia necessária” em caso de depredações. O governo foi pego de surpresa quando, na última sexta-feira, pelo menos oito agências bancárias e uma cabine da PM foram depredadas.
“A convocação está sendo feita pelo mesmo grupo que promoveu atos de vandalismo na última sexta-feira na Avenida Paulista. A PM respeita o direito à livre manifestação, estará presente ao protesto para dar segurança aos cidadãos pacíficos e agirá com a energia necessária para evitar atos criminosos”, dizia a nota.
Chamava atenção o forte aparato policial. Algo em torno de um policial para cada dois manifestantes. Policiais foram orientados pelo comando a permanecer atrás do grupo de manifestantes, que seguiam pelas principais ruas da Zona Oeste de São Paulo. No início, cerca de 220 PMs acompanhavam os manifestantes; depois, juntaram-se a eles outras forças: Tropa de Choque, Cavalaria e Rota. A PM não divulgou o efetivo total no protesto.
Pelo menos 50 PMs acompanhavam o ato em motocicletas. De cima do capô de um dos carros da polícia, policiais filmavam manifestantes, que reagiam com gritos de “polícia fascista”.
As forças policiais também ocuparam postos na Avenida Paulista para aguardar os manifestantes, que se dispersaram antes de chegar ao local. Aos detidos, os policiais diziam que eles estavam sendo presos por formação de quadrilha e depredação.
Depois das 22h, manifestantes passaram a se concentrar no Vão Livre do Masp, na avenida Paulista. Segundo a PM, eram 40 pessoas. O grupo seguiu para o 14º DP, onde estavam os 20 detidos durante o protesto. Segundo a polícia, a manifestação seguia pacífica. A rua que dá acesso à delegacia, no bairro de Pinheiros, foi cercada por forças policiais, incluindo a tropa de choque. Os manifestantes protestavam contra a prisão de 20 pessoas.


Banalização do Bem - Zuenir Ventura

A maior novidade do discurso inovador do Papa é que a reforma moral proposta por ele deve passar pelo diálogo e o encontro, não pelo confronto


Nesses tempos sombrios de violência, guerra, miséria e fome, em suma, da chamada banalização do Mal, é sintomático que o Papa Francisco tenha conseguido um extraordinário sucesso pregando justamente o contrário, algo como a banalização do Bem. A sua foi a primeira voz autorizada de alcance planetário a se levantar contra a razão cínica em voga, propondo em seu lugar um círculo virtuoso, uma espécie de revolução ética contra a cultura do provisório, da exclusão e do descartável. Quem sabe ele não estará pondo fim a um ciclo de produção do mal como energia incontrolável? O filósofo francês Jean Baudrillard, estudioso do tema e cético quanto à sua erradicação, achava inevitável o funcionamento das sociedades sobre a base da “disfunção, do acidente, do catastrófico, do irracional”. Na sua opinião, “dizer que tudo isso pode ser exorcizado, erradicado, significa insistir numa perspectiva religiosa da salvação”. Pois durante a semana que passou entre nós, foi nessa perspectiva que o Papa insistiu, distribuindo esperança e atualizando antigos valores e virtudes como a solidariedade e a tolerância, esquecidos ou “fora de moda”. Ele pode até ser criticado pelo que calou (aborto, preservativo, célula-tronco), mas não pelo que falou de outros temas tabus: “Se uma pessoa é gay, quem sou eu para julgá-la?” “A mulher na Igreja é mais importante que os bispos e os padres.” A maior novidade de seu discurso inovador é que a reforma moral proposta por ele deve passar pelo diálogo e o encontro, não pelo confronto. Pela compreensão, não pela animosidade. Nunca pela intransigência e o radicalismo. Essa talvez seja a melhor contribuição para a paz do evangelho segundo Francisco.
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Ao facilitarem o trabalho dos garis ajudando a recolher o lixo depois dos eventos, os peregrinos deram uma lição de educação para os foliões sugismundos e mijões, que no carnaval espalham detritos nas ruas e urinam nas calçadas, canteiros e até através das grades dos edifícios. Mais um legado de civilidade deixado pelos alegres fieis da JMJ.
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Por falar em onda do bem: o Hospital do Cérebro Paulo Niemeyer, que está sendo inaugurado, impressiona não só porque é um dos mais bem instalados e equipados do mundo, mas também por ser uma obra “padrão Papa”, ou seja, é excelente e não se destina aos privilegiados, e sim aos necessitados do SUS. E pensar que, com o que foi gasto com muitos dos estádios que vão virar elefantes brancos depois da Copa, algumas dezenas desses hospitais podiam ser construídas pelo Brasil afora.
Zuenir Ventura é jornalista


Com técnico novo, Flu recebe o líder Cruzeiro

Luxemburgo estreia no tricolor nesta quarta


Luxemburgo orienta Deco e Fred em seu primeiro treino no Fluminense Foto: Gustavo Miranda / Agência O Globo
Luxemburgo orienta Deco e Fred em seu primeiro treino no Fluminense Gustavo Miranda / Agência O Globo
RIO - Em um momento de crise e transição, o Fluminense recebe o Cruzeiro às 19h30m desta quarta-feira, no Maracanã. Depois de cinco derrotas seguidas, Abel Braga foi demitido e a direção agiu rápido, contratando e apresentando Vanderlei Luxemburgo como novo técnico. Ele estreia já nesta quarta, no duelo contra o líder. O time mineiro tem 18 pontos, enquanto o Flu, com apenas 9, é o primeiro clube na zona de rebaixamento, na 17ª posição.
Após acertar contrato até dezembro e comandar um coletivo em que mudou a formação tática do time, Vanderlei foi apresentado. Ele elogiou o trabalho feito por Abel e a qualidade do elenco que tem à disposição. No coletivo, insistiu nas jogadas de bola parada e fez mudanças. Na zaga, Leandro Euzébio volta ao time titular no lugar de Digão. Outra mudança foi por ordem médica: com Bruno e Wellington Silva lesionados, Jean foi deslocado para lateral direita, e Diguinho entrou no meio-campo. Foi neste setor que aconteceram as principais mudanças, de ordem tática.
— Comecei a introduzir algumas coisas que eu penso, e o jogador de futebol hoje em dia está acostumado. Vou dar uma mexida, para posicionar o time da forma de que mais gosto, e conversei com os jogadores sobre isso — afirmou.Abel armava o time com Edinho, Jean e Deco no meio e dois jogadores pelas pontas (Wellington Nem e Thiago Neves, depois substituídos por Wagner e Rafael Sóbis nestas funções). Com Vanderlei, o meio passa a ter quatro jogadores, em forma de losango: Edinho mais fixo na marcação, dois jogadores saindo pelos lados (Diguinho, em posição que será de Jean, pela direita, e Wagner, pela esquerda) e Deco mais livre, sem obrigação de marcar e próximo da dupla de ataque.


O país das multidões - Elio Gaspari

Os brasileiros mostraram que acreditam em muita coisa, menos em governos que querem fazê-los de bobos


Em apenas dois meses, pode-se estimar que pelo menos cinco milhões de brasileiros tenham ido às ruas. A maior parte deles, festejando a fé com o Papa Francisco. Outros, reclamando nas passeatas que tomaram as avenidas em quase todos os estados.
Exatamente nestes dois meses, os poderosos do país mostraram que não estão entendendo nada, ou não querem entender.
Aconteceram, ou tornaram-se públicas, as seguintes gracinhas, todas amparadas pela lei. Mesmo nos casos em que o ronco da rua provocou recuos, eles foram apresentados como atos voluntários. Esse é um Brasil que faz tudo de acordo com as normas, suas normas.
Começando pelos tribunais, que vivem um doce momento, embalados pelo julgamento do mensalão: o Tribunal de Contas da União decidiu que 4.900 magistrados têm direito a receber auxílios-alimentação reatroativos a 2011. Um conta de R$ 312 milhões. Um de seus ministros, Raimundo Carneiro, mostrou ao país que sua idade, como a Terra de Galileu, eppur si muove. Para se aposentar como servidor do Senado, nasceu em 1946. Para permanecer no Tribunal, veio ao mundo em 1948. Exercitando um direito de todos os procuradores, o atual presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, recebeu R$ 580 mil referentes a bônus-moradia e licenças não gozadas. Comprou um apartamento em Miami, avaliado em US$ 480 mil, “modesto”, nas suas palavras, e considera “violação brutal da minha privacidade” a divulgação dessa informação. O ministro tem um apartamento funcional em Brasília, mas, justificando suas viagens ao Rio de Janeiro, informou que faz isso “regularmente há mais de dez anos”, como outros magistrados. Com a Viúva pagando.
Passando-se ao Executivo, o custo da maquiagem da doutora Dilma em suas aparições em cadeia nacional de TV passou de R$ 400 para R$ 3.181em menos de três anos.
Alguns de seus ministros rompem o teto salarial do serviço público (R$ 28.059) com as Bolsas Conselho. Guido Mantega, por exemplo, fatura R$ 43.202 mensais. Tudo dentro da lei.
No Congresso, os doutores Henrique Alves e Renan Calheiros voaram pela JetFAB. Um foi para o Rio e o outro para um casamento. Diante do ronco, indenizaram a Viúva.
Saindo-se do Brasil do andar de cima, no de baixo chega-se à escola Candido de Assis Queiroga. Ela fica no município de Paulista, no sertão paraibano, onde vivem 11 mil pessoas. Seu Índice de Desenvolvimento Humano no indicador de educação (0,461) está abaixo da média nacional (0,637). Lá, Jonilda Alves Ferreira, de 44 anos, formada em economia, leciona Matemática por R$ 1.500 mensais. Ela ensina frações fazendo “vaquinhas” e levando alunos a pizzarias. Qualquer pessoa que vê uma pizza entende o que são frações ordinárias, mas quem provar que se pode nascer em 1946 (para ganhar aposentadoria) e em 1948 (para continuar num cargo) certamente revolucionará as ciências.
A escola da professora Jonilda conseguiu cinco medalhas de ouro, duas de prata e três de bronze na última Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas. Sozinha, acumulou mais prêmios que muitos estados.
A repórter Sabine Righetti perguntou à professora se a escola tem laboratório de informática. Tem, pago, porém parado: “Estamos esperando o técnico para usar os computadores.”
Elio Gaspari é jornalista


Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Mensalão: julgamento de recursos começa até dia 15...": 
Toda novela quando prolongada indevidamente cansa o telespectador.
É hora de fechar este julgamento. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Movimentos gays veem avanço na fala de Francisco": 
A Igreja combate e combaterá sempre qualquer tipo de preconceito ou discriminação.
Isto não equivale a negar as diferenças verificadas entre filosofias, pontos de vista e práticas e costumes na sociedade humana.
Não há como negar que heteros, homos e mixtos quentes são coisas diferentes. Qualquer tentativa de fazer um purê destas três batatas não passa de um lobby mercadológico. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Um homem sereno que não fala para sectários (Edito...": 
As palavras de Francisco foram importantes para todos os homens de boa vontade, religiosos ou não, brasileiros ou chineses ou americanos.
Suas homilias explicitaram práticas indispensáveis ao crescimento humano. A esperança, a sinceridade, a perseverança, o amor ao próximo transmitido por ações eficazes são essenciais para a edificação de uma sociedade mais justa. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Justiça veda cunhado de governadora em vaga do qui...": 
Todos estão de acordo com esta decisão transparente do TJF.
Para discordar só sob o manto covarde do voto secreto. 

A Palavra do Dia

Prefácio
O prefácio é um texto introdutório ou de apresentação, que pode ser breve ou longo, presente no início de um livro. O objetivo do prefácio deve ser o de indicar os traços gerais da obra, muitas vezes, sem tornar conhecidos os seus detalhes, suscitando no leitor o desejo de prosseguir com a leitura. No prefácio, geralmente, são informadas as características gerais da obra, como o conteúdo, o formato, os temas centrais e os elementos subjacentes. O prefácio faz parte dos elementos pré-textuais, aqueles que antecedem o texto de determinada obra.