A ditadura militar é uma lembrança triste na memória do povo brasileiro. Triste, mas necessária. Como alguém já disse, aqueles que esquecem o passado estão condenados a repeti-lo. O que é motivo suficiente para que a arquibancada bata palmas para a decisão do Ministério da Defesa de ampliar o acesso dos cidadãos aos seus documentos internos que fazem parte da história dos anos de ditadura. Uma decisão, deve-se dizer, inevitável: é exigida pela Lei de Acesso à Informação, sancionada pela presidente Dilma Rousseff no fim do ano passado.
Obedecendo à lei, o ministro da Defesa, Celso Amorim, assinou uma portaria determinando aos comandos militares que façam um levantamento dos documentos hoje mantidos em segredo, para liberar aqueles que a sociedade ganhou o direito de conhecer. O sigilo deixa de ser a regra e passa a ser a exceção. Em muitos casos, a divulgação de informações hoje secretas será espontânea.
Pode-se esperar que essa nova política permita que historiadores isentos – e esse adjetivo é obviamente indispensável – escrevam a história dos nossos anos de chumbo. Uma prova de que isso é necessário está em entrevista recente do general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, que disse não acreditar que o jornalista Vladimir Herzog tenha sido assassinado numa cela do 2º Exército, em 1975, um crime reconhecido, anos depois, pela Justiça e pelo governo.
Podemos – e até devemos – acreditar que não há clima no Brasil de hoje para uma volta dos anos de chumbo. Mas sempre é bom não esquecê-los. Na década de 60, o fantasma de uma "república sindicalista", projeto de poder de João Goulart e Leonel Brizola – e que poderia existir mesmo – criou o clima para a ação militar que, contrariando uma suposta tradição, produziu anos de regime de exceção. Quanto melhor um país conhecer o seu passado, maiores serão as chances de não repetir os seus erros.
Não há nenhuma necessidade de cerimônias pomposas nem criação de comissões especiais do governo.
ResponderExcluirOs documentos históricos (antes, durante e depois de 1964) devem estar disponíveis para análise e estudo de historiadores. Caso sejam revelados crimes de qualquer natureza o ministério público abrirá processos visando a defesa da sociedade.
Basta de meias verdades e meias mentiras.