segunda-feira, 13 de abril de 2009

DSSTC - Dicas de Sobrevivência na Selva do Trânsito Carioca - Jorge Eduardo

10 - Chuva
Entre todas as categorias de chuva, uma das mais perigosas é aquela chuvinha fina que começa invisível e traiçoeira. Isto porque ao cair na rua, seja asfalto ou paralelepípedo (mais perigosa ainda) mistura-se à poeira oleosa formando um ótimo lubrificante para derrapagens e encrencas. Uma ocasião, assisti “da primeira fila”, a um espetáculo proporcionado por um Fusquinha derrapando na minha frente, numa bela pirueta de 360º. Previ tudo: chuva fina, curva do calombo na Lagoa e pelo espelho vi o pateta me ultrapassar entrando rápido demais. Mantive uma cautelosa distância, pois eu poderia entrar no espetáculo e na lataria do bobalhão.
Nas outras chuvas, a visibilidade fica por conta do pára-brisa: o lado de fora depende dos limpadores e por dentro ocorre o embaçamento. Costumo adicionar um pouco de detergente à água do reservatório dos limpadores. Um pequeno esguicho elimina instantaneamente aquele rastro turvo da palheta. De vez em quando vale também limpar a borracha da palheta onde se acumula a tal poeira oleosa.
Contra o embaçamento, ar condicionado. Sem esse magnífico acessório, pingue umas gotinhas de detergente na palma da mão e esfregue sobre o embaçamento. Esqueça essa bobagem de esfregar fumo de um cigarro. Não dá certo.
De resto, a chuva pode preparar armadilhas terríveis nessa nossa cidade de calçamento lunar. Uma inocente poça pode estar escondendo uma daquelas crateras tão comuns por aí. Com relação aos detestáveis bueiros cito um exemplo: na subida do Cosme Velho, perto do Colégio Sion há um deles cuja tampa sai sempre que chove um pouco mais forte. Esse tipo de armadilha existe em quase toda parte. A chuva apenas aumenta o perigo de suspensões quebradas e pneus rasgados.

11 - Faça-se notar
Se você não estiver circulando com uma Ferrari ou um Rolls Royce, e sim um impessoal e comum veículo, vai passar despercebido. Por isso, é bom manter em funcionamento o pisca-pisca, o alerta, as lanternas, os faróis e seu pisca, luzes de freio e luzes de ré. Por último, a buzina. Algumas luzes automáticas, como as do freio e da ré, devem ter o funcionamento OK. Caso contrário, o indivíduo atrás pode desencadear o que costumo classificar como “salsicha, mortadela e salaminho”, ou seja, aqueles três carros “embutidos”, um na mala do outro, com guarda, troca de telefones e um engarrafamento atrás.
A luz de ré serve para indicar que você vai botar o carro na vaga, prevenindo o mundo todo, antes que apareça um “super bonder” colado na sua traseira inviabilizando a manobra.
O pisca-pisca é fundamental tanto para avisar aos motoristas, quanto aos pedestres sobre o que você vai fazer. Portanto, cuide de desligá-lo caso o automático da direção não o faça e você saia por aí confundindo a humanidade quanto às suas futuras decisões.
Pisca-alerta, é óbvio, é para alertar que você está parado temporariamente como os táxis usam ou para quando ocorrer uma pane qualquer.
O pisca-farol não é para empurrar o carro da frente. Mas não deixa de ser útil para espantar pedestres abusados nos sinais.
Quanto à buzina, esqueça seu uso para desfazer engarrafamentos. Buzinar lá detrás, pretendendo fazer a coluna de carros andar quando o sinal abre, não adianta nada.
Os “Fórmula-Ônibus” são um capítulo à parte no que diz respeito a essas dicas. Melhor manter-se atento e distante dessa cáfila.

12 - À noite
Se à noite todos os gatos são pardos, os ciclistas são invisíveis e, geralmente, na contra mão.
Como se já não bastassem as dificuldades diurnas no manicômio instalado nas ruas cariocas, dirigir à noite é uma aventura digna de filmes de terror.
Os sinais – fonte de renda para bandidos – são desrespeitados assim que anoitece, virando em palco de assaltos, sequestros e batidas espetaculares.
O cidadão que pretender seguir a cartilha dos corretos e respeitadores corre o risco de acabar na crônica policial, que contará o ocorrido e o horário do sepultamento.
Com vidros fechados, portas trancadas, faróis bem acesos, olhos para todos os lados, diminua a velocidade e vá avançando devagarinho o sinal burramente fechado.
Multa? Esqueça: os guardas desaparecem com medo dos assaltantes. Os pardais não devem estar funcionando e convenhamos: sua vida vale mais que a multa.
Assim sendo, transite à noite tendo a cautela como sua passageira, evitando e desviando-se de ciclistas, pedestres, buracos, bueiros e suspeitos ocultados pelo breu em que se afunda a maioria das ruas do Rio.
Último conselho: se você tem insulfilm no seu carro aumente sua atenção pois essas películas escurecem mais o que já é mais do que escuro: o Rio à noite.

Um comentário:

  1. Cremildes Tegucigalpa14 de abril de 2009 às 00:36

    Sábios conselhos! Bem se vê que nosso confrade - os jornalistas se apropriaram indevidamente dessa palavra, que não lhes é absolutamente exclusiva, pois quer simplesmente dizer qualquer companheiro, camarada ou ainda colega - vem penando por nossas estradas e ruas, mas, coisa rara,empresta-nos a solidariedade de sua muita experiência!. A dica da chuva é perfeita e achei sensacional essa coisa do detergente no limpador de parabrisa, que já vou adotar. O mesmo com o embaçamento, só que ele tem de ver que o próprio ar-condicionado também embaça. Que fazer, então? O outro drama é o ciclista na contramão, uma praga nacional que se espalha metastasicamente. Minha vizinhança está cheia deles, na maioria porteiros de eifícios que vão levar os filhos à escola, sentados no quadro ou no improvisado banquinho sobre a roda de trás. E só andam na contramão porque, dizem eles, assim se vê o carro de frente e dá para desviar de qualquer maluco. Nuna lhes ocorrerá pensar que malucos sao eles mesmos Só que a coisa não é bem assim e, na tourada que é o trânsito, já andei vendo ciclistas que fazem Veronicas e Manoletinas à frente de carros. Sem falar da gente atravessar uma rua, olhar para a mão para não ser atropelado e de repente, ao descer do meio-fio, levar uma tronchada de um ciclista que vem todo pimpão pela contramão. Enfim, Jorge Eduardo, continue. Bole outras coisas que nos apoquentam o dia-adia.

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