
Em discursos proferidos no Seminário Internacional de Desenvolvimento e na Reunião do Conselho Econômico e Social o Presidente Lula ofereceu sugestões e conselhos à platéia de dirigentes nacionais e estrangeiros para enfrentar a crise econômica que toma conta dos mercados mundiais.
A primeira sugestão, a estatização dos bancos, levaria, segundo o presidente, ao retorno do crédito que secou na crise.
Colocar dinheiro para salvar os bancos não seria correto, os bancos devem ser estatizados no mundo inteiro.
Presume-se que o orador possui dados e fatos que sustentem suas afirmações.
Por maior boa vontade que tenhamos ao buscar tais dados e fatos na história recente e antiga não conseguimos encontrar nenhum suporte para a teoria revolucionária.
Se estivéssemos atentos aos eventos ocorridos no século passado teríamos notado o fracasso total do Estado como gestor da economia, produção industrial e agrícola assim como um prestador de serviços de uma incompetência abissal.
Provas irrefutáveis do fracasso do Estado, quando se afasta das funções básicas de regulamentação das atividades produtivas, promulgação de leis por um congresso eleito democraticamente e garantia da aplicação das leis por uma justiça independente e isenta, estão à disposição dos que conheceram o desempenho de países como a Alemanha Nazista, a Itália Fascista, a Rússia e a China Comunistas.
Outros factóides como o fracasso de François Mitterand ao nacionalizar os bancos franceses e a experiência (aventura) social promovida por Fidel em Cuba, reforçam a inadequação da sugestão Luliana.
A segunda sugestão de substituir as Leis de Mercado por um estado máximo sucessor do estado mínimo não é nova em nosso país.
O congelamento de preços de triste memória patrocinado por um governo excepcionalmente despreparado para entender fundamentos da Teoria Econômica, gerou uma ressaca inflacionária que impediu o crescimento do Brasil por muitos anos. Sarney e Funaro pensavam que jogando fora o termômetro resolveriam o problema da febre.
O aprisionamento da moeda circulante de nosso mercado pelo residente da Casa da Dinda foi uma catástrofe para economia nacional que passou a ser vista como não confiável e ficamos reduzidos a nação de terceira categoria superados pela maioria dos países Latino-Americanos tendo que pagar juros estratosféricos para liquidação de nossos débitos. Nesta época várias empresas privadas pagavam juros menores que o governo.
No bojo desta última sugestão encontramos a afirmação de que o Mercado é o responsável pela crise atual assim como por duas décadas de equívocos e fraudes. Concluindo, elogiou os que resistiram à lógica do mercado defensor do estado mínimo.
Estamos diante de mais um quebrador de termômetro para curar a febre.
O Mercado existe com Estado Máximo, Estado Mínimo, ausência do Estado, equívocos, fraudes, roubos, Governantes Responsáveis, Empresas Honestas, Governantes Corruptos, Empresas Inidôneas.
O Mercado é simplesmente um conjunto de relações entre produtos, preços, agentes econômicos, consumidores, produtores, prestadores de serviço, agentes reguladores etc.
Não é anjo nem demônio. Sustenta o desenvolvimento quando bem regulado e promove catástrofes econômicas quando perde referências e ou a confiança dos consumidores.
Consideremos o Mercado como uma sala de cinema. As pessoas pagam um preço para participarem do entretenimento proporcionado pelo filme. Os espectadores são os investidores do mercado.
Na sala encontramos portas destinadas ao acesso e saída dos espectadores com conforto e rapidez proporcionada por deslocamentos ordeiros e programados.
Encontramos também extintores de incêndio e seguranças para debelarem riscos que ocorrem em toda aglomeração humana.
As portas, os extintores e os seguranças são as normas regulatórias do mercado.
Enquanto as portas atenderem deslocamentos normais, enquanto os extintores forem utilizados para debelar um foco reduzido de combustão e enquanto os seguranças agem prontamente para evitar ou eliminar desavenças na platéia, diz-se que o mercado é estável e as normas suficientes para manter a estabilidade.
Ocorrendo um incêndio de maiores proporções ou uma briga generalizada verificaremos que todos correrão ao mesmo tempo para escapar do recinto e pela insuficiência de portas para atender à platéia (investidores) estaremos diante de uma tragédia (crise financeira).
A atual crise nasceu quando agentes econômicos perderam a referência de nível de risco aceitável pelo mercado. A relação entre capital próprio e valor emprestado (alavancagem) atingiu níveis sem precedente
A crise rapidamente evoluiu para uma debandada geral de investidores (efeito manada).
As instituições financeiras, descapitalizadas e com alavancagem não financiável, quebraram.
Ao contrário do que pensa o Lula, não há solução de crise sem o resgate dos bancos.
Socialistas e Capitalistas sabem que a única alternativa para a recuperação das instituições financeiras é a injeção de recursos do governo.
O que está sendo discutido é como fazer esta transferência.
O governo deve ser credor ou sócio dos bancos?
A solução Lula seria comprar ações. Este caminho certamente aceleraria a recuperação dos bancos, pois otimizaria a volta da confiança dos investidores. O problema é governantes responsáveis temerem as conseqüências do envolvimento de políticos na administração de bancos. Inexperientes em relação a fenômenos como este os americanos poderiam pedir acessoria aos gestores da crise de quebra dos bancos verificada no governo Fernando Henrique.
Naquela época três dos maiores bancos privados brasileiros (Econômico, Nacional e Bamerindus) foram resgatados pela criação do PROER. Os custos foram de R$ 30 bilhões aproximadamente 2,5% do PIB. O resgate se fez necessário, pois a queda da inflação provocou furos nos balanços das instituições que mantinham desvios e falcatruas ocultos pela desvalorização da moeda.
A pronta intervenção do governo reduziu os custos da correção e conteve a propagação da crise. O lado negativo ficou por conta da não apuração de alguns desvios não apropriados pela rapidez da implementação.
Os dirigentes americanos, europeus e japoneses estão hoje, diante do mesmo dilema. Agir rapidamente, reduzindo custos e restringindo a contaminação da crise, correndo o grande risco de não punir os desvios cometidos, ou elaborar um planejamento de ação que preceda qualquer intervenção efetiva provavelmente reduzindo o número de equívocos e evitando a absolvição de culpados por improbidade gerencial.
Infelizmente pela omissão do governo Bush o primeiro alarme de 14 de março, o colapso do Banco Bear Sterns, teve como decisão do governo a intimação do CEO Alan Schwartz para vender sua empresa imediatamente.
O mercado entrou em estado de alerta e, em 15 de setembro, quando o Secretário do Tesouro (Henry M. Paulson Jr.) e o Presidente do Banco Central (Ben Bernanke) praticamente decretaram a falência do Lehman Brothers, o “tsunami” invadiu as praias da economia do mundo inteiro.
Ao contrário do Ministro da Fazenda (Pedro Malan) a dupla, Henry & Ben, perdeu a oportunidade de amortecer consideravelmente a expansão da crise através de nosso mundo globalizado.
Por favor, não venham dizer, como declara o Presidente Lula, que a culpa é do Mercado. Como vocês o sabem não se chama Geni.
A primeira sugestão, a estatização dos bancos, levaria, segundo o presidente, ao retorno do crédito que secou na crise.
Colocar dinheiro para salvar os bancos não seria correto, os bancos devem ser estatizados no mundo inteiro.
Presume-se que o orador possui dados e fatos que sustentem suas afirmações.
Por maior boa vontade que tenhamos ao buscar tais dados e fatos na história recente e antiga não conseguimos encontrar nenhum suporte para a teoria revolucionária.
Se estivéssemos atentos aos eventos ocorridos no século passado teríamos notado o fracasso total do Estado como gestor da economia, produção industrial e agrícola assim como um prestador de serviços de uma incompetência abissal.
Provas irrefutáveis do fracasso do Estado, quando se afasta das funções básicas de regulamentação das atividades produtivas, promulgação de leis por um congresso eleito democraticamente e garantia da aplicação das leis por uma justiça independente e isenta, estão à disposição dos que conheceram o desempenho de países como a Alemanha Nazista, a Itália Fascista, a Rússia e a China Comunistas.
Outros factóides como o fracasso de François Mitterand ao nacionalizar os bancos franceses e a experiência (aventura) social promovida por Fidel em Cuba, reforçam a inadequação da sugestão Luliana.
A segunda sugestão de substituir as Leis de Mercado por um estado máximo sucessor do estado mínimo não é nova em nosso país.
O congelamento de preços de triste memória patrocinado por um governo excepcionalmente despreparado para entender fundamentos da Teoria Econômica, gerou uma ressaca inflacionária que impediu o crescimento do Brasil por muitos anos. Sarney e Funaro pensavam que jogando fora o termômetro resolveriam o problema da febre.
O aprisionamento da moeda circulante de nosso mercado pelo residente da Casa da Dinda foi uma catástrofe para economia nacional que passou a ser vista como não confiável e ficamos reduzidos a nação de terceira categoria superados pela maioria dos países Latino-Americanos tendo que pagar juros estratosféricos para liquidação de nossos débitos. Nesta época várias empresas privadas pagavam juros menores que o governo.
No bojo desta última sugestão encontramos a afirmação de que o Mercado é o responsável pela crise atual assim como por duas décadas de equívocos e fraudes. Concluindo, elogiou os que resistiram à lógica do mercado defensor do estado mínimo.
Estamos diante de mais um quebrador de termômetro para curar a febre.
O Mercado existe com Estado Máximo, Estado Mínimo, ausência do Estado, equívocos, fraudes, roubos, Governantes Responsáveis, Empresas Honestas, Governantes Corruptos, Empresas Inidôneas.
O Mercado é simplesmente um conjunto de relações entre produtos, preços, agentes econômicos, consumidores, produtores, prestadores de serviço, agentes reguladores etc.
Não é anjo nem demônio. Sustenta o desenvolvimento quando bem regulado e promove catástrofes econômicas quando perde referências e ou a confiança dos consumidores.
Consideremos o Mercado como uma sala de cinema. As pessoas pagam um preço para participarem do entretenimento proporcionado pelo filme. Os espectadores são os investidores do mercado.
Na sala encontramos portas destinadas ao acesso e saída dos espectadores com conforto e rapidez proporcionada por deslocamentos ordeiros e programados.
Encontramos também extintores de incêndio e seguranças para debelarem riscos que ocorrem em toda aglomeração humana.
As portas, os extintores e os seguranças são as normas regulatórias do mercado.
Enquanto as portas atenderem deslocamentos normais, enquanto os extintores forem utilizados para debelar um foco reduzido de combustão e enquanto os seguranças agem prontamente para evitar ou eliminar desavenças na platéia, diz-se que o mercado é estável e as normas suficientes para manter a estabilidade.
Ocorrendo um incêndio de maiores proporções ou uma briga generalizada verificaremos que todos correrão ao mesmo tempo para escapar do recinto e pela insuficiência de portas para atender à platéia (investidores) estaremos diante de uma tragédia (crise financeira).
A atual crise nasceu quando agentes econômicos perderam a referência de nível de risco aceitável pelo mercado. A relação entre capital próprio e valor emprestado (alavancagem) atingiu níveis sem precedente
A crise rapidamente evoluiu para uma debandada geral de investidores (efeito manada).
As instituições financeiras, descapitalizadas e com alavancagem não financiável, quebraram.
Ao contrário do que pensa o Lula, não há solução de crise sem o resgate dos bancos.
Socialistas e Capitalistas sabem que a única alternativa para a recuperação das instituições financeiras é a injeção de recursos do governo.
O que está sendo discutido é como fazer esta transferência.
O governo deve ser credor ou sócio dos bancos?
A solução Lula seria comprar ações. Este caminho certamente aceleraria a recuperação dos bancos, pois otimizaria a volta da confiança dos investidores. O problema é governantes responsáveis temerem as conseqüências do envolvimento de políticos na administração de bancos. Inexperientes em relação a fenômenos como este os americanos poderiam pedir acessoria aos gestores da crise de quebra dos bancos verificada no governo Fernando Henrique.
Naquela época três dos maiores bancos privados brasileiros (Econômico, Nacional e Bamerindus) foram resgatados pela criação do PROER. Os custos foram de R$ 30 bilhões aproximadamente 2,5% do PIB. O resgate se fez necessário, pois a queda da inflação provocou furos nos balanços das instituições que mantinham desvios e falcatruas ocultos pela desvalorização da moeda.
A pronta intervenção do governo reduziu os custos da correção e conteve a propagação da crise. O lado negativo ficou por conta da não apuração de alguns desvios não apropriados pela rapidez da implementação.
Os dirigentes americanos, europeus e japoneses estão hoje, diante do mesmo dilema. Agir rapidamente, reduzindo custos e restringindo a contaminação da crise, correndo o grande risco de não punir os desvios cometidos, ou elaborar um planejamento de ação que preceda qualquer intervenção efetiva provavelmente reduzindo o número de equívocos e evitando a absolvição de culpados por improbidade gerencial.
Infelizmente pela omissão do governo Bush o primeiro alarme de 14 de março, o colapso do Banco Bear Sterns, teve como decisão do governo a intimação do CEO Alan Schwartz para vender sua empresa imediatamente.
O mercado entrou em estado de alerta e, em 15 de setembro, quando o Secretário do Tesouro (Henry M. Paulson Jr.) e o Presidente do Banco Central (Ben Bernanke) praticamente decretaram a falência do Lehman Brothers, o “tsunami” invadiu as praias da economia do mundo inteiro.
Ao contrário do Ministro da Fazenda (Pedro Malan) a dupla, Henry & Ben, perdeu a oportunidade de amortecer consideravelmente a expansão da crise através de nosso mundo globalizado.
Por favor, não venham dizer, como declara o Presidente Lula, que a culpa é do Mercado. Como vocês o sabem não se chama Geni.
3 comentários:
Uma aula de historia e economia com explicações claras, precisas e com opinião.
Enfim, há vida inteligente nos blogs.
Ótimo artigo, sem politiquês nem economês. Atrevo-me a dizer que, finalmente, li um texto de um verdadeiro cientista político, expressão tão vilipendiada graças a inúmeros imbecis que escrevem nos jornais e bostejam na TV.
Congratulações.
Nunca na história desse país se viu um governo tão despreparado, tendencioso, obscuro, gastador...
Ótimo artigo, parabéns.
Se Deus existe, vai nos livrar do Ptismo.
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