terça-feira, 17 de março de 2009

Lula em Nova Iorque



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira que o Brasil vai crescer neste ano, mas em taxas reduzidas. Segundo ele, o crescimento será auxiliado pelo governo, que mantém investimentos e estimula o consumo doméstico.
- Nós vamos crescer menos do que gostaríamos em 2009, menos do que poderíamos crescer se não houvesse crise externa. Mas nós cresceremos - disse Lula no seminário para investidores "Brazil Global Partner in a New Economy". Ele está acompanhado dos ministros Guido Mantega (Fazenda), Dilma Rousseff (Casa Civil) e Celso Amorim (Relações Exteriores).
Lula afirmou que o governo vai manter o estímulo "responsável" do consumo doméstico, enquanto realiza os investimentos necessários mesmo com a queda das receitas.
- Eu não vou cortar um centavo dos gastos sociais, nem dos investimentos em infraestrutura - disse, acrescentando que tais medidas vão assegurar uma recuperação rápida da produção industrial e a manutenção dos atuais níveis de emprego.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, falaram no seminário sobre as estratégias brasileiras para enfrentar a crise financeira internacional e destacaram as condições econômicas que, segundo eles, permitirão ao Brasil manter o crescimento em 2009 apesar da recessão global. Mantega também afirmou que o Brasil terá saldo positivo na criação de empregos neste ano.
- O Brasil espera ter saldo positivo na geração de empregos em 2009. Claro que não criaremos um milhão e meio de empregos como em outros anos, mas abriremos vagas - disse ele.
O ministro comemorou a possibilidade de tomar medidas ofensivas num momento em que, em outras crises, a prática era se defender.
- Em outros momentos de crise, precisávamos subir juros para conter a saída de capitais, o que aumentava a dívida e baixava investimento e emprego. Hoje, não precisamos fazer isso. Estamos em condições de tomar medidas anticíclicas: baixar juros, aumentar crédito e baixar tributos e subir investimentos públicos.
Já o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, destacou a solidez das contas brasileiras, em especial o volume de reservas internacionais.
Em entrevista ao jornal Wall Street Journal (WSJ), que promove o seminário junto com o jornal "Valor Online", o presidente afirmou que restabelecer o fluxo de crédito e reativar o comércio são os maiores desafios da economia mundial atualmente. Segundo reportagem do Wall Street Journal, Lula enfatizou na entrevista a urgência de resolver os problemas decorrentes da crise financeira e econômica que afeta o mundo.
- Temos um problema no mundo chamado crédito - disse Lula. - Precisamos restaurar o seu fluxo para reativar o comércio mundial.
Ainda segundo o jornal americano, o presidente brasileiro disse que os governos do G-20, que reúne as 20 maiores economias do mundo, estão estudando formas de reforçar o Fundo Monetário Internacional para que a instituição multilateral possa ajudar os países diretamente.
- Mas temos também de resolver as questões de confiança, e não sei como podemos restaurar a confiança até que possamos fazer alguma coisa em relação aos bancos - disse ele.
Lula referiu-se às desgraças do setor bancário nos EUA e em outras nações desenvolvidas e disse ao WSJ que o encontro do G-20 em Londres, no dia 2 de abril, deve chegar a uma solução para o problema. O presidente afirmou que a falta de ação poderá resultar no mesmo que aconteceu com o Japão na década de 1990, quando o país levou um longo período para resolver os problemas em seu sistema bancário, perpetuando uma crise econômica à qual se seguiu o estouro da bolha no mercado imobiliário.
Lula disse também aos jornalistas que a classe média é quem mais está sofrendo com esta crise financeira atual.
- Eles ganharam mais durante os anos de crescimento, os seus níveis de vida têm melhorado, eles também alcançaram direitos políticos e são os mais vulneráveis a perder o terreno conquistado.
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Ivanildo quer saber:
- Chefe, perguntar não ofende... Por que que Dona Dilma também foi ? Ah, já sei... campanha para 2010, afinal há muitos eleitores brasileiros em Nova Iorque.

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