segunda-feira, 16 de março de 2009

Hamlet com Sotaque Baiano



As roupas são atuais, a tradução é mais fluente, Hamlet salta e faz piruetas, há referências contemporâneas e um ator filma cenas e projeta as imagens num telão ao fundo, mas não venha falar na palavra "modernização" perto do diretor Aderbal Freire-Filho.
- A primeira pessoa a colocar roupas modernas deve ter sido nos anos 40 - ironiza. - Já vi peça com roupa de hoje, mas atores representando com uma impostação do século XIX, declamando.
Não é o caso de sua versão de "Hamlet", que estreiou nesta sexta-feira (13.03), no Oi Casa Grande, com um elenco encabeçado pelo ator Wagner Moura. (foto) O espetáculo chega ao Rio depois de ser visto por 40 mil espectadores, em oito meses de temporada em São Paulo.
São três horas de peça, com um intervalo de 15 minutos. Os cinco atos originais foram reduzidos a dois, como anuncia Moura logo no começo da montagem. Ele entra em cena, diz isso e dá os avisos de praxe (não fumar, desligar celulares). Logo depois, dois atores ajudam-no a vestir uma armadura e imediatamente ele se torna o fantasma do rei, no Castelo de Elsinore, na Dinamarca. Moura interpreta o príncipe Hamlet e o fantasma de seu pai, o rei Hamlet.
- Achei que era mais interessante mostrar Hamlet se transformando no velho Hamlet - diz Freire-Filho. - Fazer essa ascendência. Uso o mesmo ator para mostrar isso.
Com relação à tradução, ele diz que não é coloquial, e sim poética, sem ser rebuscada. Freire-Filho afirma que muita gente dá um tratamento indevidamente respeitoso às palavras do autor, como se tivessem sido gravadas em bronze e fosse preciso conferir a elas uma solenidade.
- Considero nossa tradução (feita por ele, por Wagner Moura e por Barbara Harrington) fidelíssima a Shakespeare. Ela é comunicativa. Onde outras botavam "ide", pusemos "vá". Afinal, no original é "go".
A montagem traz novidades, e o elenco traz vários nomes conhecidos. Os personagens têm aspectos brasileiros, como as demonstrações afetivas. Um recurso usado com frequência na peça é o vídeo. Como na primeira aparição de Moura como Hamlet, em que o rei Claudio celebra suas bodas.
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- Chefe eu queria saber... é "to be or not to be" o quê ?

2 comentários:

Anônimo disse...

Adaptar a obra de um gênio é uma tarefa hercúlea.
A nova obra se propõe a dar um novo enfoque ou acrescentar algo ao trabalho original.
Simplesmente pegar carona na notoriedade de uma peça com intuito de atrair um grande público e evidenciar o nome do novo artista é desonesto.
Mesmo sendo aplaudida, as vezes, por um público não familiarizado com a obra original, esta desonestidade castiga o artista que ao invés de desenvolver suas próprias obras, ganha notoriedade por suas ações parasitárias.
Em tempo,não se pode complementar um produto acabado.

Rafael Kafka disse...

Hamlet sapateando?As pessoas rindo?Hamlet é uma tragédia, pelo amor de DEUS, não é para rir, é para refletir sobre o lado obscuro da alma, sobre o tênue limite entre amor e ódio, vida e morte!

Concordo, integralmente, com o que o Senhor Del Castillo afirma, as pessoas não conhecem a obra original e aplaudem como focas!