quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Em reunião do PT, Genoino anuncia demissão do governo


Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes - disse com a voz embargada e as mão trêmulas


SÃO PAULO - O ex-presidente do PT, José Genoino, anunciou nesta quarta-feira sua demissão do cargo de assessor especial do Ministério da Defesa. Genoino, condenado nesta terça-feira no julgamento do mensalão, leu para a imprensa a carta que apresentará em instantes na reunião do diretório nacional do PT, em São Paulo.
José Dirceu chegou à reunião no início da tarde e agradeceu o apoio do partido, mas disse que “este não é o momento para se falar do julgamento e sim para tratar do 2º turno das eleições."- Retiro-me do governo com a consciência dos inocentes - disse Genoino, com a voz embargada e as mão muito trêmulas.
- Vamos deixar para falar do julgamento depois das eleições - disse Dirceu.
Na carta de demissão, Genoino diz que está indignado.
- Uma injustiça monumental foi cometida. A Corte errou. A Corte foi sobretudo injusta. Condenou um inocente. Condenou-me sem provas – disse o petista, para complementar em seguida:
- Sem provas para me condenar, basearam-se nas circunstâncias de antigo presidente do PT. Isso é o suficiente. É o suficiente para fazerem tábula rasa de toda uma vida dedicada com grande sacrifício pessoal à causa da democracia e a um projeto político que vem libertando o Brasil da desigualdade e da injustiça.
No texto lido para a imprensa, Genoino disse que pouco “importa” se não houve compra de votos. E chamou de tirania da “hipótese pré-estabelecida” as teses que o condenaram:
- Este julgamento ocorre em meio a uma diuturna e sistemática campanha de ódio contra o meu partido e contra um projeto que incomoda setores reacionários, incrustados em parcelas dos meios de comunicação, do sistema de justiça e das forças que nunca aceitaram a nossa vitória – disse.
O ex-presidente do PT disse que a condenação é a “criminalização da política”
- Como esperar um julgamento sereno no momento em que os juízes são pautados por comentaristas políticos.
Depois de ler seu discurso, o petista foi ovacionado pelos correligionários presentes que o saudaram com o canto de “Genoíno guerreiro do povo brasileiro”.
A reunião do diretório nacional do PT deve se transformar em ato de apoio a Genoino e a José Dirceu. Já estão presentes o presidente nacional do PT, Rui Falcão, o senador Humberto Costa, derrotada nas eleições municipais do Recife, o ex-prefeito da capital pernambucana João da Costa, e o ex-governador do Mato Grosso do Sul, Zeca do PT.


Jornais estrangeiros consideram condenação de Dirceu avanço da Justiça no Brasil



E chamam atenção para a proximidade dos condenados com o ex-presidente Lula



‘NYT’ acredita que julgamento pode mudar cenário de impunidade em casos de corrupção no Brasil
Foto: Reprodução
‘NYT’ acredita que julgamento pode mudar cenário de impunidade em casos de corrupção no BrasilREPRODUÇÃO
RIO - A condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e do ex-presidente do PT José Genoino na terça-feira reverberou na imprensa internacional. Jornais do mundo inteiro noticiaram nesta quarta-feira a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). As publicações chamaram atenção para a proximidade dos condenados com o ex-presidente Lula e afirmaram que a condenação pode abrir um precedente no julgamento de casos de corrupção no país.
Para o “New York Times”, o julgamento do mensalão “dá esperança ao sistema judiciário brasileiro”. De acordo com o correspondente do jornal no Rio de Janeiro, Simon Romero, a possibilidade de que políticos proeminentes e banqueiros possam ir para a cadeia após o julgamento pode mudar a máxima fatalista de que, no Brasil, “a polícia prende e a justiça solta”.
O NYT ainda classifica o mensalão como “provavelmente o maior escândalo de corrupção do Brasil”. Romero diz que “o julgamento(...), ao mirar em congressistas, membros do partido da situação e funcionários que trabalharam diretamente com um dos presidentes mais populares do país, aponta um raro avanço na responsabilidade política e se torna um marco de independência do sistema jurídico”.
Na Espanha, o “El País” destacou a condenação do ex-ministro José Dirceu, descrito como “o segundo político mais poderoso do país, depois de Lula”. O correspondente da publicação no Rio, Juan Arias, classificou o caso de Dirceu como o mais difícil de ser julgado, “já que as provas contra ele não eram tão evidentes quanto a dos outros acusados”.
A reportagem ressaltou que a condenação de Dirceu foi consumada por um Supremo em que, dos 11 magistrados, oito foram designados por Lula e Dilma Rousseff. Segundo o correspondente, esse fato significaria que “esta não foi uma condenação levada a cabo pelas filas da oposição, e sim por magistrados amigos de Lula”.
O argentino “La Nácion” comparou a decisão do STF com uma final de Copa do Mundo, diante da atenção dada pelos brasileiros ao evento. A reportagem do repórter baseado no Rio Alberto Amendariz traça um histórico do caso e diz que o escândalo fez o ex-presidente Lula “cambalear” no poder em 2005. O jornal também lembra que “o julgamento acontece em um contexto muito delicado para o PT, já que no domingo foram realizadas eleições municipais”.
O texto faz uma ressalva, no entanto, ao dizer que “a presidente Dilma Rousseff, sucessora política de Lula, vem mostrando baixa tolerância a casos de corrupção em seu governo”. Da mesma forma que o NYT, o “La Nácion” também acredita que a decisão do STF sobre o mensalão sinaliza uma mudança na postura do judiciário brasileiro diante de casos de corrupção.
“De qualquer maneira, o julgamento estabelecerá um novo paradigma anticorrupção no Brasil, não apenas pelo alto nível dos acusados, mas também pela forma em que os juízes do Supremo Tribunal Federal tomaram as suas decisões, com a aceitação de ‘provas indiretas’ e do conceito de responsabilidade política”, analisa a publicação.


Decano, Celso de Mello julgará ex-companheiro de pensão


Ministro e Dirceu viveram na mesma república, alvo de batidas do Dops nos anos 60



Ministro Celso de Mello
Foto: Agência O Globo / André Coelho
Ministro Celso de MelloAGÊNCIA O GLOBO / ANDRÉ COELHO
BRASÍLIA — Em julho, o estelionatário Sérgio Augusto Coimbra Vial foi preso mais uma vez pela polícia carioca. Não aproveitou a oportunidade que lhe dera o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), que há cinco anos, em habeas corpus do qual se orgulha, anulou sentença que condenara Vial a dez anos de prisão por clonar cartões de crédito. O ministro sustentou que as provas foram obtidas ilegalmente porque os agentes entraram à força no apartamento onde Vial se hospedava, na Zona Sul do Rio, para colher uma máquina de clonagem, chamada de chupa-cabra, sem autorização judicial.
Para chegar à conclusão de que a prova era ilícita por violação de domicílio, protegido pelo artigo 5º da Constituição, Mello se inspirou no conturbado ano de 1968, quando era estudante e morava na Pensão do Abelardo, na Rua Condessa São Joaquim, no Bexiga (SP). Até hoje, o ministro se lembra da tensão que sofria quando a república era invadida por agentes do Dops atrás de agitadores do movimento estudantil. Se Mello não teve o quarto invadido, embora tenha sido obrigado a permanecer de pé, tenso, até o fim da batida, um vizinho não teve a mesma sorte. José Dirceu, outro hospede de Abelardo, já fazia parte da lista negra da repressão.
O destino voltaria a confrontá-lo com a trajetória de Zé Dirceu. Passados 44 anos, Mello é um dos dez juízes com o poder de levar para a prisão o ex-vizinho, acusado de corrupção ativa e formação de quadrilha. Ele foi um dos responsáveis para que esse julgamento acontecesse, ao votar em 2007 pelo acolhimento da denúncia.
Quatro meses mais velho do que Dirceu, Mello chegou à pensão em 1964 após uma temporada de estudos nos Estados Unidos. De uma família de Tatuí (a 131 quilômetros da capital), mudou-se para São Paulo aos 18 anos e se inscreveu no cursinho Toloza, na Rua São Bento, porque queria entrar para a Faculdade de Direito da USP. Seu projeto não diferia dos sonhos de Dirceu, que chegara pouco antes, também do interior (a mineira Passa-Quatro), queria estudar Direito e também se abrigara no Abelardo.
Mello, que passaria cinco anos na pensão, descreve o quatro, dividido com outro hóspede, como “um cubículo com dois catres”. Dirceu e Mello viviam em alas diferentes e se conheceram nas salas do cursinho Toloza. O futuro presidente do PT trabalhava como office-boy.
— Naquele mesmo dia, nos encontramos na pensão e conversamos — recorda-se Mello.
As vidas deles seguiriam rumos distintos em 1965, quando Mello ingressou na USP e Dirceu, na PUC-SP. O futuro ministro priorizava os estudos, e o vizinho de pensão, a carreira de líder estudantil. O calor das ruas logo bateria à porte do Abelardo. No livro “O que fizemos de nós”, que complementa a obra “1968: o ano que não terminou”, de Zuenir Ventura, Mello descreveu o trauma causado pelas visitas noturnas dos agentes do Dops. Mesmo tendo passado ao largo das agitações, ele contou que extraiu uma “dura lição’: "Uma Constituição sob uma ordem autocrática não vale absolutamente nada. A polícia e os organismos militares detinham poderes totais sobre os indivíduos”.
Em 1969, enquanto Mello diplomava-se, Dirceu ia para o exílio no México, em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Elbrick. Para Mello, o regime militar representou muito mais do que o conceito abstrato, meramente teórico, estudado nos livros de História e de ciência política: “Enfrentamos uma época realmente dura, em que pessoas eram arbitrariamente privadas de seus direitos”, relatou a Zuenir. Tal experiência alavancou a vocação de Mello pela preservação dos princípios constitucionais, como o direito a um julgamento justo, valor agora em jogo no julgamento do ex-vizinho dos temos duros do Abelardo. (Chico Otavio)


Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Fortalecido, PSB vira o partido mais cobiçado para...": 
Eduardo Campos novo astro da constelação política aumentará sua área de influência á medida que o mensalão do PSDB desgaste a imagem de seu principal concorrente Aécio o mineiro. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Kaka na Seleção": 
A volta de KAKA é o exemplo vivo de que a competência não basta para consagrar alguém em seu ofício.
Os cabeças de bagre que ocuparam seu posto provam que o imponderável (contusões) e fenômenos aleatórios criam novos ídolos de pé de barro.
Atenção! Estou falando de Kaka e não do líder oculto colocado em xeque pela condenação dos contraventores do Mensalão. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Supremo condena José Dirceu e Genoino por corrupçã...": 
Neste dia de festa todos os brasileiros devem brindar a atitude heroica do STF ao determinar que a tentativa de golpe urdida pelos poderes executivo e legislativo é crime e que a defesa anti-ética dos réus não reflete os princípios morais da cidadania brasileira. 

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Supremo condena José Dirceu e Genoino por corrupçã...": 
Palmas para a Ministra Carmen Lúcia que teve peito (sem trocadilho) de falar o que ninguém havia dito: caixa dois é crime!
Se a Receita Federal flagra prática de caixa dois por qualquer empresário não adianta alegar que "é normal".
Dá multa e/ou cadeia, e que esses cidadãos respondam à lei como todos nós outros. Afinal perante ela todos são iguais(presumidamente né?!). 


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Supremo condena José Dirceu e Genoino por corrupçã...":
Alberto
Brilhante comentário. 


Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Supremo condena José Dirceu e Genoino por corrupçã...": 
Agora que foram condenados se foi das suas faces o desdém, a empáfia, a arrogância. Tentam manter as cabeças erguidas mas o olhar acuado os traí.
Patéticamente apelam para sua história pessoal de militância nos tempos da ditadura, como se tal bagagem os eximisse de culpa, ou os elevasse acima da lei.
Caiu o pano. Agora que sejam impostas penas de RECLUSÃO para TODOS os facínoras condenados.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Supremo condena José Dirceu e Genoino por corrupção ativa


Placar está 6 X 2 contra ex-ministro da Casa Civil. Corte já condena Delúbio Soares



Em São Paulo, ex-ministro José Dirceu chega para votar
Foto: Agência O Globo / Michel Filho
Em São Paulo, ex-ministro José Dirceu chega para votarAGÊNCIA O GLOBO / MICHEL FILHO
RIO - O ministro Marco Aurélio proferiu, nesta terça-feira, o voto que faltava para a condenação do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu por corrupção ativa. No 33º dia de julgamento do mensalão, a partir da sua decisão, foi formada a maioria de 6 a 2 pela condenação - ainda faltam votar os ministros Celso de Mello e o presidente do Supremo, Carlos Ayres Britto. Na mesma sessão, também foram condenados o ex-presidente do PT, José Genoino (placar, por enquanto, de 7 a 1), e o ex-tesoureiro do partido, Delúbio Soares ( placar de 8 a 0), pelo mesmo crime.
Só absolveram Dirceu, até aqui, José Antonio Dias Toffoli e o revisor, Ricardo Lewandowski. Marco Aurélio, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Toffoli acompanharam Joaquim Barbosa na condenação de Genoino, Delúbio, Marcos Valério, Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Simone Vasconcelos. Rogério Tolentino foi absolvidos por Toffoli, assim como havia feito apenas o revisor. Anderson Adauto foi absolvido por todos. Geiza Dias foi condenada por Marco Aurélio, mas absolvida pelos que já votaram até aqui (VEJA COMO FOI O 33º DIA DE JULGAMENTO DO MENSALÃO).
— Tivesse Delúbio Soares a desenvoltura intelectual e material a ele atribuída, não seria somente tesoureiro do partido. Quem sabe teria chegado a um cargo muito maior. Apontar Delúbio como bode expiatório como se tivesse autonomia suficiente para levantar R$ 60 milhões - já não sei mais a quantia e distribuir esses milhões - ele próprio definindo os destinatários, sem conhecimento da cúpula do PT? A conclusão subestima a inteligência mediana.Marco Aurélio começou a votar argumentando que não é concebível a tese de que Delúbio Soares fosse o grande artífice do esquema do mensalão. O ministro deixou claro que o Dirceu era responsável pelas alianças no Congresso, e que tinha participação efetiva na organização criminosa.
Marco Aurélio continuou:
— As reuniões eram todas capitaneadas por José Dirceu, que homologava os acordos daquele partido, acordos que vimos e já estamos aqui com a culpa formada da corrupção ativa, acordos que extravasaram e muito os acordos políticos, já que não se pode imaginar partidos altruístas que se socorram com cifras elevadas.
O ministro também considerou relevante os encontros de José Dirceu que constam dos autos do processo.
— O ministro José Dirceu e Sílvio Pereira eram sabedores desses empréstimos e garantiram o pagamento (às empresas de Marcos Valério e depois repassados segundo o critério do PT). Para a obtenção dos mesmos com Banco Rural, a reunião ocorreu num hotel em BH, num jantar, e com o BMG ocorreu em Brasília.
Marco Aurélio também citou as vantagens recebidas pela ex-mulher de José Dirceu.
— Indagado sobre o empréstimo, a ex-esposa de Valério confirmou que houve o empréstimo e que houve a oferta de um emprego. (...) Sílvio Pereira foi mobilizado para ajudar num problema pessoal de José Dirceu com sua ex-esposa, que queria trocar de apartamento. Este advogado (Rogério Tolentino) resolvia todos os problemas do grupo. Tolentino comprou o apartamento da senhora Ângela e que pagou à vista.
Gilmar Mendes: provas abundantes
Gilmar Mendes, antes de Marco Aurélio, começou seu voto relembrando a constatação da Corte sobre a existência da compra de apoio político no Congresso. Depois, começou a tratar das provas.
— Entre os poucos consensos nos autos destaco que a efetiva aproximação do PT ao PP, ao PMDB, ao PL e ao PTB a fim de formar a base de sustentação do governo. O conteúdo desta acusação é sobre o compartilhamento de despesas de campanha, já rechaçadas pela Corte. Em verdade, há consenso na existência de acordo político e no repasse de recursos financeiros. Surge para o debate a questão da prova.
Segundo ele, as provas dos autos são abundantes e, na sua análise, os tipos de provas não podem ser hierarquizados:
— A despeito das questões teóricas, é preciso destacar que foram produzidos vários autos e o processo é abundante de provas e é a qualidade da prova que interessa ao processo (...) O valor do testemunho não pode ser hierarquizado segundo o grau da autoridade. O valor do testemunho eve ser auferido segundo sua ingerência interna e externa. Deve-se observar certa persistência. A mentira traz notáveis diferenças em seus depoimentos. Importante ainda observar o valor da pergunta e sua resposta e outro aspecto relevante é o interesse pessoal do depoente.
Diferentemente do ministro José Antonio Dias Toffoli, o primeiro a falar nesta terça-feira, Mendes considerou válido o depoimento de Roberto Jefferson, mesmo ele sendo inimigo de Dirceu
— As afirmações de Jefferson foram sempre reveladores e trouxeram á tona esse escândalo para o país.
O ministro disse ainda que a argumentação de que Delúbio teria agido sozinho é “menosprezar a inteligência alheia”.
— É possível que Dirceu e Genoíno não participavam dos repasses, o que era administrado por Delúbio e Valério? Me parece menosprezar a inteligência alheia o fato de que eles participaram da elaboração das articulações. Não se imputa ao acusado fatos ordinários, os fatos fazem parte de projetos de partido e governo. Não são um mero deslize do tesoureiro. Tenho dificuldade de acreditar na participação solo de Delúbio.
Cármen Lúcia: ‘O ilícito não é normal’
Em seu voto, Cármen Lúcia fez uma defesa do Estado democrático de Direito, e considerou grave o tom das defesas dos réus no plenário do Supremo:
— O ilícito não é normal. Acho estranho e grave que uma pessoa diga 'houve caixa dois'. Ora, caixa dois é crime, é uma agressão à sociedade brasileira.
Cármen Lúcia admitiu que não há nenhum documento assinado por José Dirceu que leve à comprovação das acusações que lhe são atribuídas. Entretanto, a partir de outros fatos, como o depoimento de Delúbio Soares, a ministra formou o convencimento de que o réu praticou o crime de corrupção ativa.
— A ligação de Marcos Valério com Dirceu fica comprovada, e as ligações de Valério com os demais faz com que eu considere que houve oferta de vantagem, porque um publicitário mineiro desconhecido... Não era razoável que ele contasse apenas com a palavra de um secretário, razão pela qual eu não tenho como descaracterizar tudo que houve, como, sim, a vantagem obtida pelo réu José Dirceu. Voto pela procedência da ação e condeno o réu.
Toffoli absolve Dirceu
O ministro Dias Toffoli, primeiro a se pronunciar no regime de votação, votou pela absolvição do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu no crime de corrupção ativa. Segundo o ministro, a acusação do Ministério Público poderia ter indicado outros crimes — como tráfico de influência — e, por entender que não há provas suficientes para condenação, livrou o réu:
— O único que fez referência a Dirceu foi Jefferson. Todos falaram e falaram muito. Hoje mesmo quando analisei os depoimentos de vários corréus, esses que falaram tanto em CPI quanto em Polícia Federal. O que dizem de Dirceu? Nada que o incrimine. Em relação ao delito corrupção ativa, julgo improcedente a ação. — disse Dias Toffoli, que também absolveu Rogério Tolentino, Anderson Adauto e Geiza Dias da mesma acusação.
Toffoli condenou Delúbio, Genoino, Marcos Valério, Cristiano Paz, Ramon Hollerbach e Simone Vasconcelos pelo crime de corrupção ativa. Segundo o ministro, Delúbio era o elo de ligação entre os núcleos político e operacional, e tinha papel importante no esquema de compra de votos no Congresso:
— As provas não apresentam dúvida na prática em relação aos delitos em questão, corrupção ativa. Está claro o elo de ligação entre o núcleo político e o núcleo financeiro — afirmou Toffoli, que também argumentou que Marcos Valério comprovou em depoimento o repasse de dinheiro a pedido dos dirigentes do Partido dos Trabalhadores.
— Temos a declaração do próprio acusado que admitiu os repasses por ordem do PT, a de Simone Vasconcelos, que admitiu ter feito as entregas, e de Pedro Henry e Pedro Corrêa, que admitiram os repasses.
Com relação a Genoino, após ler depoimentos de deputados e líderes da base aliada ao governo na época, Dias Toffoli foi enfático:
— Entendo que está desprovida de verossimilhança a tese da defesa que ele desconhecesse o fato. Senão, por que avalizaria os repasses? Se desconhecesse, como justificar as cobranças dos líderes dos partidos a ele? — questionou.
Antes do reinício da votação, o revisor Ricardo Lewandowski pediu a palavra para rebater argumentos citados por colegas para condenar o réu José Genoino. Segundo Lewandowski, não haveria nenhum documento conjunto de Marcos Valério e Genoino avalizando empréstimos bancários.
— Genoino está sendo denunciado pelo simples fato de ter sido presidente do PT na época.
O revisor foi apartado por Marco Aurélio Melo e pelo presidente Ayres Britto.
— O empréstimo era institucional, daí Genoíno assinar como representante do partido. Nas renovações dos empréstimos me parece que Genoíno ficou como avalista — retrucou Ayres Britto.
Após condenação, dosimetria
Com a condenação do chamado núcleo político do esquema — integrado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e o ex-presidente do partido José Genoino —, os ministros do Supremo vão precisar decidir como calcular a pena dos réus. A proposta do Ministério Público Federal é de que Dirceu e Delúbio sejam condenados pela prática de corrupção ativa por nove vezes em concurso material. De acordo com a regra, soma-se nove condenações — o que poderia levar os dois a pegar até 108 anos de prisão. A denúncia atribui a Genoino a prática do crime por oito vezes, o que poderia resultar em 96 anos de prisão.
No entanto, a legislação contém outras duas formas de calcular a pena: o concurso formal e o crime continuado. Nesses casos, os ministros atribuiriam a pena aos réus como se o crime tivesse sido praticado apenas uma vez. No concurso formal, essa pena poderia ser aumentada de um sexto até a metade, fazendo com que a pena pudesse chegar a 18 anos de prisão para Dirceu, Delúbio e Genoino. No crime continuado, a pena poderia ser aumentada de um sexto a dois terços, o que poderia resultar em 20 anos de prisão para cada um dos três réus.
Caberá aos ministros da Corte decidir como fazer a conta. A chamada dosimetria da pena ocorrerá após o julgamento de todos os réus. Os ministros que votaram até agora não se manifestaram sobre a forma de calcular a pena. A regra do concurso material considera que os crimes cometidos pelos réus são únicos e independentes. A regra do concurso formal aplica-se quando o réu comete dois crimes com uma só ação. De acordo com a norma do crime continuado, com mais de uma ação um réu pode praticar dois ou mais crimes da mesma espécie.

Fortalecido, PSB vira o partido mais cobiçado para 2014


Antigo satélite do PT, partido cresce, planeja voo próprio e vira alvo da cobiça do PSDB



Geraldo Julio (PSB) chega no local da votação acompanhado pelo governador Eduardo Campos e o escritor Ariano Suassuna
Foto: Hans von Manteuffel / O Globo
Geraldo Julio (PSB) chega no local da votação acompanhado pelo governador Eduardo Campos e o escritor Ariano SuassunaHANS VON MANTEUFFEL / O GLOBO
BRASÍLIA — Entre os partidos médios e grandes, o PSB foi a legenda que obteve maior crescimento na disputa pelas prefeituras nas eleições de domingo, tornando-se, a partir de agora, um dos mais cortejados e cobiçados por forças políticas governistas e de oposição. Partido considerado satélite do PT no cenário nacional, o PSB ganhou espaço na última década, registrando, no período, um aumento no número de prefeituras. Elegeu 133 prefeitos em 2000 e, agora, mais do que triplicou, chegando a 433. Em 2008, foram 310 prefeitos, uma variação de quase 40% em quatro anos.
O PT também teve performance positiva: saltou de 554 para 625 prefeitos eleitos, num aumento de 13%. PSB e PT foram os únicos, no universo de grandes e médios partidos, que cresceram entre 2008 e 2012. O PMDB continua absoluto com o maior número de prefeitos, 1.018, mas diminuiu 15% nos últimos quatro anos e amarga derrotas seguidas desde a década passada.
O PSDB, o segundo em número de administrações municipais, com 693 vitoriosos, também vem caindo nessa tabela. Há quatro anos elegeu 789 prefeitos. O grande derrotado foi o DEM, em queda livre nas últimas eleições. O partido ganhou 492 cidades há quatro anos e, a partir de janeiro de 2013, comandará só 276 municípios, uma variação negativa de 44%. O maior favorecido com o definhamento do DEM é o novo PSD, que elegeu 493 prefeitos em suas primeiras eleições, ficando com o quarto maior número de municípios.
Peça-chave na sucessão presidencial de 2014, o PSB tanto pode continuar ao lado do PT e apoiar a reeleição de Dilma Rousseff quanto se aliar aos tucanos e compor com o senador Aécio Neves, o provável candidato do PSDB. Mas, nesse ritmo de crescimento, o PSB vislumbra chegar em 2018 com reais chances de conquistar a Presidência da República. Seja como opção a um possível esgotamento do PT ou com um aliado petista, mas cabeça de chapa.
DEM envelhece, PMDB se reinventa
O cientista político Leonardo Barreto, da Universidade de Brasília (UnB), reconhece a força do PSB, mas não acredita ser vantajoso trocar os petistas pelos tucanos:
— O sonho do Aécio Neves é exatamente ter o PSB como companheiro de chapa, de preferência tendo Eduardo Campos como seu vice. O problema dessa situação é o fato de que o PSB não lucra nada com isso. Enfim, ele sairia de uma posição de partido satélite do PT, que tem popularidade, que tem recursos, para ser um partido satélite do PSDB, que tem dificuldades. Estrategicamente, eu não vejo vantagem para o PSB fazer esse tipo de escolha. Pode ser que, daqui a dois anos, a situação esteja diferente — ponderou Barreto.
Ricardo Caldas, também da UnB, enaltece o desempenho do PSB e enxerga um futuro promissor para a legenda, em especial para seu principal líder, Eduardo Campos:
— O PSB ganhou em Belo Horizonte e em Recife. Cacifou o governador de Pernambuco para ser candidato a presidente ou a vice.
— O PT tem por objetivo manter o PSB dentro de sua órbita. E, se ele identificar que Eduardo Campos é realmente um adversário a ser neutralizado, talvez uma opção de fazer isso é tê-lo na vice-presidência em 2014. Seria interessante identificar o tipo de disputa que haveria entre PMDB e PSB para ocupar essa vaga. Talvez esse seja o maior problema que o PSB pode trazer ao PMDB no horizonte de dois anos — completou Leonardo Barreto.
Os números do TSE mostram ainda que PMDB, PP, PTB e PR, juntos, perderam 500 prefeitos em relação a 2008. Mas o PMDB ainda é considerado forte.
— O PMDB continua o maior partido do Brasil. Eu diria que Eduardo Paes deu cara nova ao PMDB no Rio e, se esse modelo for adotado, o PMDB pode se rejuvenescer. Enquanto o DEM envelhece, o PMDB está encontrando formas de se reinventar — afirma Caldas.


Kaka na Seleção


Meia estava desde a eliminação na Copa de 2010 longe da ‘amarelinha’



Kaká faz exercício físico em seu primeiro dia de volta à seleção brasileira
Foto: CBF / Divulgação
Kaká faz exercício físico em seu primeiro dia de volta à seleção brasileiraCBF / DIVULGAÇÃO

- É preciso ter calma. Não dá para pensar em Copa do Mundo agora num momento em que estou voltando, depois de dois anos e meio longe da seleção. Mas é um recomeço e estou feliz por voltar - afirmou o jogador em Wroclaw, cidade polonesa onde o Brasil ficará concentrado para seus dois amistosos na Europa, contra o Iraque, dia 11, em Malmö, na Suécia, e contra o Japão, dia 16, lá mesmo, na Polônia.RIO - No primeiro dia de seu retorno à seleção brasileira, Kaká fez exercícios na academia e foi bem mais eloquente ao comentar a fase atual de sua vida do que quando foi instigado a falar do futuro.
Sobre o momento atual, de retorno também ao time do Real Madrid, e o fim das lesões que tanto o atormentaram, Kaká ficou mais à vontade para analisar:
- Sinto-me bem fisicamente e tecnicamente. Não tenho lesão há quase um ano, venho treinando bem e conseguindo mais oportunidades no Real - disse o meia, que atuou por dez minutos no empate com o Barcelona em 2 a 2 no domingo, depois de jogar á maior parte do tempo no amistoso contra o Millionarios, da Colômbia, e marcar três gols na goleada por 8 a 0.
Kaká também apareceu - e bem - na vitória por 4 a 1 sobre o Ajax, pela Liga dos Campeoões da Europa, quando teve atuação destacada, com passes precisos e velocidade.
- Estou chegando para dividir a responsabilidade. A seleção está com jogadores novos, mas que já têm um peso forte. O grupo tem potencial para ser vencedor - observou.
A seleção brasileira se apresentou nesta segunda-feira em Wroclaw. O primeiro treino na cidade, local do segundo amistoso, será terça-feira, ao meio-dia, horário de Brasília. Na quarta-feira o trabalho será às 5h (sempre de Brasília). No mesmo dia, às 14h, em voo fretado, a delegação brasileira viaja para Malmö, com chegada prevista para 15h20m.
No dia 11 de outubro, após a partida contra o Iraque, a seleção volta a Wroclaw. Nos dias 13 e 14, o treino é de novo no Wroclawski Klub Sportowy. Na véspera do jogo contra o Japão, no dia 15, o trabalho será no Estádio Miejski, local do jogo. No dia 16, logo depois do amistoso com o Japão, a delegação volta ao Brasil. A chegada a São Paulo está prevista para 5h20 do dia 17, quarta-feira.


Comentários dos Leitores

c deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Avenida Brasil": 
Nessas alturas não creio que seja um final feliz pra qualquer um se mudar pra Argentina! 

Clara deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O bode expiatório - Paulo Guedes": 
Pelo olhar dele que se vê nas fotos, de soslaio como que se escondendo daquilo que todos sabem, o julgamento das suas ações começa na sua própria mente. Mas, com as vantagens que deve estar levando (sem trocadilho), vai ser fácil deitar a cabeça no travesseiro. Bobos somos nós que acreditamos que os justos prevalecerão e os ímpios serão punidos. 

carlos eduardo alves de souza deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O bode expiatório - Paulo Guedes": 
Bom o comentário de Paulo Guedes que, ao menos desta vez, desceu do Olimpo para se aproximar de seus leitores - e o fez bastante bem. De fato, esse sinistro "Levagranosky", como há quem assim o chame, excedeu-se no cumprimento do dever que Lula lhe impôs. Com isto, sai do episódio mais que chamuscado e terá uma fímbria de chance de reabilitar-se quando se der o julgamento do mensalao do PSDB mineiro.Ali ele deverá mostrar seu zelo por provas materiais, reais e absolutamente conclusivas para condenar ou, na sua falta, absolver - como fez com Dirceu e Genuino - o lado político daquele escândalo. Enquanto isto aprenderá a viver escondido, medroso e envergonhado do sinistro papel a que o obrigou Lula. 

Anônimo deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O bode expiatório - Paulo Guedes": 
Não esperava nada diferente deste fariseu, sempre à serviço de seu mestre de nove dedos.
Oxalá os outros magistrados façam valer as leis, a justiça e o bom senso e condenem os canalhas Dirceu, Genoíno e Delúbio.
A pergunta que não quer calar é se algum destes Srs. verá o Sol nascer quadrado, como esperam todos com o mínimo de decência.
E que em seguida se abra processo contra o molusco sinistro.
Quanto ao mensalão mineiro, que se processe, condene e encarcere todo mundo que tiver a mão suja. Sem exceções. 

A Palavra do Dia


Tapioca
Iguaria de origem tupi-guarani feita com farinha de mandioca. Costuma ser preparada em uma chapa ou frigideira, onde é aquecida antes de ser recheada e dobrada como um pastel. O recheio mais tradicional é o de coco com queijo, mas atualmente a tapioca tem sido recheada com leite condensado, chocolate, entre outros. A tapioca possui algumas variações doces e salgadas, como o beiju, bolo simples de massa úmida, e o sarolho, bolinho seco e salgado. A tapioca é altamente consumida na região Nordeste desde a sua apresentação aos colonizadores pelos índios, que já tinham a farinha como base de sua alimentação. Ingrediente importantíssimo para os escravos também, a tapioca era consumida tão intensamente que os portugueses criaram a Casa de Farinha em Pernambuco, onde a mandioca era transformada em farinha. É possível obter ainda bebidas alcoólicas a partir da tapioca, como o pajuaru e o tarubá.
 

Um bêbado na Madrugada

Altas horas da madrugada, o casal acorda ao som insistente da campainha da casa. O dono da casa levanta e pela janela pergunta:
 - O que é que você quer?
 - Olá, eu sei que é tarde - grita um homem - Mas preciso que alguém me empurre, e sua casa é a única nesta região.
 Você precisa me empurrar!
 Louco da vida, o recém-acordado replica:
 - Eu não te conheço, são 4 horas da manhã, e me pede para te ajudar? Ah! Vá te catar! E ele volta para a cama. Sua mulher, que também acordou, não gosta da atitude do marido:
 - Você exagerou. Você já ficou sem bateria antes, você bem que poderia ajudar esse cara.
 - Mas ele está bêbado - desculpa-se o marido.
 - Mais um motivo para ajudá-lo - insiste a mulher - ele não vai conseguir sozinho. Você que sempre foi tão prestativo...
 Tomado por remorsos, o marido se veste e vai para a rua.
 Procura o bêbado dizendo:
 - Hei, cara, vou lhe ajudar! Onde é que você está?
 E o bêbado gritando:
 - Aqui, no balanço...

terça-feira, 9 de outubro de 2012

O bode expiatório - Paulo Guedes




De onde menos se espera... é que não vem nada mesmo. Sim, estou falando dos votos de Lewandowski. Por seu conhecimento especializado, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) tem o direito de votar como bem entender no julgamento do Mensalão.
Mas nós, cidadãos, desprovidos desse conhecimento, temos também o direito à nossa interpretação quanto ao que está fazendo o ministro.
Lewandowski absolveu toda a cúpula dirigente do PT envolvida no escândalo de corrupção: o ex-presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha, o ex-presidente do partido, José Genoino, e o ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu.

 

Confirmaram-se as piores suspeitas levantadas pelo arguto observador político Merval Pereira, ainda no início do histórico julgamento: “De minha parte, espero ter me precipitado ao afirmar que Lewandowski agia de modo a ajudar os réus políticos, especialmente os petistas. Vamos aguardar para ver como distribuirá sua justiça.”
Não, meu caro Merval, você não se precipitou. Apenas avaliou corretamente os primeiros indícios da atuação do ministro.
Temos os mais legítimos interesses no aperfeiçoamento de nossas instituições democráticas. O julgamento do Mensalão é um momento decisivo nesse processo. Com a condenação de representantes do Executivo pela compra de apoio parlamentar, os ministros do STF demarcam agora a independência do Poder Judiciário. É um passo importante para a erradicação de degeneradas práticas políticas.
Lewandowski admitiu que “houve crimes graves, e quem os cometeu vai ter de pagar”. Condenou publicitários, banqueiros e políticos dos demais partidos como corruptos e corruptores.
Mas, no Mensalão, o que nos interessa é o julgamento de um atentado contra a independência dos poderes de um regime democrático. Aqui reside a questão fundamental de interesse público: a condenação da compra de apoio parlamentar pelo antigo núcleo político do governo.
Os votos de Lewandowski transformam-se, portanto, numa brutal, expiatória e inverossímil acusação ao tesoureiro Delúbio Soares, tornando-o inteiramente responsável por toda a condenável manobra de articulação suprapartidária ora em julgamento. Prevalece a forma sobre o conteúdo.
Mas quem vai julgar Lewandowski é a História de uma Grande Sociedade Aberta em construção.

Avenida Brasil


Marcello Novaes torce por Tufão: 'Ele é o grande mocinho da história'

Marcello Novaes, ator que interpreta o vilão Max em "Avenida Brasil", revela em entrevista ao blog que torce por um final feliz para Tufão (Murilo Benício), Jorginho (Cauã Reymond) e Nina (Débora Falabella). Na opinião de Marcello, a chef deverá chegar ao fim da novela de João Emanuel Carneiro arrependida de sua vingança, ao lado de Jorginho.
- Ela fez muito mal para muitas pessoas, precisava se dar conta de que essa sede de fazer justiça com as próprias mãos não vale a pena - opina o ator. - Seria bacana se ela e Jorginho abrissem uma ONG e pudessem cuidar daquelas crianças do lixão como hoje a Lucinda (vera Holtz) faz.
Para Marcello, uma boa solução para o casal ser feliz e se livrar dos fantasmas do passado seria a mudança para Argentina, onde Nina cresceu. Já Tufão, ele gostaria de ver ao lado de Monalisa, personagem de Heloísa Périssé, trabalhando como técnico de futebol.
- O personagem do Murilo é o grande mocinho da novela. Não vejo a hora de ele descobrir toda a verdade e reativar esse amor antigo. A relação dele com a Monalisa deu uma esfriada, mas tem tudo para dar certo.

A Eleição Americana


O excelente desempenho no primeiro debate presidencial das eleições americanas de 2012, na semana passada, rendeu ao ex-governador Mitt Romney a liderança nas pesquisas de intenção de votos. O republicano, que começou outubro 8 pontos percentuais atrás do presidente Barack Obama, agora vence a disputa entre eleitores que deverão votar em 6 de novembro por 49% a 45%, segundo levantamento nacional que acaba de ser divulgado pelo respeitado instituto de pesquisas Pew Research Center. E mais: a avaliação favorável de Romney encostou na do presidente _ que tinha neste quesito seu principal ponto de vantagem sobre o opositor _ e o republicano melhorou sua posição em todas as perguntas qualitativas, incluindo qual candidato tem uma política que beneficia a classe média.
A escalada na preferência do eleitorado -- após a disputa parecer, para a maioria dos analistas, praticamente decidida em favor de Obama no fim de setembro -- foi um reflexo direto do embate ao vivo entre Romney e o presidente, dia 3, em Denver, Colorado. Segundo o Pew, 66% dos eleitores consideraram o republicano o vencedor do debate, percentual que chegou a 72% entre os independentes (grupo que concentra os indecisos).
Perguntados sobre se tinham uma visão favorável de Romney, 50% responderam que sim, contra 45% em setembro. Obama, ao contrário, viu sua avaliação despencar no mesmo período, de 55% para 49%. Os maiores ganhos do republicano foram auferidos justamente em grupos demográficos básicos nos quais o democrata vem apostando para conquistar a reeleição: mulheres (alta de 6 pontos), jovens de 18 a 29 (10 pontos) e adultos entre 30 e 49 anos (9 pontos).
 A performance de Romney parece ter energizado a base republicana. Agora, 82% dos republicanos dizem estar muito atentos às eleições, acima dos 73% de setembro e 15 pontos acima do grupo de democratas que revelam engajamento semelhante. Numa campanha em que o comparecimento às urnas é fator decisivo, o indicador é uma notícia positiva a mais para a campanha da oposição.
 Romney registrou ganhos muito significativos em todos as questões qualitativas. Aparece empatado (44%) no quesito quem é o líder mais forte e supera Obama quando a pergunta é qual candidato apresenta novas ideias (47% a 40%). O republicano ampliou as vantagens que tinha nos temas econômicos (redução de déficit, política tributária e criação de empregos) e retirou a vantagem abrangente que o democrata tinha em temas como reforma e política de Saúde, política externa e política tributária.
Na questão sobre quem se as políticas do candidato beneficiam a classe média, Romney subiu de 41% para 49% desde julho, virtualmente empatando com Obama, que continuou com 50%.
 O alento para Obama na pesquisa do Pew Research Center é que parece terem colado em Romney as críticas de que ele promete mais do que tem condições de entregar se assumir a Casa Branca. No levantamento, 62% dos pesquisados concordaram com esta afirmação, percentual que sobe a 75% entre os chamados swing voters (indecisos, quem apenas inclina a um dos dois candidatos ou que admite ainda mudar o voto que declara). Mais da metade dos entrevistados (53%) afirma que é difícil saber exatamente a posição de Romney sobre os assuntos, número que vai a 66% entre os swing voters.

Eduardo Paes se reúne com Dilma no Planalto e agradece apoio


Na avaliação do prefeito, apoio do PMDB a Haddad em SP depende de Temer e Chalita



O prefeito Eduardo Paes, acompanhado do governador Sérgio Cabral, e do vice-governador Luiz Fernando de Souza Pezão, encontra-se com a presidente Dilma Roussef para agradecer o apoio à sua reeleição e reafirmar a parceria entre prefeitura e governo federal
Foto: Divulgação / Divulgação
O prefeito Eduardo Paes, acompanhado do governador Sérgio Cabral, e do vice-governador Luiz Fernando de Souza Pezão, encontra-se com a presidente Dilma Roussef para agradecer o apoio à sua reeleição e reafirmar a parceria entre prefeitura e governo federalDIVULGAÇÃO / DIVULGAÇÃO
BRASÍLIA - Após se reunir com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, o prefeito reeleito do Rio, Eduardo Paes, disse nesta segunda-feira que o apoio do PMDB ao candidato petista Fernando Haddad, em São Paulo, é o caminho natural. Acompanhado do governador Sérgio Cabral e do vice Luís Fernando Pezão, Paes veio ao Planalto agradecer o apoio de Dilma nas eleições municipais, embora a presidente não tenha ido ao Rio fazer campanha.
- Acho que é o caminho natural, mas São Paulo é São Paulo e depende do vice-presidente Michel Temer e do candidato (Gabriel) Chalita - disse.
O governador afirmou que Dilma está "muito feliz" com a reeleição de Paes e confiante na vitória de Haddad, que disputa o segundo turno com o tucano José Serra.
- Ela está muito entusiasmada com a candidatura de Fernando Haddad a prefeito de São Paulo. Além de estar muito feliz com vitória do Eduardo Paes, ela disse que está com muita esperança na vitória do Fernando Haddad - afirmou Cabral.
O prefeito disse que agradeceu o apoio da presidente não só na campanha, mas durante seu primeiro mandato na Prefeitura do Rio. Paes negou que a presidente não tenha feito campanha para ele e lembrou que no último dia antes do começo da campanha de rua, Dilma foi ao Rio inaugurar obras.
- Como não fez? Imagina! O palanque hoje é muito diferente. No último dia em que eu podia inaugurar alguma coisa, a presidente esteve no Rio. Palanque melhor do que esse não existe. Ela gravou depoimento, e usamos as imagens dela. O apoio foi fundamental. E ela reafirmou a parceria - disse.
No dia 6 de julho, a presidente foi ao Rio entregar unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida, no bairro Carioca, e inaugurar a Coordenação de Emergência Regional Professor Nova Monteiro, no Hospital Miguel Couto, dentro do programa SOS Emergência.

Após eleição, Chávez e Capriles têm ‘conversa amena’ por telefone


Pelo Twitter, candidato derrotado diz que fez apelo pela unidade do país



Simpatizantes de Capriles choram após anúncio de vitória de Chávez: resultado mostrou país dividido
Foto: Reuters
Simpatizantes de Capriles choram após anúncio de vitória de Chávez: resultado mostrou país divididoREUTERS
CARACAS - Como prometido antes do resultado das eleições, o candidato derrotado na Venezuela, Henrique Capriles, e o presidente reeleito, Hugo Chávez, conversaram por telefone nesta segunda-feira. A ligação, que partiu do próprio Chávez, foi “amena”, segundo declarou o presidente em sua conta de Twitter. “Acreditem: mantive uma conversa amena com Henrique Capriles por telefone! Convido à unidade nacional, respeitando as nossas diferenças”.
Mas, apesar de o próprio Henrique Capriles ter reconhecido a derrota, uma parcela de seus eleitores se recusou a aceitar o resultado das urnas, em mais uma prova de que a polarização política persiste apesar da postura conciliadora do candidato opositor. Por meio do Twitter, opositores a Chávez chegaram a veicular cálculos que desacreditariam os números divulgados pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano (CNE), entre outras supostas provas de irregularidades no processo eleitoral.Capriles também se manifestou na rede social: “Em nome de mais de 6,5 milhões de venezuelanos, fiz um apelo pela unidade do país e pelo respeito a todos”. Ele desejou saúde ao presidente eleito, e reconheceu seu esforço físico durante a campanha.
No começo da tarde, a hashtag #FraudeEnVenezuela chegou à lista de assuntos mais comentados do Twitter no mundo, e permaneceu entre os temas mais mencionados pelos usuários do microblog no país durante todo o dia. Muitos também usaram a hashtag #VenezuelaExigeNuevoConteodeVotos para pedir uma recontagem de votos.
As eleições de domingo que deram a Hugo Chávez o quarto mandato como presidente da Venezuela confirmaram a divisão do país em duas partes com projetos políticos irreconciliáveis, em um resultado que deve ter repercussão internacional, de Havana a Teerã. Com 45% dos votos, a oposição agora se prepara para as eleições para governadores, em dezembro. Para analistas, será uma nova chance de os partidários de Henrique Capriles aumentarem sua influência no país. Em comunicado, os Estados Unidos pediram que o governo venezuelano leve em conta o ponto de vista das 6 milhões de pessoas que votaram na oposição.
Assim que a vitória de Chávez foi oficializada, chavistas foram às ruas de Caracas comemorar, após uma tarde apreensão diante da possibilidade de uma derrota. Entre os oposicionistas, o clima era de consternação, muitos se perguntavam se era mesmo verdade a reeleição do presidente venezuelano, descrentes. Apesar da polarização política, a eleição ocorreu sem incidentes. Quatro pessoas morreram perto de centros de votação, mas não ficou claro se as mortes tinham relação com o pleito.
- Tínhamos depositado todas nossas esperanças esta vez - disse a dona de casa Teresa Pérez, de 51 anos. - Estamos doloridos, tristes, mas não decepcionados. Foi uma campanha incrível, ninguém nunca conseguiu isto.
A diferença de quase dez pontos percentuais pode parecer uma derrota, mas nas eleições de 2006 Chávez ganhou com 26 pontos de vantagem e, em 2000, com 22. Ele venceu em todos os estados, com exceção de Mérida e Táchira. A vitória de Chávez, 58 anos, acontece apesar da incerteza sobre seu estado de saúde - o presidente foi diagnosticado com câncer em junho do ano passado e não tem um herdeiro político claro. Segundo a Constituição venezuelana, se o presidente do país morrer nos primeiros quatro anos de seu mandato, novas eleições devem ser convocadas. Se isso acontece nos últimos dois, o vice-presidente assume o poder.
Para o presidente do Inter-American Dialogue, Michael Shifter, as eleições de domingo são um ponto de virada na História venezuelana. O analista ressalta que Chávez terá que lidar com um povo muito diferente em seu quarto mandato, “uma sociedade mais organizada e confiante”.
Além disso, o presidente tem diante dele um país com altos índices de violência, uma alta taxa de inflação e dependente de importações de alimentos. O jornal “The New York Times” destacou ainda os problemas de infraestrutura da Venezuela, com estradas e pontes desmoronando e os frequentes apagões.
Oposição ganha um líder
Depois da derrota, a oposição deverá se mobilizar para se manter unida, dizem analistas. Em dezembro, os venezuelanos voltam às urnas para escolher novos governadores e os opositores têm chances reais em vários estados. A próxima votação pode ser uma chance de continuar com as propostas da campanha de Henrique Capriles.
- O povo não deve se sentir derrotado - disse Capriles na noite de domingo.
A oposição controla hoje sete dos 24 estados da Venezuela. Para aumentar suas chances nas eleições de dezembro, a oposição deve manter a aliança Unidade Democrática, afirmam analistas. Ao aceitar a derrota, Capriles deu indicações de que vai tentar manter os opositores sob rédea firme, evitando extremistas no grupo.
Para analistas, Capriles encerra a eleição como o novo líder da oposição. Com caras mais jovens, entre eles Leopoldo López, o governador de Zulia, Pablo Pérez, e a deputada María Corina Machado, os oposicionistas conseguiram se distanciar da velha guarda que governou o país desde o retorno da democracia na Venezuela, em 1958. A antiga geração é rejeitada no país por ter integrado governos considerados corruptos e que empobreceram a Venezuela, que conta com a maior reserva de petróleo do mundo.

A Palavra do Dia


Esfinge 
Escultura monumental do Antigo Egito feita de pedra e que representa um leão deitado, com cabeça humana. É o símbolo de majestade dos faraós, guardiã dos locais proibidos e das necrópoles (cemitérios) reais. Também pode apresentar uma cabeça de falcão (ao invés da humana, chamada androsfinge) combinando-se ao corpo de leão, chamando-se hierocosfinge. Na mitologia grega, no entanto, a esfinge não representa proteção, e sim perigo. Ela é um monstro fabuloso e cruel, com corpo de leão alado e cabeça e busto de mulher, que propunha difíceis enigmas a viajantes. Se estes não conseguissem decifrá-los, eram devorados pelo monstro. Também está presente na lenda de Édipo, que decifra o enigma por ela lançado e depois parte para o seu destino fatal, simbolizando, assim, o perigo inevitável.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Comentários dos Leitores

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "O Mensalão": 
O Ministro Celso de Mello é uma referência importante neste julgamento. 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Na boca da urna - Dora Kramer": 
A melhor forma de aferir a aceitação do governo federal de dois em dois anos é fazer eleições parciais do congresso 2/3 e 1/3 a cada período.
Extrapolar eleições municipais como indicadores federais é "wishful thinking" (fantasia da imaginação). 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "A Palavra do Dia": 
Esta erva, ao contrário das outras mais populares, faz bem à saúde, não é pecado e não engorda 

Alberto deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Eleição no Rio": 
O grande objetivo das olimpíadas é divulgar e promover a prática esportiva. A primeira barreira a ser vencida pelo "golfe popular" é possibilitar o acesso e a manutenção dos campos para frequentadores de menores posses. a segunda etapa é baixar o preço dos equipamentos (tacos, bolas etc)a níveis populares.
A iniciativa do candidato do PSDB é louvável.