sexta-feira, 9 de março de 2012

O Pior dos Dias para José Dirceu (2/8/2005) - Ricardo Noblat


O deputado José Dirceu (PT-SP) (foto)  irá dormir nesta madrugada (se conseguir dormir) tendo diante de si duas alternativas, e apenas duas: renunciar ao mandato antes das 15 horas de hoje ou enfrentar um penoso e desmoralizante processo de cassação - para no fim perder o mandato.
Está marcado para as 15 horas o início do depoimento dele no Conselho de Ética da Câmara. Dirceu foi convocado como testemunha no processo aberto ali para cassar o mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Réu pode mentir ou se recusar a responder perguntas. Testemunha, não.
Jefferson estará lá sentado na primeira fila e decidido a interpelar Dirceu durante o tempo que julgar necessário. Uma vez que se dê por satisfeito, abandonará a sessão para protocolar hoje mesmo um pedido de abertura de processo para cassar o mandato de Dirceu por quebra de decoro parlamentar.
Dirceu terá então 24 horas para renunciar ao mandato. Depois disso, não adiantará mais fazê-lo - o processo irá em frente. E Dirceu começará a subir ao patíbulo. Aí será só uma questão de tempo - dois, três ou quatro meses se tanto. A renúncia ao mandato o poupará de tudo isso.
A amigos, Dirceu admitiu há 15 dias que dificilmente escapará de ser cassado. De conselheiros jurídicos, ouviu na semana passada que deve renunciar.
A renúncia se impôs depois da revelação de que sua ex-mulher vendeu o apartamento que tinha a um sócio de Marcos Valério. E que deve o emprego que tem a Valério.
Se renunciar, Dirceu poderá disputar as eleições do próximo ano - caso queira e reúna condições políticas para isso. Se for cassado, só poderá disputar eleições a partir de 2012 - o que significará na prática o encerramento de sua carreira política. Há muito no que pensar ainda?
A nova direção do PT abandonou Dirceu. Lula abandonou-o - e até mandou avisar à oposição que nada fará para impedir uma eventual cassação dele.
Por terem recebido dinheiro de Valério, alguns dos deputados da "Bancada do Zé" estão ameaçados de ser cassados - Paulo Rocha, José Mentor e Professor Luizinho.
Sem dúvida, a manhã de hoje será a mais curta e melancólica da vida daquele que chegou a ser apresentado pelo presidente da República nos primeiros meses do governo como "o capitão do time" - e que sonhava em subir a rampa do Palácio do Planalto em primeiro de janeiro de 2011 portando a faixa presidencial.

Uma Mulher (brasileira) de Coragem






Primeira mulher a comandar uma UPP recebe prêmio internacional Mulheres de Coragem 2012. Major Pricilla recebeu troféu das mãos de Michelle Obama e Hillary Clinton
Foto: AFP


Primeira mulher a comandar uma UPP recebe prêmio internacional Mulheres de Coragem 2012. Major Pricilla recebeu troféu das mãos de Michelle Obama e Hillary ClintonAFP
RIO - A major da Polícia Militar Pricilla de Oliveira Azevedo, primeira mulher a comandar uma Unidade da Polícia Pacificadora, recebeu nesta quinta-feira, Dia da Mulher, o prêmio internacional Mulheres de Coragem 2012. Ela recebeu o troféu das mãos da primeira-dama dos Estados Unidos, Michelle Obama, e da secretária de Estado, Hillary Clinton, durante cerimônia em Washington. A major foi uma das dez vencedoras do prêmio.
Também participaram da cerimônia Leymah Gbowee e Tawakkol Karman, que ganharam o Prêmio Nobel da Paz de 2011. O evento foi no Auditório Dean Acheson do Departamento de Estado dos EUA. Em comum entre as premiadas, ações na área de direitos humanos, caso de Samar Badawi, ativista política da Arábia Saudita, ou de Hawa Abdallah Mohammed Salih, do Sudão.
O prêmio é um luxo para Pricilla, evangélica da Assembleia de Deus, criada no subúrbio. Em 2007, ela sofreu um sequestro-relâmpago. Foi levada com uma arma enfiada na boca até uma favela em Niterói. Quando a identificaram como policial, ela apanhou, mas conseguiu fugir. Catou um por um seus detratores; só falta um. Em 2008, a major Pricilla recebeu das mãos do secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, a importante missão de comandar a ocupação da UPP no Morro Dona Marta, em Botafogo.
Beltrame não esconde de ninguém a admiração que tem pela história de Pricilla de Oliveira Azevedo, de origem humilde, parecida com a dos moradores da comunidade que protegeu por três anos. No início, chegou a andar de fuzil pelas vielas. Depois da pacificação, adotou a pistola. Mas a arma da major sempre foi mesmo a conversa. Junto com a repreensão no olhar, era imbatível. Pode parecer politicamente correta, mas, dizem, que se transformava em operações policiais. Estudante de direito, a major — que deixou até afilhados na favela — só saiu do Dona Marta para assumir o desafio de cuidar de todos os projetos estratégicos da pasta. Claro que o foco principal são as UPPs.

A Pergunta do Dia

 Marcelo Crivela, como novo Ministro da Pesca, vai realmente cuidar dos interesses de quem pesca ou só vai pensar em robalos ?

quinta-feira, 8 de março de 2012

A Super Terça Americana: Romney 6 e Santorun 3





Mitt Romney e Rick Santorum discursam na Super Terça
Foto: Reuters

Mitt Romney e Rick Santorum discursam na Super TerçaREUTERS
COLUMBUS, Ohio e WASHINGTON - Os resultados da Super Terça, rodada de prévias na qual eleitores de dez estados foram às urnas, reacenderam a polarização entre o ex-governador Mitt Romney e o ex-senador Rick Santorum, prolongando a corrida republicana pela indicação à candidatura presidencial.
Com a apuração ainda em andamento, foram confirmadas seis vitórias para Romney e três para Santorum. A disputa mais acirrada foi no principal estado da Super Terça, Ohio, onde os dois se revezaram na liderança, mas Romney acabou vencendo por pouco mais de doze mil votos.
Antes da definição de Ohio, as duas campanhas tiveram razões para comemorar. Romney levou clara vantagem na contagem geral de delegados que votarão na convenção nacional do partido, em agosto. Ele obteve uma vitória esmagadora em Massachusetts, onde foi governador, e o primeiro lugar em Vermont, Idaho, Virgínia e Alasca.
No entanto, Santorum venceu as primárias nos conservadores estados sulistas do Tennessee, o segundo campo de batalha mais importante da Super Terça, e de Oklahoma. Depois de uma queda nas pesquisas, o desempenho recolocou Santorum na briga pela nomeação do partido. Santorum também obteve a maioria em Dakota do Norte.
Os resultados demonstram a força do ex-senador na região Sul, uma área tradicionalmente republicana, com a qual o partido conta para vencer o presidente Barack Obama em novembro. Isso o favorece nas primárias a serem realizadas na próxima semana, no Alabama e no Mississippi.
— Hoje foi uma grande noite. Vamos conseguir ao menos um par de medalhas de ouro e uma grande quantidade de prata. Já ganhamos no Oeste, no Meio-Oeste, no Sul e estamos prontos para vencer em todo o país — afirmou Santorum em Ohio.
Romney chegou em segundo na Geórgia, assim como no Tennessee, o que se traduz em muitos delegados. O resultado pode ajudá-lo a dissipar dúvidas sobre suas credenciais conservadoras para as próximas primárias. Com o eleitorado republicano muito dividido, o que tem impedido o triunfo de uma candidatura, a matemática dos delegados é essencial para a nomeação.
— Eu vou conseguir essa indicação. Estamos contando os delegados para a convenção e estamos contando os dias até novembro. Vamos pegar essa vitória de hoje e chegar à Casa Branca — disse Romney.
Na Super Terça, estavam em disputa, em um só dia, 419 delegados, mais do que os 378 em todas as prévias realizadas desde janeiro. São necessários 1.144 delegados para assegurar a indicação.
Polêmica para atrair eleitores
O ex-presidente da Câmara, Newt Gingrich, confirmou o favoritismo na Geórgia, sua base política e estado com mais delegados em jogo na noite de ontem, e anunciou que continuará na disputa, apesar das pressões para que deixe a corrida para aglutinar o apoio do eleitorado conservador a Santorum.
O quarto candidato, Ron Paul, ainda não conseguiu nenhuma vitória na temporada de primárias, mas também se mantém na disputa.
Com um modesto índice de comparecimento às urnas indicando falta de entusiasmo dos eleitores com as primárias republicanas, grupos conservadores aproveitaram os últimos dias de campanha em Ohio para tentar incluir temas polêmicos, como aborto e direitos sindicais, na cédula que será apresentada aos eleitores em novembro.
Na segunda-feira à noite, em Zanesville (a cerca de 80km da capital, Columbus), uma voluntária recolhia assinaturas para uma petição com dois objetivos: proibir o aborto desde o momento da concepção e transformar Ohio em right-to-work state, restringindo o poder dos sindicatos. São necessárias 500 mil assinaturas para levar um tema a referendo.
Desde 1973, quando a Suprema Corte decidiu pela legalidade do aborto, deixando a cargo dos estados apenas estabelecer o limite, em número de semanas de gestação para que o procedimento fosse feito , uma mudança tão radical não é aceita.
Já no caso da transformação de Ohio em right-to-work state ,a questão é política. O estado tem uma alta proporção de eleitores com vínculo a um sindicato, mesmo depois de três décadas de desindustrialização. Em Ohio, 28% dos eleitores vêm de lares onde alguém é filiado a um sindicato.
No ano passado, esse eleitorado liderou uma mobilização para derrubar a emenda número 5 à Constituição estadual, proposta pelo governador republicano John Kasich, que retirava dos sindicatos de servidores públicos o direito de negociar coletivamente em nome de seus afiliados. A emenda foi rejeitada pelo voto popular.
Em 2008, o eleitorado ligado aos sindicatos favoreceu Barack Obama, que conquistou 51,5% dos votos de Ohio. Este ano, segundo pesquisa do instituto Quinnipiac, 70% dos eleitores sindicalizados de Ohio pretendem votar pela reeleição de Obama.
Nos 23 estados americanos que já adotaram a legislação do "direito ao trabalho", não existe exigência para que o trabalhador se filie a um sindicato ou pague contribuição sindical. Como consequência, o salário médio é menor: US$ 30,1 mil por ano, em média, contra uma média de US$ 35,5 mil nos estados onde os sindicatos são fortes.
— Esta parte do estado era ligada ao carvão, mas a indústria foi embora por causa dos sindicatos. Precisamos de um presidente que entenda o mundo dos negócios, que acredite em um governo menor — disse Rod Stickrath, de 58 anos, empresário do setor de farmácias em Zanesvile, eleitor de Romney.
Republicanos mal vistos; Obama cresce
Independente do vencedor, o candidato republicano oficial deve enfrentar dificuldades para conquistar os eleitores independentes. Uma pesquisa realizada pelo jornal americano "Washington Post" em parceria com a "ABC News" mostra que os quatro políticos não são bem vistos por esses eleitores, que podem ser decisivos. Romney é avaliado de forma desfavorável por 48% dessa parcela do eleitorado e de maneira positiva por 32%.
Ron Paul é mal visto por 35% dos independentes, e bem encarado por 38%, enquanto Santorum é visto favoravelmente por 30% dos eleitores sem partido definido. Mas foi Newt Gingrich quem tem a pior imagem: apenas 21% tem uma visão positiva dele.
Em contraponto ao grande evento republicano, Obama concedeu nesta terça-feira sua primeira coletiva de imprensa de 2012. Embora fosse inicialmente para apresentar dados econômicos, o ato acabou se transformando numa defesa de sua política externa e numa resposta às críticas republicanas.
Enquanto os republicanos batalham, Obama parece se fortalecer. Na última pesquisa nacional "Wall Street Journal"/NBC, divulgada na segunda-feira, o presidente atingiu sua maior popularidade desde maio de 2011, quando Osama Bin Laden foi morto, com 50% de aprovação. Entre os entrevistados, 57% acreditam que o pior da crise econômica já passou e 55% acreditam que os democratas têm mais potencial para atrair à sua base eleitores sem inclinação política definida e indecisos.

Flu cala a Bombonera






Jogadores do Fluminense comemoram o gol da vitória, marcado por Deco
Foto: Photocamera / Ricardo Ayres

Jogadores do Fluminense comemoram o gol da vitória, marcado por DecoPHOTOCAMERA / RICARDO AYRES
RIO — A Bombonera já não assusta tanto assim. Com gols de Deco e Fred, o Fluminense arrancou uma vitória sobre o Boca Juniors por 2 a 1 e quebrou a invencibilidade de 36 jogos do adversário. Somoza fez o gol dos argentino. Com o resultado, o Fluminense assume a liderança do Grupo 4 da Libertadores, com seis pontos em dois jogos. Pela competição, os dois times voltam a jogar no próximo dia 14. O tricolor pega o Zamora, da Venezuela, e o Boca pega o Arsenal de Sarandí, no confronto argentino.
— Sabíamos que eles iam pressionar como pressionaram, mas a gente teve personalidade para marcar e vencer bem — avaliou Deco, ainda dentro de campo. — O importante era jogar bem. Jogamos e fomos recompensado por isso.
O início do jogo foi dentro do previsto. Empurrado por sua fanática torcida, o Boca Juniors partiu para cima do Fluminense. Mas nem deu tempo de assustar os jogadores brasileiros, já que, logo aos 9 minutos, Deco bateu falta na cabeça de Fred, que só desviou para o gol. Orion ainda tocou na bola, mas não conseguiu evitar que a bola entrasse. O curioso é que, antes da cobrança, Fred pediu para bater direto, mas Deco disse para o atacante ir para a área.
Atrás do placar, o Boca Juniors passou a pressionar ainda mais o Fluminense, com amplo domínio da posse de bola e jogando no campo de ataque durante todo o primeiro tempo. Apesar da boa partida de Riquelme, mostrando a impressionante visão de jogo e passes certeiros de sempre, o Boca não chegava com tanto perigo ao gol tricolor. Foi só nos últimos dois minutos da primeira etapa que Cavalieri foi acionado. E teve um desempenho impressionante. Em duas sequências de lances do ataque argentino, Cavalieri fez cinco defesas, duas delas sensacionais, e evitou o empate.
O segundo tempo tinha acabado de começar quando o Boca finalmente conseguiu o empate. No primeiro minuto, Riquelme bateu falta com muita categoria. A bola bateu na trave, nas pernas de Cavalieri e voltou nos pés de Somoza, que, dentro da área, chutou para empatar.
Quando parecia que os donos da casa partiriam com tudo para o ataque, o Fluminense conseguiu marcar o segundo gol, aos 9 minutos. Wellington Nem que estava apagado conseguiu fazer ótima jogada pela esquerda e cruzou para Deco, que chegou como elemento surpresa na área. A bola foi em cima de Orion, que falhou e deixou a bola entrar. Ainda com o domínio da posse de bola, o Boca só conseguiu assustar nos últimos minutos. Mesmo assim, foi pouco para impedir a vitória brasileira na mítica Bombonera.


Fora da Disputa, Obama Sai Vencedor


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O presidente Barack Obama em entrevista coletiva
Foto: AP
O presidente Barack Obama em entrevista coletivaAP
WASHINGTON - A longa disputa entre os pré-candidatos republicanos à Presidência dos Estados Unidos pela indicação do partido está sendo uma injeção de óleo nas engrenagens da máquina democrata pela reeleição do presidente Barack Obama. Enquanto Mitt Romney, Rick Santorum, Newt Gingrich e Ron Paul trocavam farpas nos últimos dois meses, aprofundando a divisão entre os eleitores republicanos, Obama entrou agressivamente em campanha. Capitalizou a recuperação da economia, utilizou os ataques entre os adversários em benefício próprio e acumulou doações, pavimentando sua recondução, em novembro, à Casa Branca.
O resultado é atestado por números. Na última pesquisa nacional “Wall Street Journal”/NBC, divulgada anteontem, o presidente atingiu sua maior popularidade desde maio de 2011, quando Osama Bin Laden foi morto, com 50% de aprovação. Entre os entrevistados, 57% acreditam que o pior da crise econômica já passou e 55% acreditam que os democratas têm mais potencial para atrair à sua base eleitores sem inclinação política definida e indecisos.
— São as melhores notícias para Obama em anos. Ele se engajou numa campanha agressiva com os recursos que não utilizou nos primeiros anos de governo (como os discursos apaixonados). E está sendo muito beneficiado pelos ataques e pela guinada à direita dos republicanos, ele tem sabido responder com habilidade — afirmou o pesquisador Norman Ornstein, do American Enterprise Institute.
O resultado da briga interna tem sido catastrófico para a oposição: 40% dos entrevistados no levantamento do WSJ/NBC disseram que esta primeira fase das primárias piorou sua percepção sobre o Partido Republicano. E o candidato mais bem posicionado, Mitt Romney, tem uma avaliação favorável de apenas 28% do eleitorado.
Os pré-candidatos republicanos falharam ainda na apresentação de um programa de recuperação econômica sedutor, focado na criação de empregos. Obama aproveitou a brecha. Dirigiu a plateias de trabalhadores falas inflamadas em defesa de sua política social e rodou o país propagando as boas notícias da economia, como a menor taxa de desemprego em quatro anos e a recuperação da liderança da indústria automobilística americana.
Obama também tem atuado fortemente para produzir contrapontos nos estados onde as primárias republicanas são conduzidas. Ontem, por exemplo, enquanto a Super Terça ocorria de Norte a Sul do país, o presidente agendou a primeira entrevista coletiva em quatro meses e anunciou um novo plano de incentivos a mutuários com dificuldades para refinanciar a casa própria, assunto caro a eleitores que estavam indo às urnas, como os de Geórgia e Idaho.
Ele aproveitou a chance ainda para pontuar que seu trabalho não é “ficar sentado fazendo nada” enquanto os americanos precisam de auxílio (em crítica velada à adoração republicana pelas soluções de mercado), deu declarações favoráveis às mulheres e reafirmou o compromisso com uma reforma da lei de imigração que atenda aos interesses de estrangeiros e americanos. Sobre as críticas de Romney, de que não age com força suficiente, reagiu como bom humor. Perguntado sobre o que diria ao rival republicano, respondeu:
— Boa sorte hoje! — referindo-se à Super Terça.
Os democratas também colhem louros na arrecadação. A máquina democrata já levantou US$ 151,4 milhões em doações, pouco menos do que todos os nove pré-candidatos republicanos. Romney, o mais bem-sucedido opositor, fez um caixa de US$ 63,6 milhões.
— Ainda temos oito meses pela frente, mas a tendência geral é muito favorável a Obama, incluindo as perspectivas nos maiores swing states (sem preferência partidária definida), como Ohio e Flórida. Ele não tem um grande escândalo a ser explorado, não vai lidar com recessão ou economia declinante em 2012, tem um discurso de política externa forte, puxado pelo assassinato de Osama bin Laden, e tem apelo a grupos sociais — disse o professor Allan Lichtman, do Departamento de História da American University.
Ornstein concorda com o cenário no qual Obama bate os pré-candidatos republicanos, mas alerta:
— Não se pode dar a vitória de Obama como certa. O esforço europeu de recuperação econômica pode fracassar, está se desenhando um choque de petróleo, pode haver tensão no Oriente Médio se houver um ataque ao Irã. Tudo isso ofereceria uma oportunidade para os republicanos se reunirem em torno de seu candidato e partirem para o confronto, com chances.


Vendem-se Burros






Chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do Nordeste
Foto: Qilai Shen / Bloomberg


Chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do NordesteQILAI SHEN / BLOOMBERG
BRASÍLIA — Em meio a tantos produtos brasileiros exportados para a China, surgiu, recentemente, um novo objeto do desejo: o popular jegue nordestino. Há cerca de um mês, um acordo entre os dois países liberou o intercâmbio de asnos — também conhecidos como burros e jumentos, largamente utilizados na indústria de alimentos e na de cosméticos no país asiático.
Os chineses pretendem importar 300 mil jumentos por ano do Nordeste. Além de movimentar a economia local, a iniciativa vai resolver o problema de excesso de oferta de jegues na região. Com as facilidades de financiamento, houve grande crescimento do uso de motos para transporte e os jegues estão perdendo espaço.
Em junho do ano passado, um grupo de empresários chineses conversou, da Bahia ao Rio Grande do Norte, com fazendeiros e políticos. Aos políticos locais, o grupo propôs um programa de garantia de compra a preços de mercado, envolvendo até linhas de crédito, por meio de um sistema batizado de Projegue. Mas o projeto ainda não deslanchou.
A China abate 1,5 milhão de burros ao ano, criados no país, na Índia e na Zâmbia. O processo envolve tecnologia de ponta, com melhoria genética, cuidados na produção de alimentos específicos e assistência técnica.
— O asno hoje só serve para causar acidentes na estrada — diz o secretário-adjunto de Agricultura do Rio Grande do Norte, José Simplício Holanda.

Amorim: Punição dos Militares está nas mãos dos Comandantes




O Ministro da Defesa, Celso Amorim, durante entrevista sobre a Base Militar da Antártica em audiência pública nesta terça-feira, no Senado
Foto: Ailton de Freitas / O Globo
O Ministro da Defesa, Celso Amorim, durante entrevista sobre a Base Militar da Antártica em audiência pública nesta terça-feira, no SenadoAILTON DE FREITAS / O GLOBO
BRASÍLIA – O Ministro da Defesa, Celso Amorim, reforçou na manhã desta terça-feira que os comandantes da Marinha , Exército e Aeronáutica foram orientados a punir os militares da reserva que assinaram o manifesto contra a Comissão da Verdade e que pôs em xeque a autoridade do ministro. De acordo com Celso Amorim, todos devem respeitar a lei, inclusive, os militares da reserva. Ele lembrou que a Comissão da Verdade foi aprovada em votação praticamente unânime no Congresso. Amorim também frisou que os militares sabem que a comissão, por dever legal, respeitará a Lei de Anistia, que impede a criminalização de atos cometidos durante o período militar.
Amorim afirmou que não há motivo para inquietação dos militares da reserva, porque a Comissão da Verdade vai respeitar a Lei da Anistia.
- Não há porque toda essa inquietação por conta de questões que não estão colocadas. A Comissão da Verdade foi objeto de muita negociação. O governo respeitará o que foi pactuado,porque o que foi pactuado está na lei, não hã discussão sobre isso.







O Ministro da Defesa, Celso Amorim, durante entrevista sobre a Base Militar da Antártica em audiência pública nesta terça-feira, no SenadoAILTON DE FREITAS / O GLOBO
 

Brasil Sobe duas posições no ranking da FIFA



Marcelo fez um dos gols da vitória sobre a Bósnia
Foto: Ennio Leanza / AP
Marcelo fez um dos gols da vitória sobre a BósniaENNIO LEANZA / AP
RIO - A seleção brasileira subiu duas posições no ranking da Fifa e agora ocupa o quinto lugar na listagem divulgada nesta quarta-feira pela entidade. Após a sofrida vitória por 2 a 1 sobre a Bósnia, o time subiu duas posições.
A liderança ainda é da Espanha. A atual campeã do mundo está com 1.561 pontos. Na sequência vêm a Holanda, a Alemanha e o Uruguai.
Após um mês, a Argentina voltou a aparecer entre os dez primeiros. Após a vitória por 3 a 1 sobre a Suíça com três gols de Messi, o time subiu para a oitava posição.


 

Adão e Eva - Vídeo


quarta-feira, 7 de março de 2012

Dilma e Merkel




A chanceler alemã, Angela Merkel, deu as boas-vindas a presidente Dilma durante a cerimônia de abertura da Hanover Tech Fair CeBIT, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, em Hanover, Alemanha
Foto: Focke Strangmann / AP

A chanceler alemã, Angela Merkel, deu as boas-vindas a presidente Dilma durante a cerimônia de abertura da Hanover Tech Fair CeBIT, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, em Hanover, AlemanhaFOCKE STRANGMANN / AP
BERLIM E HANNOVER — A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deu nesta segunda-feira uma resposta direta às críticas da presidente Dilma Rousseff, que acusou os países ricos, especialmente europeus e americanos, de estarem provocando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas. Merkel colocou o dedo no ponto onde o Brasil tem sido mais criticado internacionalmente: o protecionismo.Num discurso diante de Dilma e de uma platéia de empresários na abertura da maior feira de tecnologia do mundo – CeBit – onde o Brasil é o país homenageado — Merkel disse:
— Nós (ela e Dilma) vamos discutir a crise e as preocupações de cada uma. A presidente falou que está preocupada com um “tsunami de liquidez”. Do nosso lado, nós estamos olhando onde estão as medidas protecionistas unilaterais — disse Merkel.
A presidente Dilma Rousseff havia dito mais cedo que o Brasil vai tomar “todas as medidas” para proteger o real dos efeitos da enxurrada de capital provocada pela política expansionista dos países ricos, em particular da Europa e dos Estados Unidos, se eles insistirem neste caminho. Mas descartou a hipótese de adotar quarentena, isto é, o instrumento que exige a permanência mínima de capital no país:
— Quarentena é você que quer fazer…não estou defendendo quarentena, meu querido, isso é uma temeridade — reagiu, quando um jornalista perguntou sobre o instrumento.
— A senhora descarta ? —insistiu o jornalista.
— Tem dó ! — reagiu a presidente.
Dilma, que iniciou nesta segunda uma visita de dois dias à Alemanha – o país que hoje dita as regras na Europa – disse que vai insistir na queixa nos seus encontros com a chanceler alemã Angela Merkel.
—Todo mundo vai tratar de tsunami (monetário) no mundo…eu, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o BIS, que é o Banco de Compensações Internacionais, que mostra que é impossível com US$ 8,8 trilhões e no caso específico da União Europeia, com US$ 1 trilhão, o que acontece ? Acontece que a política monetária expansionista destes países produz um efeito extremamente nocivo, porque desvaloriza de forma artificial as moedas.
A expansão monetárias nos países ricos, disse a presidente, “equivale a uma barreira tarifária”. E provoca dois efeitos : torna os produtos dos países ricos mais competitivos artificialmente, e cria bolha de ativos. A presidente frisou que os próprios organismos internacionais reconhecem que isso. Segundo ela, os ricos não resolvem seus problemas com isso : só ganham tempo.
Em discurso, presidente adota tom diplomático
Em seu discurso, no entanto, Dilma foi diplomática, não mencionou nele a “tsunami monetária”. Na abertura da feira, a presidente brasileira disse que o povo alemão tem espírito empreendedor e criativo, e ressaltou os avanços do Brasil na área de tecnologia e internet, lembrando que o país já é o terceiro mercado de PCs no mundo e o quinto em telefonia celular. Afirmou ainda que a exportação de software movimentou US$ 2,5 bilhões em 2011, dando destaque ao uso de ferramentas de código aberto pelo governo, e mencionou os 41 milhões de usuários de internet banda larga no país, bem como os 12 milhões de assinantes de TV paga, "um aumento de 30% só no ano passado".
— Até dezembro deste ano, através do Plano Nacional de Banda Larga, ativaremos uma rede de 31 mil quilômetros de fibra ótica que cobrirá as necessidades de metade da população - disse a presidente. - E vamos licitar em maio a tecnologia de quarta geração de telefonia móvel (4G), que em 2013 estará nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Além disso, cabos submarinos ligarão o Brasil à América do Norte e à África, o que vai baratear o custo da conexão.
De acordo com Dilma, o investimento estrangeiro só faz crescer no Brasil — chegou a US$ 6 bilhões em 2011 — e a relação com a Alemanha é estratégica há muito tempo; uma relação que permitiu ao Brasil avançar industrialmente na segunda metade do século passado. Nesse ponto, ela converge com altos diretores do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, que trabalham com empresas e instituições alemãs para ajudá-las a exportar mais para mercados emergentes, da América Latina ao Sudeste asiático.
— Principalmente as pequenas e médias empresas de tecnologia, para as quais preparamos um banco de dados especial na internet sobre esses mercados e temos mais de 120 câmaras de comércio em 80 países — explica Jurgen Scheller, diretor da Divisão de Comércio Exterior em TI do ministério.
Se para a presidente Dilma o Brasil tem condições de ocupar “uma posição de destaque na tecnologia da informação, como já ocupamos em energia, combustíveis renováveis e agricultura”, os alemães só fazem concordar. Mas destacam, como lembrou Volker Berresheim, diretor da Divisão de Relações Econômicas com Países e Regiões do Ministério das Relações Exteriores alemão, que seus conterrâneos já estão investindo no Brasil há tanto tempo que de vez em quando é preciso lembrar que eles precisam ver seu lado também (outra alusão ao protecionismo nacional). De forma bem-humorada, Berresheim encerrou um encontro com a imprensa com uma comparação que ilustra as boas chances de uma parceria com os brasileiros dar certo:
— Afinal de contas, o alemão mais rico (de longe o mais rico) é também o brasileiro mais rico: Eike Batista — brincou, fazendo alusão à origem alemã do empresário brasileiro (a mãe de Eike nasceu em Hamburgo e ele passou na juventude um bom tempo no país, além de na Suíça e na Bélgica). Eike é o homem mais rico da América do Sul, com fortuna avaliada em mais de US$ 30 bilhões (R$ 54 bilhões), segundo a Forbes.
Dilma critica assessor especial da presidência
A presidente desautorizou seu assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a falar sobre juros. Ela reagiu duro à declaração de Garcia logo depois de a comitiva presidencial desembarcar na Alemanha, de que haverá redução das taxas de juros. No domingo, Garcia, disse os juros vão cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 6 e 7 de março.
— Quem fala sobre juros no meu governo é o Banco Central, Alexandre Tombini. Nem eu nem ninguém tem autorização para falar sobre juros — afirmou a presidente.
(*) André Machado viajou a convite do Consulado Geral da Alemanha no Rio

Dilma Quer Mudanças na Política Externa Brasileira





Ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota
Foto: Guito Moreto/05-08-2011

Ministro de Relações Exteriores, Antonio PatriotaGUITO MORETO/05-08-2011
RIO e BRASÍLIA- A presidente Dilma Rousseff determinou ao primeiro escalão da área internacional do governo que repense a política externa brasileira para ajustá-la ao cenário mundial pós-Primavera Árabe e crise europeia. A hora é de aproveitar o bom momento brasileiro para aumentar a influência do país no cenário internacional. A frase, que já virou um mantra repetido por ministros, assessores e diplomatas, é a inspiração básica para todos os envolvidos na discussão das mudanças na política externa brasileira.
— Houve fortes mudanças no mundo no último ano. Por isso, vamos redefinir um projeto de diversificação do Brasil no mundo — resume o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
Desde o início do ano, um seleto grupo de ministros e assessores especiais da área externa está discutindo formas de o Brasil aproveitar o entusiasmo com o país para amplificar a sua voz nos grandes temas da atualidade. A equipe é comandada pelos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Fazenda, Guido Mantega, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Cada um na sua área, eles mapearão as oportunidades para reforçar a presença brasileira na agenda mundial.
— Relações internacionais não são uma ciência exata. Tentamos buscar caminhos através de uma postura de coerência que dê credibilidade ao país — explica Patriota.
Numa linguagem mais simples, diplomatas menos estrelados contam que já estão sentindo o gostinho de participar das grandes decisões do mundo, e são muitos os indícios de que o Brasil está entrando para o grupo dos países dominantes.
— É esta experiência que precisamos sistematizar e transformar em política — diz um embaixador.
Segundo Patriota, o governo manterá o que chamou de “âncora regional” em sua política externa, focada na preservação da paz e da democracia na América do Sul. Na vertente econômica, o chanceler diz que as perspectivas para os países da região são as mais promissoras das últimas décadas.
— Isso permite que nos concentremos em uma agenda positiva e em um engajamento pleno nas grandes questões internacionais — observa o ministro.
Marco Aurélio concorda, mas acredita que os países da região necessitam de mais atenção do Brasil:
— Os vizinhos reclamam nossa atenção. Estão carentes.
Tanto ele como Patriota destacam que o mundo agora é multipolar, o que permite um número maior de protagonistas. Ambos citam a China como exemplo e ressaltaram as divergências de opiniões surgidas no Conselho de Segurança da ONU em relação à Síria: chineses e russos de um lado e americanos de outro.
— Parece a volta da Guerra Fria — diz Marco Aurélio
— O Brasil se mantém firme em suas posições e leva muito em conta a opinião dos países da região — enfatiza Patriota.
Encontro para discutir crise
Os dois, no entanto, rejeitam a ideia de que o Brasil está menos falante desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a faixa para Dilma. A presidente, dizem todos, gosta de fazer política externa, conhece o assunto e dedica ao tema o mesmo interesse que seu antecessor. Claro que cada um com seu estilo: Dilma lê para se informar, Lula era intuitivo.
Na semana passada, a presidente fez críticas aos países ricos, ao dizer que a Europa provocou um “tsunami monetário” com suas medidas adotadas para enfrentar a crise. Hoje, Dilma deverá tratar do tema com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. A presidente chegou na noite de ontem a Hannover, por volta das 20h30m, duas horas após o previsto. Uma escala técnica no Porto, em Portugal, provocou o atraso. O encontro com Merkel será hoje, na abertura da maior feira de tecnologia do mundo, a CeBit.
— Lula sempre se moveu a partir de suas intuições. As reuniões de cúpula da América do Sul com os países árabes e com a África, assim como a tentativa de mediação de um acordo com o Irã, foram ideias dele. Agora, o momento é de colher frutos, olhar de forma mais minuciosa as mudanças que houve no mundo — diz Marco Aurélio, assessor internacional da Presidência desde o primeiro mandato de Lula.
Ao ser perguntado, em Hannover, sobre a conversa que Dilma terá com a chanceler da Alemanha, Marco Aurélio diz que a presidente vai repetir em público e na reunião privada com a chanceler alemã a crítica que fez aos países ricos.
A polêmica diplomacia de Lula
A política externa do governo Lula dividia opiniões ao fim dos seus oito anos de Presidência: se seus defensores apontavam a projeção inédita do país no cenário internacional — o que fez com que o presidente Barack Obama, dos EUA, chamasse-o de “o cara” —, os críticos disparavam contra o que classificavam de uma mistura de ideologia e demagogia exageradas.
Entre os episódios mais polêmicos da diplomacia brasileira se destacaram o apoio ao presidente do Irã, Ahmadinejad, e à sua política nuclear; a vista grossa para o desrespeito aos direitos humanos, especialmente em Cuba e Irã; e a falta de medidas enérgicas para frear as importações desleais da China.
Algumas atitudes de Lula causaram constrangimento no cenário internacional, como ter dito que o então ditador líbio Muamar Kadafi era amigo do Brasil ou ao ter se afirmado “feliz” com a crise econômica nos Estados Unidos e na Europa.
Vitórias importantes da política internacional de Lula foram a formalização do Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China), a ação da diplomacia na criação do G-20; a iniciativa de diálogo com o Oriente Médio; e a ampliação das relações com os países do Sul, particularmente da África.

Perdidos na Tradução - Merval Pereira

O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, explicou em carta em que se desculpa com o governo brasileiro que usou a expressão em francês "se donner un coup de pied aux fesses", que significa apenas "acelerar o ritmo".  
Portanto, em inglês e em francês a expressão "um chute na bunda" tem conotações socialmente aceitáveis, o que já não acontece em português. Fifa e governo brasileiro se perderam na tradução...

Conta Outra, vai... (21/7/2005) - Ricardo Noblat


Mas que conversa fiada é essa de que Lula quer que a investigação do mensalão, do caixa 2 do PT e da corrupção em empresas estatais vá fundo, doa em quem doer, mesmo que não reste pedra sobre pedra?
Menos, menos.
Desde que não ameace o mandato dele e, se possível, a reeleição, ele quer, sim. Ou melhor: ele se conforma com a investigação. Caso contrário, nunquinha.
Pois não é assim que ele procede desde que pipocou perto dele o caso Waldomiro Diniz? Como o caso poderia detonar o ministro José Dirceu e bater na porta dele, Lula não mexeu um dedinho para que ele fosse apurado. Muito pelo contrário.
Também foi assim quando pipocou o caso da propina de R$ 3 mil paga a um funcionário de terceiro escalão dos Correios e Telégrafos. O caso teria ficado circunscrito ao que parecia ser se o deputado Roberto Jefferson não tivesse berrado.
Lula jogou todas as suas fichas para impedir a criação da CPI dos Correios. Depois para impedir que fosse instalada. Depois para que o governo a controlasse. Depois para criar uma CPI paralela e chapa branca do Mensalão.
Perdeu. Mas ontem emplacou o presidente e o relator da CPI Mista do Mensalão que tentou torpedear quando foi criada no Senado.
Então diga lá: isso é comportamento de quem defende a busca da verdade acima de todas as coisas? De quem promete cortar na própria carne se necessário for?
Na carne dele, não. Na dos outros, pode ser.
Lula entregou a cabeça de José Dirceu e renegou o PT quando disse que dele se distanciou ao se eleger presidente. Está disposto a pagar qualquer preço para permanecer onde está - e, se possível, continuar ali por mais quatro anos.
É compreensível. Mas é isso.






















Netanyahu: Não poemos esperar muito mais





Premier mostra carta pedindo por bombardeio a Auschwitz e compara situação atual com Segunda Guerra
Foto: AFP

Premier mostra carta pedindo por bombardeio a Auschwitz e compara situação atual com Segunda GuerraAFP
WASHINGTON — Horas após se encontrar com o presidente americano, Barack Obama, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou para um grupo de lobistas pró-Israel em Washington e alertou que “ninguém pode se arriscar a esperar muito mais” para agir contra Teerã. Em tom duro, o premier disse que as sanções não estão surtindo efeito contra o Irã.

Tel Aviv teme que o programa nuclear iraniano. Para os israelenses, Teerã está tentado desenvolver armas atômicas, acusação negada de forma veemente pelos iranianos. O Irã afirma que o seu programa tem fins energéticos e medicinais apenas. Com o aumento da tensão entre os dois países, os rumores de um ataque israelense contra o Irã cresceram.
— Israel tem esperado para ver se a diplomacia funciona, esperamos as sanções funcionarem. Nenhum de nós pode esperar muito mais — disse Netanyahu a um grupo de 13 mil pessoas. — Como premier de Israel, eu não vou deixar meu povo viver sob a sombra da aniquilação.
Com uma cópia de uma carta de 1944 do Departamento de Guerra dos Estados Unidos a líderes mundiais judeus rejeitando sua solicitação de bombardear o campo de extermínio nazista de Auschwitz, Netanyahu fez um paralelo com os argumentos contra atacar o Irã. Na época, os americanos rejeitaram a ideia por temer uma ação vingativa dos alemães.
— Pensem nisso, uma ação ainda mais vingativa que o Holocausto — argumentou Netanyahu. — Hoje, nós temos um Estado para nós. E a razão de um Estado judeu é defender vidas judaicas e garantir a segurança do futuro judeu.
No encontro com os membros do Comitê Americano Israelense de Relações Públicas (Aipac), Netanyahu disse que todas as opções deviam ser consideradas. Mais cedo, o presidente Obama pedira para que Israel esperasse pelos efeitos das sanções contra Teerã, uma sugestão rejeitada por Netanyahu horas depois.
— Pela última década, a comunidade internacional tentou a diplomacia. E não funcionou. Por seis anos, a comunidade internacional aplicou sanções, o que também não funcionou. Eu reconheço os esforços do presidente Obama em impor embargos mais duros contra o Irã. Essas sanções estão afetando a economia iraniana, mas infelizmente o programa (nuclear) continua — disse o israelense.
Obama tenta conter Israel
Em mais um esforço para tentar afastar a retórica de guerra da questão iraniana, Obama, recebeu na segunda-feira Netanyahu, com a promessa de que vai pressionar o Irã por mais tempo para que as sanções e as manobras diplomáticas surtam efeito.
Ao mesmo tempo, deixou claro que, em questões de segurança, os Estados Unidos sempre apoiarão Israel. De Netanyahu, ouviu que a parceria entre os dois países é fundamental, mas que Israel precisa ter capacidade de se defender e "continuar senhor de seu destino".
Segundo fontes, o israelense não confirmou se Israel já decidiu atacar as instalações nucleares do Irã, mas disse que seu país ainda se reserva ao direito de empregar uma ação militar. As fontes contaram que Obama, que tem apoiado publicamente o direito de Israel à autodefesa, tem tido uma relação tensa com o premier.
— A pressão sobre o Irã está crescendo, mas o tempo está se esgotando — disse Netanyahu a Obama na reunião.
Obama que, num ano eleitoral, enfrenta a pressão dos partidários de Israel nos Estados Unidos e dos candidatos republicanos à Presidência, buscou tranquilizar Netanyahu sustentando que os EUA mantêm sua própria opção militar aberta como último recurso, e que apoia Israel.

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