quarta-feira, 7 de março de 2012

O Governo Exagerou - Carlos Fico





O historiador Carlos Fico que demitiu-se da comissão "Memórias Reveladas" por não concordar com o fechamento dos arquivos da ditadura militar
Foto: O Globo / Thiago Lontra
O historiador Carlos Fico que demitiu-se da comissão "Memórias Reveladas" por não concordar com o fechamento dos arquivos da ditadura militarO GLOBO / THIAGO LONTRA
RIO - O historiador Carlos Fico, ex-integrante do projeto Memórias Reveladas e um dos mais ativos defensores da abertura dos arquivos da ditadura, disse que o governo exagerou na dose ao determinar punição de militares da reserva. Para ele, a crise é um mau começo para a Comissão da Verdade, pois assusta e afugenta os que pensavam em contribuir com informações e documentos. Para ele, o ministro da Defesa, Celso Amorim, deveria ter entregado o problema aos comandantes militares. Fico não quer participar da comissão. Ele teme que o resultado leve a uma “verdade histórica” única, a exemplo do que ocorreu com outros países que tiveram o mesmo processo, enquanto “um historiador deve trabalhar com o conceito de que não existe uma verdade absoluta”.
FICO: A expressão não pode ser entendida como estabelecimento da verdade oficial. O desafio da comissão é não cair em uma leitura unívoca. Comissões da Verdade em todo o mundo acabaram produzindo um relatório, associado a seus membros, que vira a narrativa oficial. Para os historiadores, o conceito de verdade não é absoluto.
O senhor, como historiador com extensa produção acadêmica sobre o regime, tem vontade de atuar na comissão?
FICO: A presença de um historiador na Comissão da Verdade é um problema. A Associação Nacional dos Historiadores acha que devemos participar, mas eu discordo. Não compete ao historiador entrar. Isso por conta da definição teórica do que é verdade para o historiador. Os historiadores podem, no máximo, colaborar com informações. Além do mais, na História do tempo presente, não podemos nos esquecer da dimensão ético-moral. A atrocidade cometida no período é indiscutível. Isso introduz um viés: não se pode ter uma atitude objetiva que desconheça os assassinatos e a tortura. Não se pode humanizar o algoz.
E quanto às críticas que minimizam a dimensão da ditadura no Brasil, sustentando que ela foi mais branda do que a dos países vizinhos que passaram pelo mesmo processo?
FICO: Muitos dizem que a ditadura brasileira não foi violenta. Eles não têm a menor ideia da quantidade de prejuízo que ela causou. São conhecidos os casos de mortes, desaparecimentos e tortura. Mas a ditadura militar atingiu a vida de muitas pessoas. Quando alguém estava para ser nomeado, por exemplo, o SNI mandava uma nota e dizia que aquele cidadão era isso e aquilo. Essa pessoa acabava rejeitada sem jamais conhecer as razões. Há casos em que os filhos de casais presos foram criados por outras pessoas por anos e anos. A questão é que, além da violência, houve uma interferência brutal da comunidade de informações no cotidiano das pessoas.
Qual seria o melhor começo para a comissão?
FICO: Se a Comissão da Verdade for bem conduzida, ficaria os seis primeiros meses trabalhando com a documentação. Ela é capaz de revelar o que não se sabe: essa ampla e violenta interferência na vida cotidiana, que é desconhecida e importante. Há muitos documentos. O grosso desse material é constituído do fundo do SNI, do fundo da CGI e das divisões de Segurança e Informação. A comissão tem possibilidade de requerer documentos.
Existe risco de crise institucional?
FICO: Existe, por um motivo: os militares erraram, mas o governo precisa ter serenidade. O manifesto interclubes foi uma espécie de provocação. Eles expressaram insatisfação num tom forte. O governo conseguiu uma vitória política: obrigar o Clube Militar a retirar o manifesto. Os militares da reserva têm direito a se manifestar. Mas a nota que saiu depois atinge a hierarquia e a disciplina. Diz que o Congresso pratica revanchismo explícito, é inconsequente. Isso, os militares da reserva não poderiam fazer. Contraria o estatuto militar. Mas, se o governo punir, um deles vai recorrer da decisão. Pode virar um imbróglio jurídico. O STM teria de se manifestar. O problema seria evitado se o governo, após a retirada do manifesto e a nota de ataque ao Congresso, pedisse aos comandantes militares que tomassem providências. Agora, ou pune e vira crise ou não pune, e desautoriza o ministro da Defesa (Celso Amorim). Transformar a questão em debate jurídico é receita certa para aumentar a crise.
Os clubes militares têm influência na tropa?
FICO: Até o Golpe de 64, os clubes militares tinham uma atuação politizada. Depois, entraram num longo período de recesso. Mas, na segunda metade dos anos 1990, voltaram a entrar com tudo nas questões políticas. Até então, porém, nunca houve reação do governo. A reação é novidade. É preciso conduzir esse assunto com serenidade na relação com os militares.
O senhor espera que a Comissão da Verdade abra caminho para punição de torturadores?
FICO: A Lei de 1979 também inclui a autoanistia. A ministra Rosário tem razão. Pode ser que o resultado do levantamento da comissão provoque uma mobilização capaz de levar o Congresso a rever a anistia. É uma hipótese bastante remota. Historicamente a sociedade tem preferido a conciliação. Não creio que haja uma mobilização capaz de levar o congresso a mudar a Lei da Anistia. Mas o debate em si já desencoraja os que pensavam em contribuir. Falar em punição agora não é a melhor estratégia para trazer o maior número de depoimentos à comissão. A crise não é boa para o trabalho. Há uma insatisfação grande entre os militares da reserva. Tem gente que atuou na repressão secundariamente, como datilógrafos, que poderia ser ouvida. Esses também foram perdoados.

terça-feira, 6 de março de 2012

Barack Obama: Não é Hora de Bravatas






Obama recebe Shimon Peres na Casa Branca
Foto: AP

Obama recebe Shimon Peres na Casa BrancaAP
WASHINGTON - Em discurso neste domingo ao Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac), o mais ferrenho grupo americano pró-Israel, o presidente Barack Obama pediu um tempo na retórica de guerra contra o Irã e disse ser preciso dar espaço para que as ações no campo diplomático, como as sanções, ganhem efeito.
Obama alertou sobre "conversas descuidadas" sobre um conflito com o Irã, mas prometeu apoio firme a Israel e disse que a ação militar segue como uma opção para impedir que o Irã adquira uma arma nuclear.
— Já há muita conversa descuidada de guerra — disse Obama, que destacou que a retórica de conflito estaria beneficiando o próprio Irã ao elevar os preços do petróleo produzido no país. — Pelo bem da segurança de Israel, da América, e da paz e segurança do mundo, agora não é hora de bravata.
O presidente americano recebeu neste domingo o presidente de Israel, Shimon Peres, e amanhã se reunirá, também na Casa Branca, com o primeiro-ministro Banjamin Netanyahu.
— Agora é o momento de deixar nossa crescente pressão se aprofundar e de sustentar a vasta coalizão internacional que construímos — completou Obama.
Obama aproveitou também para responder às críticas dos republicanos de que não tem sido duro o suficiente com o Irã. E fez uma longa defesa das medidas que tem tomado para proteger os interesses de Israel.
Destacou a ajuda militar, com apoio ao programa de mísseis israelense, e a a decisão, mundialmente criticada, de usar a influência de seu governo para impedir que a Palestina fosse reconhecida como Estado independente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
— Vocês não precisam acreditar nas minhas palavras. É só ver como temos agido para saber o quão comprometidos estamos — disse.
É a segunda vez em poucos dias que Obama aborda abertamente a questão iraniana e suas possíveis implicações em um eventual conflito. Ementrevista publicada pela revista “The Atlantic” na sexta-feira, ele disse que, como presidente americano, “não blefa”.

Dilma na Alemanha





Dilma Roussef desembarca em Hannover na Alemanha
Foto: Divulgação / Presidência da República
Dilma Roussef desembarca em Hannover na AlemanhaDIVULGAÇÃO / PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
HANNOVER - A presidente Dilma Rousseff chegou a Hannover, por volta das 20h30m deste domingo, com duas horas de atraso em relação ao horário previsto. Uma escala técnica em Porto, em Portugal, provocou o atraso. Ao chegar, Dilma não falou com jornalistas.
A convite da chanceler alemã Angela Merkel, a presidente brasileira vai participar na segunda-feira da abertura da maior feira de tecnologia do mundo, a Cebit. Depois, a presidente participa de um jantar com Merkel e somente às 21h30, há o encontro privado com Angela Merkel. A pauta principal do encontro será a crise europeia e, sobretudo, as críticas de Dilma à liberação de 530 bilhões de euros pelo Banco Central Europeu a 80 bancos europeus
No dia seguinte às criticas de Dilma, a chanceler alemã Angela Merkel disse que entendia as críticas feitas pela presidente brasileira e que pretendia tranquilizar Dilma sobre o assunto, informando inclusive que a medida do BCE foi para combater a crise e não deverá ser repetida.De acordo com assessores, Dilma deverá em público e na reunião privada com a chanceler alemã a crítica que fez na quinta-feira, quando acusou os países ricos de estarem provocando um “” tsunami monetário” nos demais países com a liberação excessiva de dinheiro. Para a presidente brasileira, esse tipo de decisão acaba prejudicando países como o Brasil, que já estão sofrendo com a valorização do real.
Na agenda da conversa entre Dilma e Merkel também deverão entrar assuntos como o comércio entre os dois países, questões de ciência, tecnologia e inovação, especialmente o programa Ciência sem Fronteiras, e energia, a Rio+20, além dos temas internacionais, incluindo a situação da Síria, da Palestina e do Irã. Dilma embarcou neste sábado, acompanhada de cinco ministros e os governadores Jaques Wagner (BA) e Tarso Genro (RS), e retorna ao Brasil na próxima terça-feira.

Lula no Hospital Outra Vez





Lula e Marisa Letícia após a última sessão de radioterapia do ex-presidente
Foto: Instituto Cidadania

Lula e Marisa Letícia após a última sessão de radioterapia do ex-presidenteINSTITUTO CIDADANIA
SÃO PAULO e BRASÍLIA - O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi internado na tarde deste domingo no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com febre e pneumonia leve. À noite, em entrevista à imprensa, o infectologista do hospital, David Uip, confirmou o diagnóstico, mas ressaltou que trata-se de uma infecção pequena e previsível, consequência da queda da imunidade após o tratamento radioterápico. Lula tenta se recuperar do câncer de laringe.
De acordo com assessoria do Sírio-Libanês, o presidente dormirá no hospital neste domingo e “continuará em tratamento pelos próximos dias”. Ainda não há previsão de alta.Segundo boletim médico divulgado às 16h30 pelo hospital, o ex-presidente deu entrada com febre baixa. Ele foi avaliado por médicos, que constataram a infecção. A equipe médica iniciou o tratamento com aplicação endovenosa de antibióticos.
A equipe médica que trata o ex-presidente é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e David Uip.
Em 17 de fevereiro, antes do Carnaval, Lula fez sua última sessão de radioterapia. Sofrendo os efeitos colaterais do tratamento contra o câncer na laringe, ele ficou internado no Sírio-Libanês. Devido à radioterapia, ele começou a sentir dores na garganta, mais rouquidão e dificuldade para deglutir. Foi internado com sinais de fadiga e tosse. Ficou doze horas sem conseguir beber água nem se alimentar. Os médicos detectaram uma inflamação na mucosa da laringe e Lula foi medicado, hidratado e recebeu suporte nutricional por soro. Também ampliou o tratamento de fono e fisioterapia.
Ao fazer uma tomografia para diagnosticar a inflamação na garganta, os médicos confirmaram que o tumor havia sido eliminado. Os médicos esclareceram que o fim do tumor não significa, ainda, a cura da doença, mas é um sinal de boa resposta ao tratamento.
Provavelmente no fim do mês de março, os médicos devem realizar os exames de avaliação do tratamento, como laringoscopia e um teste de imagem, o PET-Scan, que detecta se há presença de células de câncer no organismo.
O câncer de Lula foi diagnosticado em outubro passado. Como tratamento, ele fez três sessões de quimioterapia, seguidas de 33 sessões de radioterapia.
Na última quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff havia visitado Lula em São Berbardo do Campo. O ex-presidente participa ativamente da campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, onde pretende eleger seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.
Amigo aconselha Lula a diminuir o ritmo
Amigo próximo do ex-presidente , ao ser informado neste domingo sobre a nova internação de Lula, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) defendeu que ele seja mais preservado e se recolha até a total recuperação do tratamento do câncer na laringe. Devanir esteve com Lula semana passada, mas disse que os dois quase não conversaram porque ele está ainda se ressentindo muito dos efeitos da radioterapia.
- Os médicos já vinham falando pro Lula evitar se expor e ficar mais reservado, de repouso. Mas, às vezes, as pessoas insistem. Com a doença juntou a fome com a vontade de comer. Lula tem que ter paciência para voltar a trabalhar, deixar passar essa fase mais delicada, não é? Por causa de cinco dias pode perder cem. Ele emagreceu, está sem comer, mas se Deus quiser essa nova internação não vai ser nada não - disse Devanir.
Há dois dias Lula recebeu a presidente Dilma Rousseff em seu apartamento em São Bernardo, e foi fotografado sorridente ao lado dela e de dona Marisa.

Aula de Inglês - Vídeo


Decisões Históricas - Carlos Alberto di Franco


Carlos Ayres Britto




Duas decisões históricas do Supremo Tribunal Federal (STF) devolveram esperança à cidadania e mostraram que a Corte Suprema não é insensível ao justo clamor da opinião pública. Os ministros do STF cravaram duas magníficas estacas do Estado de Direito. Reconheceram os poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e decidiram que a Lei da Ficha Limpa vale para es eleições deste ano.
A decisão contraria liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello no fim do ano passado, atendendo pedido feito pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que tentava fazer valer a tese de que o CNJ) só poderia investigar magistrados após processos nas corregedorias estaduais.
Nada contra as corregedorias locais, muitas lideradas por magistrados íntegros e competentes. A experiência do corporativismo e do seu filhote, a impunidade, sugere que o Brasil não deve ver reduzidas ou limitadas as instâncias investigatórias, mas ampliadas.
Em entrevista à revista "Veja", o novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, reconheceu que o viés corporativista do Judiciário não é uma invenção da imprensa. O magistrado afirmou que alguns colegas e toga, envolvidos em supostos desvios, foram convidados a se aposentar sem a devida investigação. "Foi um erro gravíssimo. Deveriam ter sido investigados, punidos e expostos. Porém havia uma cultura de não fazer isso, para evitar que as pessoas pensassem que somos todos assim". Foi para evitar a cultura do acobertamento e a consequente impunidade que o Supremo Tribunal Federal referendou os poderes do Conselho Nacional de Justiça. A decisão foi uma vitória da sociedade e dos magistrados honrados que não querem a sombra dos privilégios, mas transparência que deve pautar o comportamento dos servidores públicos.
Em outra decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal barrou os candidatos ficha suja nas eleições deste ano. "Uma pessoa que desfila pelo Código Penal ou pela lei da Improbidade Administrativa não pode se apresentar como candidato", afirmou o ministro Ayres Britto. (foto)
Quem quiser ser candidato não pode, por exemplo, ter sido condenado por um colegiado da Justiça ou por órgão profissional como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Federal de Medicina, mesmo que ainda possa recprrer da decisão. Nem pode renunciado ao mandato para escapar da cassação. Também ficam impedidos de participar da eleição os políticos que tiveram contas rejeitadas e demitidos do serviço público.
A decisão evidencia também a importância do trabalho da imprensa no combate à corrupçãp.

Operário "prega" a própria Mão


Os bombeiros de Miami foram chamados a uma residência de Coconut Grove (Flórida, EUA) para socorrer um homem de 47 anos. Ele havia pregado acidentalmente a própria mão no telhado da residência, onde fazia reparos. 

O operário estava usando uma pistola automática de pregos quando acabou acertando a mão, que ficou presa em uma peça de madeira do telhado. 

Os bombeiros tiveram que serrar uma parte do telhado e levar o operário para baixo. Aí conseguiram, com ajuda dos paramédicos, libertar a mão do sujeito, noticiou a CBS. Ele foi levado a um hospital e deverá se recuperar sem sequelas.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quanto Vale Ronaldinho Gaúcho ?





Ronaldinho em partida do Flamengo contra o Resende
Foto: O Globo / Fabio Castro


Ronaldinho em partida do Flamengo contra o ResendeO GLOBO / FABIO CASTRO
RIO - Dia 9 de fevereiro de 2012, Engenhão. Ronaldinho perde um pênalti na apertada vitória sobre o Madureira. Dia 22 de fevereiro, semifinal da Taça Guanabara com o Vasco. O Flamengo sofre a virada. O que têm em comum as duas ocasiões? Em ambas, esperava-se que o astro, o carro chefe, o jogador a quem o Flamengo dedica altíssimo investimento, reagisse, buscasse o jogo com intensidade, liderasse. Não aconteceu. O desempenho e a conduta, somados à decisão do clube de arcar sozinho, sem parceiro, com todo o salário do astro, alimentam a discussão: Ronaldinho vale tamanho esforço?
Quando chegou, há 13 meses, ele custava ao Flamengo R$ 250 mil por mês — a Traffic pagava o restante. Os planos eram ousados: títulos, grandes atuações, lucro com a exploração da imagem. Mesmo que o produto entregue não fosse tão genial quanto em 2006, por exemplo, o risco não era tão alto. O Flamengo ganhou o Estadual, veio o Brasileiro e Ronaldinho teve uma fase de ótimas atuações. Depois, se apagou, teve problemas com Vanderlei Luxemburgo e, desde então, vive de lampejos. A sensação, mesmo quando não joga mal, é de que é comum, discreto. Por vezes cabisbaixo, ausente. Cumpre horários, vai aos treinos, mas é acusado de ter uma vida noturna que explicaria o declínio técnico. Dá poucas entrevistas, não se expõe. Tornou-se um produto difícil de vender, imagem difícil de explorar. Só que, agora, ele custa R$ 14 milhões por ano. Vai consumir 7% de tudo o que o Flamengo espera arrecadar em 2012, de acordo com seu orçamento. Sozinho, Ronaldinho receberá quase 20% dos gastos previstos com todo o departamento de futebol do clube. Em 2011, estudo do site "Futebol Finance", levando em conta só salários, colocava-o entre os 50 jogadores mais bem pagos do mundo. Era disparado, o recordista do país.

Amorim a Perigo - Merval Pereira

O destino do Ministro da Defesa Celso Amorim (foto) está diretamente ligado à sua capacidade de resolver a crise envolvendo os militares da reserva. As críticas à Comissão da Verdade e a posições de membros do governo Dilma levaram a uma posição radicalizada do governo, alimentada pelo Ministro da Defesa, que em nenhum momento tentou contornar a crise através do diálogo. Os tênues limites da lei que permite aos militares da reserva expressarem seus pontos de vista políticos estão sendo usados por eles para convencer os ministros militares de que estão no seu direito de cidadãos, enquanto Amorim puxa a corda para o outro lado, vendo quebra de hierarquia nos manifestos, que ganham mais adesões à medida que a crise avança. Já há no Palácio do Planalto quem entenda que a presença de Amorim à frente da Defesa, com seu estilo belicoso de atuar, não seja a melhor opção para superar a crise militar.  

Barack Obama: "Eu não Blefo"





De guarda-chuva, Obama caminha para embarcar no helicóptero presidencial em Maryland
Foto: AFP


De guarda-chuva, Obama caminha para embarcar no helicóptero presidencial em MarylandAFP
WASHINGTON — Numa de suas declarações mais duras sobre a questão iraniana até o momento, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reforçou sua determinação de não deixar Teerã desenvolver uma arma nuclear, sugerindo mesmo uma ação militar. Mas numa mensagem ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com quem se encontra na semana que vem, advertiu contra uma ataque preventivo israelense contra o território iraniano.
“Como presidente dos Estados Unidos, eu não blefo”, disse Obama em entrevista à revista “The Atlantic”, publicada nesta sexta-feira. “Como também, por questões políticas, não posso ficar divulgando exatamente quais são as nossas intenções. Mas acho que tanto o governo iraniano quanto o israelense compreendem que quando os Estados Unidos dizem ser inaceitável que o Irã tenha uma arma nuclear, nós queremos dizer exatamente isso.”
Nesta sexta-feira, os iranianos foram às urnas em uma eleição legislativa que, sem debate político e com a oposição praticamente ausente, deve ratificar o desafiador regime de Mahmoud Ahmadinejad. Diante das frequêntes ameaças, o presidente americano deixou claro que todas as opções para lidar com o país estão sobre a mesa — sendo a última uma intervenção militar —, lembrou que um ataque prematuro pode ser contraproducente e disparou:
“No momento em que o Irã não goza de muita simpatia, e que seu único aliado (a Síria) está em plena ebulição, vamos querer uma distração que permita ao Irã se apresentar como vítima?”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, está em visita nos Estados Unidos e vai se encontrar com Barack Obama na segunda-feira da próxima semana. O principal tema em pauta será o programa nuclear iraniano.
Recentemente, os Estados Unidos e a União Europeia reforçaram as sanções contra o Irã. A Organização das Nações Unidas (ONU) ratificou as quatro rodadas de sanção contra o país, ocorridas entre 2006 e 2010, como resposta à recusa do país em suspender o enriquecimento de urânio e em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Vagabundo e Boquirroto






Marco Aurélio Garcia ainda chamou Valcke de “boquirroto”
Foto: Ailton de Freitas/Arquivo O Globo


Marco Aurélio Garcia ainda chamou Valcke de “boquirroto”AILTON DE FREITAS/ARQUIVO O GLOBO
HANNOVER, Alemanha - O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, chamou neste domingo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, de “vagabundo” por ter dito que o Brasil não estava organizando a Copa do Mundo como deveria e, por isso, merecia um “pontapé no traseiro”.
- O interlocutor (da Fifa) já está riscado. Esse cara é um vagabundo! - reagiu, pouco depois de chegar a Hannover, na Alemanha, na comitiva da presidente Dilma Rousseff.
Garcia disse que a presidente não discutiu isso à caminho da Alemanha:
- Imagina! A presidente tem coisas melhores para se irritar do que com os comentários de um boquirroto.
Garcia se mostrou particularmente irritado com a linguagem que Valcke usou e disse que não acredita que ele estivesse falando em nome da Fifa:
- Não me parece que bunda seja uma palavra diplomática, mesmo se traduzir como traseiro…
Ele disse que Valcke “mordeu a língua”:
- É um boquirroto. Ele não criou um problema para nós: criou um problema para a Fifa.
Garcia aproveitou para alfinetar Valcke como francês:
- Para aí: os franceses nunca se deram bem no colonialismo no Brasil...
Quanto ao mérito da crítica, o assessor especial da presidência disse que o Brasil vai ter o mesmo ritmo dos europeus e vai fazer (as obras necessárias) “do nosso jeito”.
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Os Bandidões - Luis Garcia




.Sou do tempo em que o jogo do bicho era considerado, aparentemente — ou inocentemente —, sem muito exagero, como uma instituição inofensiva e, de certo modo, até necessária. Uma espécie de território dos sonhos dos pobres e remediados, sua solitária possibilidade de melhorar de vida ou pelo menos ganhar uns trocados que dessem alegria passageira à mulher e à criançada.

Pode até ser que naquele tempo o jogo fosse isso mesmo, ou algo parecido. A história da contravenção ainda não foi escrita: falta alguém para nos contar quando e de que maneira o bicho simpático se transformou em dragão. É bem possível que a gente acabe descobrindo que ele nunca foi mansinho.

Para que isso aconteça, é preciso que vá adiante um projeto defendido pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. No papel, é simples: basta obter do Congresso a redefinição do bicho: feio crime, em vez de amena contravenção. E, enquanto o projeto avança em Brasília — com a agilidade que a pressão da opinião pública produzir em deputados e senadores —, Beltrame promete atacar em outra frente: uma força-tarefa para investigar a lavagem de dinheiro pelos bicheiros.

Que a lavanderia existe, ninguém tem dúvida, E funciona muito bem, como mostra a riqueza ostensiva (talvez seja mais apropriado defini-la como desavergonhada) dos chefões dessa modalidade de crime organizadíssimo.

A prosperidade dessa máfia tropical é responsável pelos mais graves casos de corrupção de policiais — tanto federais como estaduais. Mas os números oficiais são modestos. Por exemplo, nos últimos dois anos a PM abriu processo contra 82 policiais e acabou expulsando 50 deles. Na Polícia Civil, foram punidos nove no ano passado; este ano, por enquanto, apenas três. Talvez seja mais realista falar em números modestíssimos.

Aqui fora, a maioria da opinião pública com certeza não tem a menor simpatia pelos bandidões organizadíssimos. Mas também não parece desconfiar que apostar na dezena do cachorro é uma forma de ajudá-los a sustentar a imagem de quase inofensivos "banqueiros" do jogo do bicho e de generosos padrinhos de escolas de samba. Parece incrível que até hoje ninguém tenha descoberto uma maneira de expulsar os bandidões da passarela. Boa sorte, Beltrame. (foto)

Datafolha em São Paulo: Serra na Frente






O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo José Serra
Foto: Eliária Andrade


O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo José SerraELIÁRIA ANDRADE
RIO - Após anunciar, na terça-feira, a intenção de ser o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra cresceu nove pontos na pesquisa Datafolha e já aparece com 30% das intenções de voto.
A sondagem para as eleições de outubro, divulgada neste sábado, coloca Celso Russomano (PRB) em segundo, com 19% - um crescimento de três pontos em relação à última pesquisa, do fim de janeiro. Com 10%, Netinho (PCdoB) aparece em terceiro, seguido por Paulinho da Força (PDT), que tem 8%.
Segundo a pesquisa, o petista Fernando Haddad tem apenas 3% das intenções de voto, o menor apoio entre os principais nomes da corrida até aqui. Empatados, com 7% cada, estão Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha (PPS).
A pesquisa sonda os eleitores também em outro cenário, em que Serra concorreria apenas com Chalita e Haddad. O ex-governador teria então 49% de apoio, mais que a soma dos votos dos dois eventuais adversários e o suficiente para garantir a vitória ainda em primeiro turno.
O Datafolha ouviu 1.087 eleitores entre quinta e sexta-feira passadas para elaborar a pesquisa, que tem margem de erro de três pontos percentuais.
As prévias tucanas, inicialmente marcadas para este fim de semana, foram adiadas para o próximo dia 25 de março. O secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Trípoli devem ser os adversários de Serra.

domingo, 4 de março de 2012

Chávez e o Chá de Camomila



Hugo Chávez divulga fotos após cirurgia realizada em Cuba
Foto: Reuters
CARACAS - O presidente venezuelano, Hugo Chávez, garantiu na última sexta-feira que continua se recuperando após ter sido operado em Cuba e divulgou fotos ao lado de Fidel Castro, mas não deu informações sobre os exames que revelariam se o câncer de que foi tratado no ano passado reapareceu. A recaída do venezuelano de 57 anos sacudiu o país membro da OPEP que em outubro realizará eleições nas quais Chávez pretende ser reeleito após 13 anos no poder.
- Estou começando a levantar voo de novo e estarei com vocês de novo. Todos os dias, meses e anos que eu tenha de vida, levantando a pátria do futuro - disse numa conversa telefônica desde de Cuba, onde se trata, com a televisão estatal venezuelana.
Apesar das constantes ligações e mensagens enviadas pelo Twitter nos últimos dias, continuam circulando diferentes versões sobre seu estado de saúde. Na noite da última sexta-feira, o ministro de Comunicação venezuelano, Andrés Izarra, publicou várias imagens de Chávez nas quais ele aparecia caminhando ao lado de Castro, com quem havia conversado por duas horas.
Nas fotos, que Izarra garantiu que eram da tarde de sexta-feira, e que foram tiradas durante a visita dos irmãos dos irmãos Fidel e Raúl Castro, vê-se o líder venezuelano com roupa esportiva e sorrindo.
- Continuo me recuperando rápido. Estava almoçando. Fazendo a dieta de recuperação: um pequeno bife com arroz, suco e estou tomando um chá de camomila divino - disse no contato que durou 20 minutos e que encerrou, segundo o líder socialista, para iniciar sua caminhada vespertina.
- Não posso atrasar o tratamento em nem um minuto - disse, sem especificar se está recebendo medicação.
O estado de saúde de Chávez mantém em suspenso o futuro político da nação sul-americana, já que Chávez resistiu em delegar o poder ao vice-presidente Elías Jaua, que nos próximos meses deverá abandonar seu cargo para iniciar a campanha para disputar o governo de Miranda.
Sem um sucessor claro e confirmado como candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), Chávez enfatizou a necessidade de que suas heterogêneas bases de apoio permaneçam unidas durante sua ausência.




Hugo Chávez divulga fotos após cirurgia realizada em CubaREUTERS


Fantástico !! - Vídeo


A Primeira Gafe da Disputa Municipal de São Paulo




Serra foi entrevistado por Boris Casoy e cometeu gafe ao afirmar que o país se chama Estados Unidos do Brasil
Foto: Reprodução

Serra foi entrevistado por Boris Casoy e cometeu gafe ao afirmar que o país se chama Estados Unidos do BrasilREPRODUÇÃO
RIO – Pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, o ex-governadorJosé Serra cometeu uma gafe ao participar do “Jornal da Band” na noite de quinta-feira. Ao responder um questionamento do apresentador Boris Casoy sobre a possibilidade de a crise econômica na Europa chegar ao país, o tucano disse que o nome completo do Brasil é Estados Unidos do Brasil, quando, na verdade, o país se chama República Federativa do Brasil desde o final dos anos 60, no governo de Costa e Silva.
- Eles (a Europa) criaram uma moeda única na Europa sem que houvesse um país. O Brasil se chama Estados Unidos do Brasil. Os Estados Unidos se chamam Estados Unidos da América – respondia Serra, quando foi imediatamente corrigido por Boris Casoy:
- Não, o Brasil não se chama Estados Unidos do Brasi.
- Mudou? – questionou Serra.
- Se chama República Federativa do Brasil – completou o apresentador.
O tucano, então, emendou:
- O que é parecido. É federação.
Serra já foi candidato à Presidência em duas ocasiões: em 2002, quando perdeu para Luiz Inácio Lula da Silva, e em 2010, quando foi derrotado pela presidente Dilma Rousseff.
Segundo o portal da Câmara dos Deputados, a mudança no nome do país ocorreu em 1968, na chamada Quinta República, em pleno regime militar. Nesse período de governo, o nome oficial passou de "Estados Unidos do Brasil" para "República Federativa do Brasil" a partir da Lei nº 5.389, de 22 de fevereiro de 1968 e do Parecer nº H-733, de 14 de setembro de 1968, da Consultoria Geral da República.

A Frase da Semana

O Pontapé da Fifa no Brasil





Jerôme Valcke está preocupado com o atraso nas obras da Copa
Foto: Jorge William/Arquivo

Jerôme Valcke está preocupado com o atraso nas obras da CopaJORGE WILLIAM/ARQUIVO
BAGSHOT, Inglaterra - O secretário geral da Fifa, Jérôme Valcke, criticou duramente a organização da Copa de 2014, no Brasil. Ele reclamou do atraso nas obras de infra-estrutura nas cidades sedes e disse que o país está mais preocupado em ganhar o Mundial do que em organizá-lo.
- As coisas não estão funcionando no Brasil. Muitas coisas estão atrasadas - atacou Valcke, que visitará o Brasil na próxima semana. - Acho que a prioridade do Brasil é ganhar o Mundial. Não creio que seja organizar o Mundial - reforçou.
O secretário lembrou que o tempo está passando e não existe um plano B caso o Brasil não dê conta de cumprir todas as exigências:
— Esperávamos mais suporte. Devíamos ter recebido esses documentos assinados em 2007 e estamos em 2012. Tem que acelerar, ganhar um pontapé no traseiro e simplesmente entregar a Copa.

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sábado, 3 de março de 2012

O General e a Comissão da Verdade





General Luiz Eduardo Rocha Paiva
Foto: Reprodução TV




RIO - O general Luiz Eduardo Rocha Paiva ( foto ) acha que a Comissão da Verdade, para não ser “parcial e maniqueísta”, tem que convocar também os que participaram de ações armadas, direta ou indiretamente. Não hesita em perguntar até se a presidente Dilma Rousseff não tem que depor:
- Ela era da VAR-Palmares, que lançou o carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. A comissão não vai chamá-la, por quê?
Rocha Paiva se refere ao atentado ocorrido em 26 de junho de 1968 no Quartel-General do II Exército, em São Paulo. Até 2007 Rocha Paiva ocupava posição de destaque no Exército. Foi comandante da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e secretário-geral do Exército. Abaixo, trechos da entrevista:
O GLOBO: Por que o senhor é contra a Comissão da Verdade?GENERAL LUIZ EDUARDO ROCHA PAIVA: Ela busca a reconciliação nacional depois de 30 anos, e não há mais cisão alguma que tenha ficado do regime militar. Se há alguma coisa a investigar, é só usar a Polícia Federal, e, com vontade política, a presidente tem autoridade para ir até onde ela quiser, respeitada a Lei de Anistia. A Comissão da Verdade não é imparcial. É maniqueísta. O objetivo é promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres. Por que não promover também o esclarecimento de atentados terroristas e sequestros de pessoas e aviões, e de execução e justiçamento até de companheiros da luta armada?
Quem era contra o regime foi punido, preso, torturado, exilado. O que o senhor acha desse argumento?
ROCHA PAIVA: Acho que não cola. Nem todos os assassinos, terroristas, sequestradores são conhecidos. Os que planejaram ou estiveram no apoio logístico e no financiamento, não são conhecidos. O ministro Ayres Britto, do STF, reconheceu, em parecer, à revelia da Lei da Anistia, o direito dos que se sentiram vítimas do regime militar de mover ações civis indenizatórias contra ex-agentes do Estado. No momento em que se abre esse precedente, quem for ouvido na Comissão da Verdade poderá estar produzindo provas contra si próprio. Os que sofreram com a luta armada também deveriam ter o mesmo direito.
O ex-deputado Rubens Paiva sumiu dentro de um batalhão do Exército. A família há 41 anos busca informação e não tem. O Exército não tem a obrigação de dar informação?
ROCHA PAIVA: É emblemático o caso Rubens Paiva. Por quê? O homem foi deputado, das classes favorecidas, e todos se preocupam com ele e com Stuart Angel, também. Agora, por que os crimes do PCdoB no Araguaia, de perseguição e morte de mateiros, que eram guias das forças legais, não são emblemáticos?
O senhor não acha que tortura é um desvio?
ROCHA PAIVA: Isso é um desvio, ninguém está dizendo que não. Agora, não foi anistiado? Não é desvio também aqueles grupos armados revolucionários da esquerda, que seguiam linha maoísta, linha soviética, linha cubana, que queriam implantar uma ditadura nos moldes dos países responsáveis pelos maiores crimes contra a Humanidade no século passado? Existiu uma luta, foram cometidos desvios pelos dois lados.
Um lado foi punido. A presidente Dilma ficou presa três anos e foi submetida a tortura.
ROCHA PAIVA: Ela diz que foi submetida a torturas. A senhora tem certeza?
Ah, eu acredito nela...
ROCHA PAIVA: Ah, e eu não sei.
O senhor acha que essas suas opiniões contra a Comissão da Verdade são compartilhadas por pessoas na ativa?
ROCHA PAIVA: Olha, não tenho dúvida de que é geral. Agora, a gente tem que ver o seguinte: o que um militar na ativa pode falar? Não pode falar contra o governo. Os chefes militares cultuam hierarquia, disciplina e também justiça. Ante a iminência de uma injustiça que vai ser perpetrada contra seus subordinados, eles têm obrigação moral e funcional de — com franqueza, disciplina, dentro da lei — levar sua posição a seus comandantes superiores. Se não fizerem isso, não são dignos de serem chefes.
Acha justo que os torturadores não sejam conhecidos?
ROCHA PAIVA: Não vejo por que eles têm que aparecer agora, porque estão anistiados. Por que não tem que aparecer também quem sequestrou, quem planejou? Se uma autoridade de hoje tiver participado; até a presidente Dilma tiver participado, seja diretamente ou indiretamente, que aí é cor-responsável, de um crime que tenha deixado sequelas com vítimas, vai haver a Comissão da Verdade? A presidente vai aparecer? É isso que a senhora quer depois de 30 anos?
O senhor nunca ouviu sequer falar que havia tortura dentro do Exército?
ROCHA PAIVA : Miriam, sempre se falou. Agora, quando é que não houve tortura no Brasil? Quer fazer um cálculo comigo? A senhora pega o livro “Brasil, nunca mais”, da insuspeita Arquidiocese de São Paulo, de dom Paulo Evaristo Arns. Fizeram pesquisas nos arquivos do STM. Levantaram 1.918 torturados. Se a senhora dividir isso pelo tempo da luta armada, são dez anos. Doze meses no ano e 30 dias, a senhora vai ter menos de um torturado por dia. Aí esse número de 1.918, depois que sai o bolsa-ditadura, sobe pra 20 mil torturados. Se a senhora fizer essa mesma conta que eu fiz, a senhora vai chegar a seis torturados por dia. Então uma média de meio torturado por dia, se é que se pode dizer assim, e seis. A senhora vai ter em torno de quatro torturados por dia por conta da luta armada.
O senhor não acha que é mais inteligente da parte das Forças Armadas admitirem que houve o erro? Até para preservar a instituição?
ROCHA PAIVA: Não vejo por que pedir perdão se não houve nenhuma cisão social remanescente do regime militar. Quando saiu o regime militar, e começaram a fazer pesquisas, as Forças Armadas já estavam no topo das instituições de maior credibilidade do país, acima até da imprensa. Então, por que essa instituição precisa pedir perdão?
Porque é crime, general.
ROCHA PAIVA: Foi anistiado, insisto nisso. Não tem que pedir perdão coisa nenhuma.
Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu.
ROCHA PAIVA: E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.
Por que os militares que estavam lá naquele momento não esclarecem tudo na Comissão da Verdade?
ROCHA PAIVA: Existe um inquérito e está escrito no inquérito. Chame os oficiais que estão ali. Chame a pessoa e escute. Agora, chame também quem pode ter mandado matar ou quem pode ter dado a ordem para assassinar o capitão Chandler, assassinado na frente do seu filho. Quem fez, a gente sabe. Foi a ALN. O senador que foi relator da Comissão da Verdade, do projeto de lei. Aloysio Nunes Ferreira era da ALN. Será que ele não tem alguma coisa? Vamos chamar o senador na Comissão da Verdade? Sim. Por que não? Vamos chamar a presidente Dilma? Ela era da VAR-Palmares. E a VAR-Palmares foi a que lançou o carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. Ela era da parte de apoio. Será que ela participou do apoio a essa operação? A Comissão da Verdade não vai chamá-la, por quê? Entende? Minha posição é essa.