quarta-feira, 7 de março de 2012

Dilma e Merkel




A chanceler alemã, Angela Merkel, deu as boas-vindas a presidente Dilma durante a cerimônia de abertura da Hanover Tech Fair CeBIT, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, em Hanover, Alemanha
Foto: Focke Strangmann / AP

A chanceler alemã, Angela Merkel, deu as boas-vindas a presidente Dilma durante a cerimônia de abertura da Hanover Tech Fair CeBIT, uma das maiores feiras de tecnologia do mundo, em Hanover, AlemanhaFOCKE STRANGMANN / AP
BERLIM E HANNOVER — A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, deu nesta segunda-feira uma resposta direta às críticas da presidente Dilma Rousseff, que acusou os países ricos, especialmente europeus e americanos, de estarem provocando um “tsunami monetário” com suas políticas expansionistas. Merkel colocou o dedo no ponto onde o Brasil tem sido mais criticado internacionalmente: o protecionismo.Num discurso diante de Dilma e de uma platéia de empresários na abertura da maior feira de tecnologia do mundo – CeBit – onde o Brasil é o país homenageado — Merkel disse:
— Nós (ela e Dilma) vamos discutir a crise e as preocupações de cada uma. A presidente falou que está preocupada com um “tsunami de liquidez”. Do nosso lado, nós estamos olhando onde estão as medidas protecionistas unilaterais — disse Merkel.
A presidente Dilma Rousseff havia dito mais cedo que o Brasil vai tomar “todas as medidas” para proteger o real dos efeitos da enxurrada de capital provocada pela política expansionista dos países ricos, em particular da Europa e dos Estados Unidos, se eles insistirem neste caminho. Mas descartou a hipótese de adotar quarentena, isto é, o instrumento que exige a permanência mínima de capital no país:
— Quarentena é você que quer fazer…não estou defendendo quarentena, meu querido, isso é uma temeridade — reagiu, quando um jornalista perguntou sobre o instrumento.
— A senhora descarta ? —insistiu o jornalista.
— Tem dó ! — reagiu a presidente.
Dilma, que iniciou nesta segunda uma visita de dois dias à Alemanha – o país que hoje dita as regras na Europa – disse que vai insistir na queixa nos seus encontros com a chanceler alemã Angela Merkel.
—Todo mundo vai tratar de tsunami (monetário) no mundo…eu, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o BIS, que é o Banco de Compensações Internacionais, que mostra que é impossível com US$ 8,8 trilhões e no caso específico da União Europeia, com US$ 1 trilhão, o que acontece ? Acontece que a política monetária expansionista destes países produz um efeito extremamente nocivo, porque desvaloriza de forma artificial as moedas.
A expansão monetárias nos países ricos, disse a presidente, “equivale a uma barreira tarifária”. E provoca dois efeitos : torna os produtos dos países ricos mais competitivos artificialmente, e cria bolha de ativos. A presidente frisou que os próprios organismos internacionais reconhecem que isso. Segundo ela, os ricos não resolvem seus problemas com isso : só ganham tempo.
Em discurso, presidente adota tom diplomático
Em seu discurso, no entanto, Dilma foi diplomática, não mencionou nele a “tsunami monetária”. Na abertura da feira, a presidente brasileira disse que o povo alemão tem espírito empreendedor e criativo, e ressaltou os avanços do Brasil na área de tecnologia e internet, lembrando que o país já é o terceiro mercado de PCs no mundo e o quinto em telefonia celular. Afirmou ainda que a exportação de software movimentou US$ 2,5 bilhões em 2011, dando destaque ao uso de ferramentas de código aberto pelo governo, e mencionou os 41 milhões de usuários de internet banda larga no país, bem como os 12 milhões de assinantes de TV paga, "um aumento de 30% só no ano passado".
— Até dezembro deste ano, através do Plano Nacional de Banda Larga, ativaremos uma rede de 31 mil quilômetros de fibra ótica que cobrirá as necessidades de metade da população - disse a presidente. - E vamos licitar em maio a tecnologia de quarta geração de telefonia móvel (4G), que em 2013 estará nas 12 cidades-sede da Copa do Mundo. Além disso, cabos submarinos ligarão o Brasil à América do Norte e à África, o que vai baratear o custo da conexão.
De acordo com Dilma, o investimento estrangeiro só faz crescer no Brasil — chegou a US$ 6 bilhões em 2011 — e a relação com a Alemanha é estratégica há muito tempo; uma relação que permitiu ao Brasil avançar industrialmente na segunda metade do século passado. Nesse ponto, ela converge com altos diretores do Ministério das Relações Exteriores da Alemanha, que trabalham com empresas e instituições alemãs para ajudá-las a exportar mais para mercados emergentes, da América Latina ao Sudeste asiático.
— Principalmente as pequenas e médias empresas de tecnologia, para as quais preparamos um banco de dados especial na internet sobre esses mercados e temos mais de 120 câmaras de comércio em 80 países — explica Jurgen Scheller, diretor da Divisão de Comércio Exterior em TI do ministério.
Se para a presidente Dilma o Brasil tem condições de ocupar “uma posição de destaque na tecnologia da informação, como já ocupamos em energia, combustíveis renováveis e agricultura”, os alemães só fazem concordar. Mas destacam, como lembrou Volker Berresheim, diretor da Divisão de Relações Econômicas com Países e Regiões do Ministério das Relações Exteriores alemão, que seus conterrâneos já estão investindo no Brasil há tanto tempo que de vez em quando é preciso lembrar que eles precisam ver seu lado também (outra alusão ao protecionismo nacional). De forma bem-humorada, Berresheim encerrou um encontro com a imprensa com uma comparação que ilustra as boas chances de uma parceria com os brasileiros dar certo:
— Afinal de contas, o alemão mais rico (de longe o mais rico) é também o brasileiro mais rico: Eike Batista — brincou, fazendo alusão à origem alemã do empresário brasileiro (a mãe de Eike nasceu em Hamburgo e ele passou na juventude um bom tempo no país, além de na Suíça e na Bélgica). Eike é o homem mais rico da América do Sul, com fortuna avaliada em mais de US$ 30 bilhões (R$ 54 bilhões), segundo a Forbes.
Dilma critica assessor especial da presidência
A presidente desautorizou seu assessor especial para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, a falar sobre juros. Ela reagiu duro à declaração de Garcia logo depois de a comitiva presidencial desembarcar na Alemanha, de que haverá redução das taxas de juros. No domingo, Garcia, disse os juros vão cair na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 6 e 7 de março.
— Quem fala sobre juros no meu governo é o Banco Central, Alexandre Tombini. Nem eu nem ninguém tem autorização para falar sobre juros — afirmou a presidente.
(*) André Machado viajou a convite do Consulado Geral da Alemanha no Rio

Dilma Quer Mudanças na Política Externa Brasileira





Ministro de Relações Exteriores, Antonio Patriota
Foto: Guito Moreto/05-08-2011

Ministro de Relações Exteriores, Antonio PatriotaGUITO MORETO/05-08-2011
RIO e BRASÍLIA- A presidente Dilma Rousseff determinou ao primeiro escalão da área internacional do governo que repense a política externa brasileira para ajustá-la ao cenário mundial pós-Primavera Árabe e crise europeia. A hora é de aproveitar o bom momento brasileiro para aumentar a influência do país no cenário internacional. A frase, que já virou um mantra repetido por ministros, assessores e diplomatas, é a inspiração básica para todos os envolvidos na discussão das mudanças na política externa brasileira.
— Houve fortes mudanças no mundo no último ano. Por isso, vamos redefinir um projeto de diversificação do Brasil no mundo — resume o assessor para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia.
Desde o início do ano, um seleto grupo de ministros e assessores especiais da área externa está discutindo formas de o Brasil aproveitar o entusiasmo com o país para amplificar a sua voz nos grandes temas da atualidade. A equipe é comandada pelos ministros das Relações Exteriores, Antonio Patriota, da Fazenda, Guido Mantega, e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. Cada um na sua área, eles mapearão as oportunidades para reforçar a presença brasileira na agenda mundial.
— Relações internacionais não são uma ciência exata. Tentamos buscar caminhos através de uma postura de coerência que dê credibilidade ao país — explica Patriota.
Numa linguagem mais simples, diplomatas menos estrelados contam que já estão sentindo o gostinho de participar das grandes decisões do mundo, e são muitos os indícios de que o Brasil está entrando para o grupo dos países dominantes.
— É esta experiência que precisamos sistematizar e transformar em política — diz um embaixador.
Segundo Patriota, o governo manterá o que chamou de “âncora regional” em sua política externa, focada na preservação da paz e da democracia na América do Sul. Na vertente econômica, o chanceler diz que as perspectivas para os países da região são as mais promissoras das últimas décadas.
— Isso permite que nos concentremos em uma agenda positiva e em um engajamento pleno nas grandes questões internacionais — observa o ministro.
Marco Aurélio concorda, mas acredita que os países da região necessitam de mais atenção do Brasil:
— Os vizinhos reclamam nossa atenção. Estão carentes.
Tanto ele como Patriota destacam que o mundo agora é multipolar, o que permite um número maior de protagonistas. Ambos citam a China como exemplo e ressaltaram as divergências de opiniões surgidas no Conselho de Segurança da ONU em relação à Síria: chineses e russos de um lado e americanos de outro.
— Parece a volta da Guerra Fria — diz Marco Aurélio
— O Brasil se mantém firme em suas posições e leva muito em conta a opinião dos países da região — enfatiza Patriota.
Encontro para discutir crise
Os dois, no entanto, rejeitam a ideia de que o Brasil está menos falante desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou a faixa para Dilma. A presidente, dizem todos, gosta de fazer política externa, conhece o assunto e dedica ao tema o mesmo interesse que seu antecessor. Claro que cada um com seu estilo: Dilma lê para se informar, Lula era intuitivo.
Na semana passada, a presidente fez críticas aos países ricos, ao dizer que a Europa provocou um “tsunami monetário” com suas medidas adotadas para enfrentar a crise. Hoje, Dilma deverá tratar do tema com a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. A presidente chegou na noite de ontem a Hannover, por volta das 20h30m, duas horas após o previsto. Uma escala técnica no Porto, em Portugal, provocou o atraso. O encontro com Merkel será hoje, na abertura da maior feira de tecnologia do mundo, a CeBit.
— Lula sempre se moveu a partir de suas intuições. As reuniões de cúpula da América do Sul com os países árabes e com a África, assim como a tentativa de mediação de um acordo com o Irã, foram ideias dele. Agora, o momento é de colher frutos, olhar de forma mais minuciosa as mudanças que houve no mundo — diz Marco Aurélio, assessor internacional da Presidência desde o primeiro mandato de Lula.
Ao ser perguntado, em Hannover, sobre a conversa que Dilma terá com a chanceler da Alemanha, Marco Aurélio diz que a presidente vai repetir em público e na reunião privada com a chanceler alemã a crítica que fez aos países ricos.
A polêmica diplomacia de Lula
A política externa do governo Lula dividia opiniões ao fim dos seus oito anos de Presidência: se seus defensores apontavam a projeção inédita do país no cenário internacional — o que fez com que o presidente Barack Obama, dos EUA, chamasse-o de “o cara” —, os críticos disparavam contra o que classificavam de uma mistura de ideologia e demagogia exageradas.
Entre os episódios mais polêmicos da diplomacia brasileira se destacaram o apoio ao presidente do Irã, Ahmadinejad, e à sua política nuclear; a vista grossa para o desrespeito aos direitos humanos, especialmente em Cuba e Irã; e a falta de medidas enérgicas para frear as importações desleais da China.
Algumas atitudes de Lula causaram constrangimento no cenário internacional, como ter dito que o então ditador líbio Muamar Kadafi era amigo do Brasil ou ao ter se afirmado “feliz” com a crise econômica nos Estados Unidos e na Europa.
Vitórias importantes da política internacional de Lula foram a formalização do Bric (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia e China), a ação da diplomacia na criação do G-20; a iniciativa de diálogo com o Oriente Médio; e a ampliação das relações com os países do Sul, particularmente da África.

Perdidos na Tradução - Merval Pereira

O secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, explicou em carta em que se desculpa com o governo brasileiro que usou a expressão em francês "se donner un coup de pied aux fesses", que significa apenas "acelerar o ritmo".  
Portanto, em inglês e em francês a expressão "um chute na bunda" tem conotações socialmente aceitáveis, o que já não acontece em português. Fifa e governo brasileiro se perderam na tradução...

Conta Outra, vai... (21/7/2005) - Ricardo Noblat


Mas que conversa fiada é essa de que Lula quer que a investigação do mensalão, do caixa 2 do PT e da corrupção em empresas estatais vá fundo, doa em quem doer, mesmo que não reste pedra sobre pedra?
Menos, menos.
Desde que não ameace o mandato dele e, se possível, a reeleição, ele quer, sim. Ou melhor: ele se conforma com a investigação. Caso contrário, nunquinha.
Pois não é assim que ele procede desde que pipocou perto dele o caso Waldomiro Diniz? Como o caso poderia detonar o ministro José Dirceu e bater na porta dele, Lula não mexeu um dedinho para que ele fosse apurado. Muito pelo contrário.
Também foi assim quando pipocou o caso da propina de R$ 3 mil paga a um funcionário de terceiro escalão dos Correios e Telégrafos. O caso teria ficado circunscrito ao que parecia ser se o deputado Roberto Jefferson não tivesse berrado.
Lula jogou todas as suas fichas para impedir a criação da CPI dos Correios. Depois para impedir que fosse instalada. Depois para que o governo a controlasse. Depois para criar uma CPI paralela e chapa branca do Mensalão.
Perdeu. Mas ontem emplacou o presidente e o relator da CPI Mista do Mensalão que tentou torpedear quando foi criada no Senado.
Então diga lá: isso é comportamento de quem defende a busca da verdade acima de todas as coisas? De quem promete cortar na própria carne se necessário for?
Na carne dele, não. Na dos outros, pode ser.
Lula entregou a cabeça de José Dirceu e renegou o PT quando disse que dele se distanciou ao se eleger presidente. Está disposto a pagar qualquer preço para permanecer onde está - e, se possível, continuar ali por mais quatro anos.
É compreensível. Mas é isso.






















Netanyahu: Não poemos esperar muito mais





Premier mostra carta pedindo por bombardeio a Auschwitz e compara situação atual com Segunda Guerra
Foto: AFP

Premier mostra carta pedindo por bombardeio a Auschwitz e compara situação atual com Segunda GuerraAFP
WASHINGTON — Horas após se encontrar com o presidente americano, Barack Obama, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, discursou para um grupo de lobistas pró-Israel em Washington e alertou que “ninguém pode se arriscar a esperar muito mais” para agir contra Teerã. Em tom duro, o premier disse que as sanções não estão surtindo efeito contra o Irã.

Tel Aviv teme que o programa nuclear iraniano. Para os israelenses, Teerã está tentado desenvolver armas atômicas, acusação negada de forma veemente pelos iranianos. O Irã afirma que o seu programa tem fins energéticos e medicinais apenas. Com o aumento da tensão entre os dois países, os rumores de um ataque israelense contra o Irã cresceram.
— Israel tem esperado para ver se a diplomacia funciona, esperamos as sanções funcionarem. Nenhum de nós pode esperar muito mais — disse Netanyahu a um grupo de 13 mil pessoas. — Como premier de Israel, eu não vou deixar meu povo viver sob a sombra da aniquilação.
Com uma cópia de uma carta de 1944 do Departamento de Guerra dos Estados Unidos a líderes mundiais judeus rejeitando sua solicitação de bombardear o campo de extermínio nazista de Auschwitz, Netanyahu fez um paralelo com os argumentos contra atacar o Irã. Na época, os americanos rejeitaram a ideia por temer uma ação vingativa dos alemães.
— Pensem nisso, uma ação ainda mais vingativa que o Holocausto — argumentou Netanyahu. — Hoje, nós temos um Estado para nós. E a razão de um Estado judeu é defender vidas judaicas e garantir a segurança do futuro judeu.
No encontro com os membros do Comitê Americano Israelense de Relações Públicas (Aipac), Netanyahu disse que todas as opções deviam ser consideradas. Mais cedo, o presidente Obama pedira para que Israel esperasse pelos efeitos das sanções contra Teerã, uma sugestão rejeitada por Netanyahu horas depois.
— Pela última década, a comunidade internacional tentou a diplomacia. E não funcionou. Por seis anos, a comunidade internacional aplicou sanções, o que também não funcionou. Eu reconheço os esforços do presidente Obama em impor embargos mais duros contra o Irã. Essas sanções estão afetando a economia iraniana, mas infelizmente o programa (nuclear) continua — disse o israelense.
Obama tenta conter Israel
Em mais um esforço para tentar afastar a retórica de guerra da questão iraniana, Obama, recebeu na segunda-feira Netanyahu, com a promessa de que vai pressionar o Irã por mais tempo para que as sanções e as manobras diplomáticas surtam efeito.
Ao mesmo tempo, deixou claro que, em questões de segurança, os Estados Unidos sempre apoiarão Israel. De Netanyahu, ouviu que a parceria entre os dois países é fundamental, mas que Israel precisa ter capacidade de se defender e "continuar senhor de seu destino".
Segundo fontes, o israelense não confirmou se Israel já decidiu atacar as instalações nucleares do Irã, mas disse que seu país ainda se reserva ao direito de empregar uma ação militar. As fontes contaram que Obama, que tem apoiado publicamente o direito de Israel à autodefesa, tem tido uma relação tensa com o premier.
— A pressão sobre o Irã está crescendo, mas o tempo está se esgotando — disse Netanyahu a Obama na reunião.
Obama que, num ano eleitoral, enfrenta a pressão dos partidários de Israel nos Estados Unidos e dos candidatos republicanos à Presidência, buscou tranquilizar Netanyahu sustentando que os EUA mantêm sua própria opção militar aberta como último recurso, e que apoia Israel.

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O Governo Exagerou - Carlos Fico





O historiador Carlos Fico que demitiu-se da comissão "Memórias Reveladas" por não concordar com o fechamento dos arquivos da ditadura militar
Foto: O Globo / Thiago Lontra
O historiador Carlos Fico que demitiu-se da comissão "Memórias Reveladas" por não concordar com o fechamento dos arquivos da ditadura militarO GLOBO / THIAGO LONTRA
RIO - O historiador Carlos Fico, ex-integrante do projeto Memórias Reveladas e um dos mais ativos defensores da abertura dos arquivos da ditadura, disse que o governo exagerou na dose ao determinar punição de militares da reserva. Para ele, a crise é um mau começo para a Comissão da Verdade, pois assusta e afugenta os que pensavam em contribuir com informações e documentos. Para ele, o ministro da Defesa, Celso Amorim, deveria ter entregado o problema aos comandantes militares. Fico não quer participar da comissão. Ele teme que o resultado leve a uma “verdade histórica” única, a exemplo do que ocorreu com outros países que tiveram o mesmo processo, enquanto “um historiador deve trabalhar com o conceito de que não existe uma verdade absoluta”.
FICO: A expressão não pode ser entendida como estabelecimento da verdade oficial. O desafio da comissão é não cair em uma leitura unívoca. Comissões da Verdade em todo o mundo acabaram produzindo um relatório, associado a seus membros, que vira a narrativa oficial. Para os historiadores, o conceito de verdade não é absoluto.
O senhor, como historiador com extensa produção acadêmica sobre o regime, tem vontade de atuar na comissão?
FICO: A presença de um historiador na Comissão da Verdade é um problema. A Associação Nacional dos Historiadores acha que devemos participar, mas eu discordo. Não compete ao historiador entrar. Isso por conta da definição teórica do que é verdade para o historiador. Os historiadores podem, no máximo, colaborar com informações. Além do mais, na História do tempo presente, não podemos nos esquecer da dimensão ético-moral. A atrocidade cometida no período é indiscutível. Isso introduz um viés: não se pode ter uma atitude objetiva que desconheça os assassinatos e a tortura. Não se pode humanizar o algoz.
E quanto às críticas que minimizam a dimensão da ditadura no Brasil, sustentando que ela foi mais branda do que a dos países vizinhos que passaram pelo mesmo processo?
FICO: Muitos dizem que a ditadura brasileira não foi violenta. Eles não têm a menor ideia da quantidade de prejuízo que ela causou. São conhecidos os casos de mortes, desaparecimentos e tortura. Mas a ditadura militar atingiu a vida de muitas pessoas. Quando alguém estava para ser nomeado, por exemplo, o SNI mandava uma nota e dizia que aquele cidadão era isso e aquilo. Essa pessoa acabava rejeitada sem jamais conhecer as razões. Há casos em que os filhos de casais presos foram criados por outras pessoas por anos e anos. A questão é que, além da violência, houve uma interferência brutal da comunidade de informações no cotidiano das pessoas.
Qual seria o melhor começo para a comissão?
FICO: Se a Comissão da Verdade for bem conduzida, ficaria os seis primeiros meses trabalhando com a documentação. Ela é capaz de revelar o que não se sabe: essa ampla e violenta interferência na vida cotidiana, que é desconhecida e importante. Há muitos documentos. O grosso desse material é constituído do fundo do SNI, do fundo da CGI e das divisões de Segurança e Informação. A comissão tem possibilidade de requerer documentos.
Existe risco de crise institucional?
FICO: Existe, por um motivo: os militares erraram, mas o governo precisa ter serenidade. O manifesto interclubes foi uma espécie de provocação. Eles expressaram insatisfação num tom forte. O governo conseguiu uma vitória política: obrigar o Clube Militar a retirar o manifesto. Os militares da reserva têm direito a se manifestar. Mas a nota que saiu depois atinge a hierarquia e a disciplina. Diz que o Congresso pratica revanchismo explícito, é inconsequente. Isso, os militares da reserva não poderiam fazer. Contraria o estatuto militar. Mas, se o governo punir, um deles vai recorrer da decisão. Pode virar um imbróglio jurídico. O STM teria de se manifestar. O problema seria evitado se o governo, após a retirada do manifesto e a nota de ataque ao Congresso, pedisse aos comandantes militares que tomassem providências. Agora, ou pune e vira crise ou não pune, e desautoriza o ministro da Defesa (Celso Amorim). Transformar a questão em debate jurídico é receita certa para aumentar a crise.
Os clubes militares têm influência na tropa?
FICO: Até o Golpe de 64, os clubes militares tinham uma atuação politizada. Depois, entraram num longo período de recesso. Mas, na segunda metade dos anos 1990, voltaram a entrar com tudo nas questões políticas. Até então, porém, nunca houve reação do governo. A reação é novidade. É preciso conduzir esse assunto com serenidade na relação com os militares.
O senhor espera que a Comissão da Verdade abra caminho para punição de torturadores?
FICO: A Lei de 1979 também inclui a autoanistia. A ministra Rosário tem razão. Pode ser que o resultado do levantamento da comissão provoque uma mobilização capaz de levar o Congresso a rever a anistia. É uma hipótese bastante remota. Historicamente a sociedade tem preferido a conciliação. Não creio que haja uma mobilização capaz de levar o congresso a mudar a Lei da Anistia. Mas o debate em si já desencoraja os que pensavam em contribuir. Falar em punição agora não é a melhor estratégia para trazer o maior número de depoimentos à comissão. A crise não é boa para o trabalho. Há uma insatisfação grande entre os militares da reserva. Tem gente que atuou na repressão secundariamente, como datilógrafos, que poderia ser ouvida. Esses também foram perdoados.

terça-feira, 6 de março de 2012

Barack Obama: Não é Hora de Bravatas






Obama recebe Shimon Peres na Casa Branca
Foto: AP

Obama recebe Shimon Peres na Casa BrancaAP
WASHINGTON - Em discurso neste domingo ao Comitê de Assuntos Públicos Estados Unidos-Israel (Aipac), o mais ferrenho grupo americano pró-Israel, o presidente Barack Obama pediu um tempo na retórica de guerra contra o Irã e disse ser preciso dar espaço para que as ações no campo diplomático, como as sanções, ganhem efeito.
Obama alertou sobre "conversas descuidadas" sobre um conflito com o Irã, mas prometeu apoio firme a Israel e disse que a ação militar segue como uma opção para impedir que o Irã adquira uma arma nuclear.
— Já há muita conversa descuidada de guerra — disse Obama, que destacou que a retórica de conflito estaria beneficiando o próprio Irã ao elevar os preços do petróleo produzido no país. — Pelo bem da segurança de Israel, da América, e da paz e segurança do mundo, agora não é hora de bravata.
O presidente americano recebeu neste domingo o presidente de Israel, Shimon Peres, e amanhã se reunirá, também na Casa Branca, com o primeiro-ministro Banjamin Netanyahu.
— Agora é o momento de deixar nossa crescente pressão se aprofundar e de sustentar a vasta coalizão internacional que construímos — completou Obama.
Obama aproveitou também para responder às críticas dos republicanos de que não tem sido duro o suficiente com o Irã. E fez uma longa defesa das medidas que tem tomado para proteger os interesses de Israel.
Destacou a ajuda militar, com apoio ao programa de mísseis israelense, e a a decisão, mundialmente criticada, de usar a influência de seu governo para impedir que a Palestina fosse reconhecida como Estado independente pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
— Vocês não precisam acreditar nas minhas palavras. É só ver como temos agido para saber o quão comprometidos estamos — disse.
É a segunda vez em poucos dias que Obama aborda abertamente a questão iraniana e suas possíveis implicações em um eventual conflito. Ementrevista publicada pela revista “The Atlantic” na sexta-feira, ele disse que, como presidente americano, “não blefa”.

Dilma na Alemanha





Dilma Roussef desembarca em Hannover na Alemanha
Foto: Divulgação / Presidência da República
Dilma Roussef desembarca em Hannover na AlemanhaDIVULGAÇÃO / PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA
HANNOVER - A presidente Dilma Rousseff chegou a Hannover, por volta das 20h30m deste domingo, com duas horas de atraso em relação ao horário previsto. Uma escala técnica em Porto, em Portugal, provocou o atraso. Ao chegar, Dilma não falou com jornalistas.
A convite da chanceler alemã Angela Merkel, a presidente brasileira vai participar na segunda-feira da abertura da maior feira de tecnologia do mundo, a Cebit. Depois, a presidente participa de um jantar com Merkel e somente às 21h30, há o encontro privado com Angela Merkel. A pauta principal do encontro será a crise europeia e, sobretudo, as críticas de Dilma à liberação de 530 bilhões de euros pelo Banco Central Europeu a 80 bancos europeus
No dia seguinte às criticas de Dilma, a chanceler alemã Angela Merkel disse que entendia as críticas feitas pela presidente brasileira e que pretendia tranquilizar Dilma sobre o assunto, informando inclusive que a medida do BCE foi para combater a crise e não deverá ser repetida.De acordo com assessores, Dilma deverá em público e na reunião privada com a chanceler alemã a crítica que fez na quinta-feira, quando acusou os países ricos de estarem provocando um “” tsunami monetário” nos demais países com a liberação excessiva de dinheiro. Para a presidente brasileira, esse tipo de decisão acaba prejudicando países como o Brasil, que já estão sofrendo com a valorização do real.
Na agenda da conversa entre Dilma e Merkel também deverão entrar assuntos como o comércio entre os dois países, questões de ciência, tecnologia e inovação, especialmente o programa Ciência sem Fronteiras, e energia, a Rio+20, além dos temas internacionais, incluindo a situação da Síria, da Palestina e do Irã. Dilma embarcou neste sábado, acompanhada de cinco ministros e os governadores Jaques Wagner (BA) e Tarso Genro (RS), e retorna ao Brasil na próxima terça-feira.

Lula no Hospital Outra Vez





Lula e Marisa Letícia após a última sessão de radioterapia do ex-presidente
Foto: Instituto Cidadania

Lula e Marisa Letícia após a última sessão de radioterapia do ex-presidenteINSTITUTO CIDADANIA
SÃO PAULO e BRASÍLIA - O ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva foi internado na tarde deste domingo no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, com febre e pneumonia leve. À noite, em entrevista à imprensa, o infectologista do hospital, David Uip, confirmou o diagnóstico, mas ressaltou que trata-se de uma infecção pequena e previsível, consequência da queda da imunidade após o tratamento radioterápico. Lula tenta se recuperar do câncer de laringe.
De acordo com assessoria do Sírio-Libanês, o presidente dormirá no hospital neste domingo e “continuará em tratamento pelos próximos dias”. Ainda não há previsão de alta.Segundo boletim médico divulgado às 16h30 pelo hospital, o ex-presidente deu entrada com febre baixa. Ele foi avaliado por médicos, que constataram a infecção. A equipe médica iniciou o tratamento com aplicação endovenosa de antibióticos.
A equipe médica que trata o ex-presidente é coordenada pelos médicos Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz e David Uip.
Em 17 de fevereiro, antes do Carnaval, Lula fez sua última sessão de radioterapia. Sofrendo os efeitos colaterais do tratamento contra o câncer na laringe, ele ficou internado no Sírio-Libanês. Devido à radioterapia, ele começou a sentir dores na garganta, mais rouquidão e dificuldade para deglutir. Foi internado com sinais de fadiga e tosse. Ficou doze horas sem conseguir beber água nem se alimentar. Os médicos detectaram uma inflamação na mucosa da laringe e Lula foi medicado, hidratado e recebeu suporte nutricional por soro. Também ampliou o tratamento de fono e fisioterapia.
Ao fazer uma tomografia para diagnosticar a inflamação na garganta, os médicos confirmaram que o tumor havia sido eliminado. Os médicos esclareceram que o fim do tumor não significa, ainda, a cura da doença, mas é um sinal de boa resposta ao tratamento.
Provavelmente no fim do mês de março, os médicos devem realizar os exames de avaliação do tratamento, como laringoscopia e um teste de imagem, o PET-Scan, que detecta se há presença de células de câncer no organismo.
O câncer de Lula foi diagnosticado em outubro passado. Como tratamento, ele fez três sessões de quimioterapia, seguidas de 33 sessões de radioterapia.
Na última quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff havia visitado Lula em São Berbardo do Campo. O ex-presidente participa ativamente da campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo, onde pretende eleger seu ex-ministro da Educação, Fernando Haddad.
Amigo aconselha Lula a diminuir o ritmo
Amigo próximo do ex-presidente , ao ser informado neste domingo sobre a nova internação de Lula, o deputado Devanir Ribeiro (PT-SP) defendeu que ele seja mais preservado e se recolha até a total recuperação do tratamento do câncer na laringe. Devanir esteve com Lula semana passada, mas disse que os dois quase não conversaram porque ele está ainda se ressentindo muito dos efeitos da radioterapia.
- Os médicos já vinham falando pro Lula evitar se expor e ficar mais reservado, de repouso. Mas, às vezes, as pessoas insistem. Com a doença juntou a fome com a vontade de comer. Lula tem que ter paciência para voltar a trabalhar, deixar passar essa fase mais delicada, não é? Por causa de cinco dias pode perder cem. Ele emagreceu, está sem comer, mas se Deus quiser essa nova internação não vai ser nada não - disse Devanir.
Há dois dias Lula recebeu a presidente Dilma Rousseff em seu apartamento em São Bernardo, e foi fotografado sorridente ao lado dela e de dona Marisa.

Aula de Inglês - Vídeo


Decisões Históricas - Carlos Alberto di Franco


Carlos Ayres Britto




Duas decisões históricas do Supremo Tribunal Federal (STF) devolveram esperança à cidadania e mostraram que a Corte Suprema não é insensível ao justo clamor da opinião pública. Os ministros do STF cravaram duas magníficas estacas do Estado de Direito. Reconheceram os poderes de investigação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e decidiram que a Lei da Ficha Limpa vale para es eleições deste ano.
A decisão contraria liminar concedida pelo ministro Marco Aurélio Mello no fim do ano passado, atendendo pedido feito pela Associação dos Magistrados do Brasil (AMB), que tentava fazer valer a tese de que o CNJ) só poderia investigar magistrados após processos nas corregedorias estaduais.
Nada contra as corregedorias locais, muitas lideradas por magistrados íntegros e competentes. A experiência do corporativismo e do seu filhote, a impunidade, sugere que o Brasil não deve ver reduzidas ou limitadas as instâncias investigatórias, mas ampliadas.
Em entrevista à revista "Veja", o novo presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, reconheceu que o viés corporativista do Judiciário não é uma invenção da imprensa. O magistrado afirmou que alguns colegas e toga, envolvidos em supostos desvios, foram convidados a se aposentar sem a devida investigação. "Foi um erro gravíssimo. Deveriam ter sido investigados, punidos e expostos. Porém havia uma cultura de não fazer isso, para evitar que as pessoas pensassem que somos todos assim". Foi para evitar a cultura do acobertamento e a consequente impunidade que o Supremo Tribunal Federal referendou os poderes do Conselho Nacional de Justiça. A decisão foi uma vitória da sociedade e dos magistrados honrados que não querem a sombra dos privilégios, mas transparência que deve pautar o comportamento dos servidores públicos.
Em outra decisão histórica, o Supremo Tribunal Federal barrou os candidatos ficha suja nas eleições deste ano. "Uma pessoa que desfila pelo Código Penal ou pela lei da Improbidade Administrativa não pode se apresentar como candidato", afirmou o ministro Ayres Britto. (foto)
Quem quiser ser candidato não pode, por exemplo, ter sido condenado por um colegiado da Justiça ou por órgão profissional como Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e Conselho Federal de Medicina, mesmo que ainda possa recprrer da decisão. Nem pode renunciado ao mandato para escapar da cassação. Também ficam impedidos de participar da eleição os políticos que tiveram contas rejeitadas e demitidos do serviço público.
A decisão evidencia também a importância do trabalho da imprensa no combate à corrupçãp.

Operário "prega" a própria Mão


Os bombeiros de Miami foram chamados a uma residência de Coconut Grove (Flórida, EUA) para socorrer um homem de 47 anos. Ele havia pregado acidentalmente a própria mão no telhado da residência, onde fazia reparos. 

O operário estava usando uma pistola automática de pregos quando acabou acertando a mão, que ficou presa em uma peça de madeira do telhado. 

Os bombeiros tiveram que serrar uma parte do telhado e levar o operário para baixo. Aí conseguiram, com ajuda dos paramédicos, libertar a mão do sujeito, noticiou a CBS. Ele foi levado a um hospital e deverá se recuperar sem sequelas.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Quanto Vale Ronaldinho Gaúcho ?





Ronaldinho em partida do Flamengo contra o Resende
Foto: O Globo / Fabio Castro


Ronaldinho em partida do Flamengo contra o ResendeO GLOBO / FABIO CASTRO
RIO - Dia 9 de fevereiro de 2012, Engenhão. Ronaldinho perde um pênalti na apertada vitória sobre o Madureira. Dia 22 de fevereiro, semifinal da Taça Guanabara com o Vasco. O Flamengo sofre a virada. O que têm em comum as duas ocasiões? Em ambas, esperava-se que o astro, o carro chefe, o jogador a quem o Flamengo dedica altíssimo investimento, reagisse, buscasse o jogo com intensidade, liderasse. Não aconteceu. O desempenho e a conduta, somados à decisão do clube de arcar sozinho, sem parceiro, com todo o salário do astro, alimentam a discussão: Ronaldinho vale tamanho esforço?
Quando chegou, há 13 meses, ele custava ao Flamengo R$ 250 mil por mês — a Traffic pagava o restante. Os planos eram ousados: títulos, grandes atuações, lucro com a exploração da imagem. Mesmo que o produto entregue não fosse tão genial quanto em 2006, por exemplo, o risco não era tão alto. O Flamengo ganhou o Estadual, veio o Brasileiro e Ronaldinho teve uma fase de ótimas atuações. Depois, se apagou, teve problemas com Vanderlei Luxemburgo e, desde então, vive de lampejos. A sensação, mesmo quando não joga mal, é de que é comum, discreto. Por vezes cabisbaixo, ausente. Cumpre horários, vai aos treinos, mas é acusado de ter uma vida noturna que explicaria o declínio técnico. Dá poucas entrevistas, não se expõe. Tornou-se um produto difícil de vender, imagem difícil de explorar. Só que, agora, ele custa R$ 14 milhões por ano. Vai consumir 7% de tudo o que o Flamengo espera arrecadar em 2012, de acordo com seu orçamento. Sozinho, Ronaldinho receberá quase 20% dos gastos previstos com todo o departamento de futebol do clube. Em 2011, estudo do site "Futebol Finance", levando em conta só salários, colocava-o entre os 50 jogadores mais bem pagos do mundo. Era disparado, o recordista do país.

Amorim a Perigo - Merval Pereira

O destino do Ministro da Defesa Celso Amorim (foto) está diretamente ligado à sua capacidade de resolver a crise envolvendo os militares da reserva. As críticas à Comissão da Verdade e a posições de membros do governo Dilma levaram a uma posição radicalizada do governo, alimentada pelo Ministro da Defesa, que em nenhum momento tentou contornar a crise através do diálogo. Os tênues limites da lei que permite aos militares da reserva expressarem seus pontos de vista políticos estão sendo usados por eles para convencer os ministros militares de que estão no seu direito de cidadãos, enquanto Amorim puxa a corda para o outro lado, vendo quebra de hierarquia nos manifestos, que ganham mais adesões à medida que a crise avança. Já há no Palácio do Planalto quem entenda que a presença de Amorim à frente da Defesa, com seu estilo belicoso de atuar, não seja a melhor opção para superar a crise militar.  

Barack Obama: "Eu não Blefo"





De guarda-chuva, Obama caminha para embarcar no helicóptero presidencial em Maryland
Foto: AFP


De guarda-chuva, Obama caminha para embarcar no helicóptero presidencial em MarylandAFP
WASHINGTON — Numa de suas declarações mais duras sobre a questão iraniana até o momento, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, reforçou sua determinação de não deixar Teerã desenvolver uma arma nuclear, sugerindo mesmo uma ação militar. Mas numa mensagem ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, com quem se encontra na semana que vem, advertiu contra uma ataque preventivo israelense contra o território iraniano.
“Como presidente dos Estados Unidos, eu não blefo”, disse Obama em entrevista à revista “The Atlantic”, publicada nesta sexta-feira. “Como também, por questões políticas, não posso ficar divulgando exatamente quais são as nossas intenções. Mas acho que tanto o governo iraniano quanto o israelense compreendem que quando os Estados Unidos dizem ser inaceitável que o Irã tenha uma arma nuclear, nós queremos dizer exatamente isso.”
Nesta sexta-feira, os iranianos foram às urnas em uma eleição legislativa que, sem debate político e com a oposição praticamente ausente, deve ratificar o desafiador regime de Mahmoud Ahmadinejad. Diante das frequêntes ameaças, o presidente americano deixou claro que todas as opções para lidar com o país estão sobre a mesa — sendo a última uma intervenção militar —, lembrou que um ataque prematuro pode ser contraproducente e disparou:
“No momento em que o Irã não goza de muita simpatia, e que seu único aliado (a Síria) está em plena ebulição, vamos querer uma distração que permita ao Irã se apresentar como vítima?”
O primeiro-ministro de Israel, Benjamim Netanyahu, está em visita nos Estados Unidos e vai se encontrar com Barack Obama na segunda-feira da próxima semana. O principal tema em pauta será o programa nuclear iraniano.
Recentemente, os Estados Unidos e a União Europeia reforçaram as sanções contra o Irã. A Organização das Nações Unidas (ONU) ratificou as quatro rodadas de sanção contra o país, ocorridas entre 2006 e 2010, como resposta à recusa do país em suspender o enriquecimento de urânio e em cooperar com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Vagabundo e Boquirroto






Marco Aurélio Garcia ainda chamou Valcke de “boquirroto”
Foto: Ailton de Freitas/Arquivo O Globo


Marco Aurélio Garcia ainda chamou Valcke de “boquirroto”AILTON DE FREITAS/ARQUIVO O GLOBO
HANNOVER, Alemanha - O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, chamou neste domingo o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, de “vagabundo” por ter dito que o Brasil não estava organizando a Copa do Mundo como deveria e, por isso, merecia um “pontapé no traseiro”.
- O interlocutor (da Fifa) já está riscado. Esse cara é um vagabundo! - reagiu, pouco depois de chegar a Hannover, na Alemanha, na comitiva da presidente Dilma Rousseff.
Garcia disse que a presidente não discutiu isso à caminho da Alemanha:
- Imagina! A presidente tem coisas melhores para se irritar do que com os comentários de um boquirroto.
Garcia se mostrou particularmente irritado com a linguagem que Valcke usou e disse que não acredita que ele estivesse falando em nome da Fifa:
- Não me parece que bunda seja uma palavra diplomática, mesmo se traduzir como traseiro…
Ele disse que Valcke “mordeu a língua”:
- É um boquirroto. Ele não criou um problema para nós: criou um problema para a Fifa.
Garcia aproveitou para alfinetar Valcke como francês:
- Para aí: os franceses nunca se deram bem no colonialismo no Brasil...
Quanto ao mérito da crítica, o assessor especial da presidência disse que o Brasil vai ter o mesmo ritmo dos europeus e vai fazer (as obras necessárias) “do nosso jeito”.
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Os Bandidões - Luis Garcia




.Sou do tempo em que o jogo do bicho era considerado, aparentemente — ou inocentemente —, sem muito exagero, como uma instituição inofensiva e, de certo modo, até necessária. Uma espécie de território dos sonhos dos pobres e remediados, sua solitária possibilidade de melhorar de vida ou pelo menos ganhar uns trocados que dessem alegria passageira à mulher e à criançada.

Pode até ser que naquele tempo o jogo fosse isso mesmo, ou algo parecido. A história da contravenção ainda não foi escrita: falta alguém para nos contar quando e de que maneira o bicho simpático se transformou em dragão. É bem possível que a gente acabe descobrindo que ele nunca foi mansinho.

Para que isso aconteça, é preciso que vá adiante um projeto defendido pelo secretário de Segurança, José Mariano Beltrame. No papel, é simples: basta obter do Congresso a redefinição do bicho: feio crime, em vez de amena contravenção. E, enquanto o projeto avança em Brasília — com a agilidade que a pressão da opinião pública produzir em deputados e senadores —, Beltrame promete atacar em outra frente: uma força-tarefa para investigar a lavagem de dinheiro pelos bicheiros.

Que a lavanderia existe, ninguém tem dúvida, E funciona muito bem, como mostra a riqueza ostensiva (talvez seja mais apropriado defini-la como desavergonhada) dos chefões dessa modalidade de crime organizadíssimo.

A prosperidade dessa máfia tropical é responsável pelos mais graves casos de corrupção de policiais — tanto federais como estaduais. Mas os números oficiais são modestos. Por exemplo, nos últimos dois anos a PM abriu processo contra 82 policiais e acabou expulsando 50 deles. Na Polícia Civil, foram punidos nove no ano passado; este ano, por enquanto, apenas três. Talvez seja mais realista falar em números modestíssimos.

Aqui fora, a maioria da opinião pública com certeza não tem a menor simpatia pelos bandidões organizadíssimos. Mas também não parece desconfiar que apostar na dezena do cachorro é uma forma de ajudá-los a sustentar a imagem de quase inofensivos "banqueiros" do jogo do bicho e de generosos padrinhos de escolas de samba. Parece incrível que até hoje ninguém tenha descoberto uma maneira de expulsar os bandidões da passarela. Boa sorte, Beltrame. (foto)

Datafolha em São Paulo: Serra na Frente






O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo José Serra
Foto: Eliária Andrade


O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo José SerraELIÁRIA ANDRADE
RIO - Após anunciar, na terça-feira, a intenção de ser o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, o ex-governador José Serra cresceu nove pontos na pesquisa Datafolha e já aparece com 30% das intenções de voto.
A sondagem para as eleições de outubro, divulgada neste sábado, coloca Celso Russomano (PRB) em segundo, com 19% - um crescimento de três pontos em relação à última pesquisa, do fim de janeiro. Com 10%, Netinho (PCdoB) aparece em terceiro, seguido por Paulinho da Força (PDT), que tem 8%.
Segundo a pesquisa, o petista Fernando Haddad tem apenas 3% das intenções de voto, o menor apoio entre os principais nomes da corrida até aqui. Empatados, com 7% cada, estão Gabriel Chalita (PMDB) e Soninha (PPS).
A pesquisa sonda os eleitores também em outro cenário, em que Serra concorreria apenas com Chalita e Haddad. O ex-governador teria então 49% de apoio, mais que a soma dos votos dos dois eventuais adversários e o suficiente para garantir a vitória ainda em primeiro turno.
O Datafolha ouviu 1.087 eleitores entre quinta e sexta-feira passadas para elaborar a pesquisa, que tem margem de erro de três pontos percentuais.
As prévias tucanas, inicialmente marcadas para este fim de semana, foram adiadas para o próximo dia 25 de março. O secretário estadual de Energia de São Paulo, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Trípoli devem ser os adversários de Serra.