quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
As Gralhas Enfurecidas (020)
017 - em 30/11
018 - em 04/12
019 - em 07/12
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Estavam outra vez no mesmo restaurante, na mesma mesa, fazendo os mesmos pedidos: Ernesto, o espaguete à bolonhesa, sem queijo, por causa da alergia; Luiz Felipe, o medalhão ao molho roquefort com batatas fritas; Guilherme, a casquinha de siri como entrada e filé de linguado acompanhado por uma salada verde; Rodrigo, para manter seus cento e quatorze quilos, três pastéis de entrada, um tornedor gigantesco com arroz de passas e mais algumas provas da comida dos colegas; Pedro Rosenbaum, peito de frango com legumes, sem batatas.
Também o mesmo decreto, baixado ditatorialmente pelo Diretor e alegremente cumprido pelos seus subordinados principais: era proibido falar sobre trabalho e, se alguém tentasse, os outros emudeceriam nos primeiros segundos para logo depois começar a conversar entre si, sem sequer olhar para o infrator.
Os assuntos não eram os mesmos, mas o objetivo de todos era rigorosamente o mesmo: todos gozavam todos, todo o tempo, não importando o que tivesse sido falado.
Guilherme, o principal orador, era o alvo preferido de todas as gozações. Como continuava dependente da TV, apesar do rigoroso tratamento ao qual estava se submetendo, dissertava o tempo todo sobre tudo, e os companheiros enriqueciam seu mundo cultural, aprendendo sobre os hábitos sexuais do Diabo da Tasmânia ou sobre os hábitos alimentares da baleia malvada, aquela que sacudia o leão marinho, dilacerando-lhe o pescoço. Guilherme, Luiz Felipe dizia, era o único brasileiro vivo que assistia ao Globo Rural, ao Globo Ecologia, ao Globo Ciência, ao Globo Repórter e, evidentemente, ao Discovery. E, segundo Ernesto, jamais seria pai, pois faltavam-lhe tempo e vontade política para produzir a descendência.
Rodrigo pouco falava. Luiz Felipe e Ernesto ainda não tinham chegado a um acordo sobre a causa do silêncio. Luiz Felipe dizia que ele era politicamente correto, com fortes resquícios de uma educação britânica, pois vivera boa parte de sua vida em Oxford, ou seja, sabia que era uma enorme falta de educação falar com a boca cheia e ele estava sempre com a boca cheia. Ernesto concordava que a boca vivia cheia, mas, explicava, isto acontecia porque ela era muito pequena. Guilherme, que não podia ficar ausente da discussão, dizia que Rodrigo fora vítima de um tremendo acidente genético, pois, com quase cento e vinte quilos e um metro e noventa e dois centímetros de altura, não podia ter aquela boquinha.
Se Rodrigo pouco falava, Pedro Rosenbaum falava menos ainda e, neste ponto todos concordavam, isto se devia ao trágico destino que lhe fora reservado, pois estava, há três anos, comendo peito de frango com legumes, sem batatas, travando uma gloriosa batalha contra os triglicerídeos. Luiz Felipe defendia a tese de que quem comia peito de frango com legumes, sem batatas, há três anos, não tinha mesmo o que falar. Ernesto, que, como Guilherme, não conseguia ficar calado, dizia que Pedro Rosenbaum estava caminhando celeremente para ser vegetariano, tendência que se observou muito cedo, quando, nos tempos da Escola Hebraica, tinha levado a namorada para atrás da moita e comido a moita.
Ernesto levava mais de uma hora no percurso de casa para o escritório e a usava muito bem ouvindo uma tal de Rádio Bobagem que lhe fornecia farto material para as histórias da hora do almoço. Como isto era muito pouco, acrescentava suas próprias bobagens, e contava que comprara um “home theater” por vinte e cinco mil dólares, ou que instalara um sistema de computador que controlava a intensidade da luz, da temperatura e do som, em todos os cômodos da sua casa, de mil e duzentos metros quadrados. Ninguém, obviamente, acreditava.
Luiz Felipe, livre da depressão, narrava suas façanhas sexuais, não se preocupando em exagerar ou não, porque, afinal, ninguém acreditava mesmo em coisa alguma. Sem citar nomes, porque se julgava um cavalheiro, falava de uma dermatologista viúva que o entupia com torta de abóbora antes de levá-lo para o leito, e de uma sacoleira separada, cujo sonho de consumo, já quase realizado, era conhecer todos os motéis do Rio de Janeiro. Eventualmente, falava de uma psicóloga que ele mandara para a Europa para se especializar em psicologia sexual...
Mas não falava nada de uma advogada, amiga de fé, irmã, camarada, que em sua fantasia estava sendo preservada, pura e imaculada, para um santo himeneu, diante do altar, sob o Coro dos Hebreus, de Verdi. nem tampouco estava entendendo muito bem o porquê daquela associação de idéias. Mercedes, Rosângela, Ana Maria, Luísa ...
Próximo dos cinqüenta anos, surpreendeu-se pelo pavor repentino da velhice desacompanhada, e, confuso, começou a se perguntar se aqueles pensamentos ainda seriam resquícios da depressão, questionando também se a solidão, consentida ou não, era algo para ser comemorado. A festa das abóboras e o périplo pelos motéis da cidade estavam ficando insossos. A euforia, que sua psicanalista definira como uma doença tão séria quanto a depressão, e que freqüentemente a sucedia, tinha acabado.
Luiz Felipe estava sentindo uma necessidade vital de não sabia o quê, vivendo a tradicional piada da psicanálise, ou seja, procurando no quarto escuro, o gato preto que não estava lá.
Decididamente, ainda que odiasse ter de admitir, o encontro daquela manhã com a executiva da agência de publicidade o tinha perturbado, mas ele não sabia porquê nem em quê. Já estava achando que agira como um perfeito idiota, ao agredi-la e extremamente perverso ao contar a história do assédio sexual de seu colega Paulo César.
Totalmente perdido, estava pensando em telefonar para os dois, quando voltasse ao escritório, não para pedir desculpas, pois não se sentia muito capaz disso, mas para tentar minimizar os estragos que sua imaturidade podiam ter causado.
Aí, voltou a pensar em Mercedes, concluindo que devia falar com ela antes de ligar para Teresa, ouvir seu conselho, pois ela, certamente o ajudaria a raciocinar, a colocar um pouco de ordem no tumulto que pairava em seu cérebro.
Sim, tinha de ser Mercedes e não Rosângela, que, Luiz Felipe sabia, antes que ele terminasse a primeira frase, à qual ela não prestaria atenção, diria que não havia incucação alguma que uma boa transada não resolvesse.
Ao voltar ao escritório, Suzana passou-lhe os recados e Luiz Felipe ficou particularmente satisfeito com a informação de que José Eduardo, o amigo dos tempos da Seguradora francesa, que o tinha ultrapassado na corrida de automóveis, havia telefonado. Pediu à secretária que retornasse a ligação e às sete horas da noite encontrou-se com ele no bar do restaurante que sempre freqüentava quando precisava pensar na vida e decidir que não decidiria coisa alguma.
José Eduardo estava mais gordo. Sofrera um sério acidente de automóvel, tivera o pulmão perfurado, perdera o baço e, por causa disso, parara definitivamente de fumar.
- Antes do acidente eu estava fumando três maços por dia. Se é que este acidente pode ter trazido alguma coisa de bom, foi parar de fumar. Aí engordei vinte quilos, perdi toda a roupa e estou com o colesterol lá nas alturas. Sem contar que também deprimi e, como desgraça pouca é bobagem, também me separei da Renata.
Luiz Felipe riu para não chorar. Era tudo de que ele precisava para o fim daquela noite. E lembrou-se de sua estréia como ator, na formatura do curso científico, quando seu personagem, de uma peça de Millor Fernandes, dizia que tinha sempre alguém pior do que nós.
José Eduardo também riu e disse que, apesar de tudo, estava feliz porque tinha sobrevivido ao acidente e à separação.
E acrescentou:
- Você não vai acreditar, Luiz Felipe, mas o pior não foi ter ficado no hospital por cinqüenta dias, com todo mundo achando que eu ia morrer. Nem foi a separação. O pior mesmo foi a depressão. Que doençazinha miserável.
- É verdade. Também passei por isso. Não sofri nenhum acidente, mas enfartei e deprimi. E concordo com você: não há nada pior do que depressão. Um amigo, que passou mais de dois anos deprimido, me disse que era melhor ter câncer, porque você tem a solidariedade dos amigos. Já na depressão, que pouquíssimas pessoas entendem, todo mundo se afasta de você... Uma vez, ouvi um colega cochichar com outro, quando eu estava chegando, que lá vinha o cara com a nuvenzinha negra sobre a cabeça.
Luiz Felipe percebeu que a conversa estava parecendo com as reuniões dos neuróticos anônimos, onde ele fora três ou quatro vezes, na tentativa desesperada de se curar. Ele e o amigo José Eduardo, ali, no bar do restaurante, enchendo a cara, como diria Ernesto, eram os ex-deprimidos dando seus testemunhos para ajudar os infelizes deprimidos.
José Eduardo parecia estar entrando na tal da euforia, falando muito e apressadamente.
- O mais sério é a que a gente não sai do ar, quer dizer, a gente está perfeitamente consciente de que não há motivo para se sentir do jeito que a gente está se sentindo, mas não consegue sair do buraco. Todo mundo me dizia que eu tinha tido uma sorte enorme em não ter morrido no acidente. Renata, minha mulher, querendo ser engraçadinha, para me ajudar, dizia que eu tinha perdido o baço e não o braço, e que eu devia era estar soltando foguetes.
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Capítulo 21 - Prevista a publicação para 14/12.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
NATAL - Espalhe Esta Idéia

Sim ... Natal .. daqui a pouco ele chega .Que tal ir a uma agência dos Correios e pegar uma das 17 milhões de cartinhas de crianças pobres e ser o Papai ou Mamãe Noel delas?
Há a informação de que tem pedidos inacreditáveis. Tem criança pedindo um panetone, uma blusa de frio para a avó....É uma idéia. É só pegar a carta e entregar o presente numa agência do correio até dia 20 de Dezembro. O próprio correio se encarrega de fazer a entrega.
Na vida, a gente passa por 3 fases:
- a primeira, quando acreditamos no Papai Noel;
- a segunda, quando deixamos de acreditar e
- a terceira, quando nos tornamos Papai Noel!!!
Serra amplia liderança para disputa presidencial de 2010

O Datafolha ouviu 3.486 pessoas com 16 anos ou mais em 180 municípios do país. A margem de erro máxima da pesquisa é de dois pontos percentuais.
Na Cueca ? De Novo ?
(O Globo on line)Segundo a acusação do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, saiu da corretora de Quadrado, a Bônus-Banval, parte do dinheiro pago a parlamentares, supostamente em troca de apoio político ao governo federal.
No desembarque, policiais federais fizeram uma abordagem de rotina ao passageiro e descobriram que ele tinha maços de dinheiro vivo nas meias, na cintura, dentro da cueca e também numa pasta de mão.
Na chegada em São Paulo, ele preencheu um documento no qual a Receita Federal pergunta se o passageiro está portando valores superiores a R$ 10 mil ou o equivalente em moeda estrangeira. A resposta dele foi não.
Enivaldo Quadrado disse que estava carregando 300 mil euros. Mas, na contagem, agentes da Receita Federal e da PF verificaram que havia mais: um total de 361.445 euros, quase R$ 1,2 milhão. O homem foi preso por ter prestado informações falsas em documento oficial - crime que tem pena de até cinco anos de cadeia e mais multa.
Saia Justa

As fotos foram rapidamente tiradas do ar, assim como todas as outras de Favreau na comunidade, exceto aquela que ilustra o seu perfil. Questionado sobre as imagens, o jovem que vem sendo apontado como futuro diretor de discursos da Casa Branca, preferiu não comentar o assunto. Um membro da equipe de transição informou que Favreau apresentou um pedido de desculpas à senadora. (O Globo on line).
Onde Estão os 400 Milhões ?

Comentários dos Leitores
O Veríssimo é uma luz no fim do tunel da imprensa marqueteira dos dias de hoje.
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Anônimo sobre a nota "Seis Meses Antes do "Sifu"":
Ciro Gomes foi muito bairrista. Puteiro a céu aberto é Brasília, onde ficam o Congresso, o Executivo e o Poder Judiciário.
Roger sobre a "Estranho...":
Certo está o anônimo que "transferiu" o puteiro a céu aberto para Brasília. Especificamente para a Comissão de Ética que absolveu o pelego Paulinho da Força Sindical. Quem iria condenar um sujeitinho que janta com o Lula na Granja do Torto ? Quem iria querer ficar mal na fita com um Presidente que tem 70 % de aprovação ? E a reeleição de 2010 ?
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Para Manter a Sanidade - Luiz Fernando Veríssimo

Há dias li, já não me lembro onde, que um carregamento de seios postiços a caminho da Austrália tinha desaparecido. Não posso descrever minha alegria ao ler a notícia. Abandonei, imediatamente, toda preocupação com desastres naturais e econômicos e me entreguei a especulações sobre o fato insólito, ou, no caso, fofo. A notícia não trazia muitos detalhes. Aparentemente, tinham perdido contato com um navio carregado com 120 mil seios postiços - ou 60 mil pares, não sei. A localização do navio quando desaparecera não era revelada. Se fosse no Oceano Indico - especulei alegremente - a explicação podia ser um ataque de piratas da Somália, que teriam ocupado o navio, aberto os seus porões, mergulhado de ponta-cabeça na carga, gritando “Alá seja louvado!” e no momento discutiam o valor do seio postiço no mercado para cobrar o resgate.
O navio poderia ter naufragado, o que imediatamente sugeria a imagem de 120 mil seios boiando no oceano. Piloto de avião de busca para base: “Acho que localizei destroços do naufrágio, boiando sugestivamente na superfície. Cambio”. Náufrago abandonado na proverbial ilha deserta vê seios e mais seios chegarem na praia, olha para o céu, abre os braços e grita “Que parte do meu pedido você não entendeu, Senhor?!”
Mas o maior mistério de todos era: o que 120 mil seios postiços iam fazer na Austrália? Neste ponto deixei de me divertir com a notícia. Tive uma visão pungente de 60 mil travestis australianos esperando, inutilmente, no porto.
Ainda o "Sifu"

Seis Meses Antes do "Sifu"

Love Story

Há quem diga que Lula estaria repetindo a atitude do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002, quando se aproximou de Lula, para evitar perseguições. Em troca, Fernando Henrique franqueou informações do governo para facilitar a transição.
A interlocutores, Serra tem dito que o presidente tem sido correto com São Paulo. Ao contrário dos petistas, os tucanos não parecem se incomodar com o flerte. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), nega que Lula teria escolhido não só a candidata, Dilma, como seu adversário, Serra.
Estranho...

Comentários dos Leitores
Já escrevi uma vez. Sou gay, sem nehum trauma. Me dou muito bem com minha ex-mulher e meus dois filhos. Você continua brilhante nos seus comentários sobre notícias de jornais. Este de hoje é conciso, verdadeiro e reflete a dimensão do problema.Na condilçao de discriminado, agradeço.
Caro Armando,
Agradeço os elogios.
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Nelson sobre "As Gralhas Enfurecidas (019)":
Tava na cara... Luiz Felipe vai pegar a Tereza. Quando ? No próximo capítulo ?
Caro Nelson,
Mais um velho deitado da minha avó: "O tempo se vinga das coisas que são feitas sem a sua colaboração".
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Alberto del Castillo sobre a nota "Meu, Sifu !":
O que mais impressiona é a certeza que o presidente tem de conhecer todos os assuntos.
Quem não tem dúvidas jamais aprende coisa alguma.
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Jorge Eduardo sobre a nota "Meu, Sifu !":
Esse cara aos poucos vai acumulando adjetivos: mentiroso, iletrado, vulgar, boquirroto, fanfarrão, deslumbrado, ignaro, pé-frio, monoglota, cúmplice, alcoólatra, populista, equivocado, omisso e agora CHULO.
É um daqueles personagens de botequim que vivem entornando caninha da roça e derramando toda sorte de asneiras.Como todos eles tem apelido o qual, daqui em diante, passa a ser:" lula, o boca suja "
domingo, 7 de dezembro de 2008
As Gralhas Enfurecidas (019)
018 em 04/12
017 em 30/11
016 em 25/11
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Ele ajeitou outra vez o laço da gravata e tentou falar. Mas não chegou a completar a primeira frase, porque Luiz Felipe o interrompeu bruscamente: - Lembrei ! Já sei onde nos conhecemos ! Foi numa festa de aniversário. Lembra ? Você disse que era professor de História Egípcia e me convidou para conhecer uma coleção de reproduções de hieróglifos no seu apartamento.
Antes que o dublê de Diretor de Artes e professor de História Egípcia fizesse qualquer comentário, Luiz Felipe levantou-se, despediu-se e marcou a data da próxima reunião. Teresa sugeriu que o novo encontro fosse na agência, quando ele teria a oportunidade de conhecer o sócio principal e os colegas que estavam trabalhando na campanha.
Luiz Felipe concordou, pensando que, afinal, era justo que o segundo tempo do jogo fosse no campo dela. Enquanto esperavam o elevador, não resistiu e, sem olhar para Paulo César, perguntou à Teresa se ela já tinha ido ao apartamento dele, fazendo uma pausa teatral antes de justificar a pergunta:
- Para ver os hieróglifos...
Teresa estava convencida de que fizera um bom trabalho, de que se comportara muito bem, não aceitando as provocações de Luiz Felipe, mantendo-se calada e absolutamente tranqüila. Mas estava preocupada. E enquanto voltava para a agência, pensava que precisava falar com seu chefe, porque havia fatos novos que poderiam alterar o rumo dos acontecimentos.
A conta da GLS era realmente muito importante, porque o que estava em jogo não era somente aquela campanha do lançamento das novas plataformas, mas a possibilidade de a Mark and Spencer ganhar o primeiro cliente na área de seguros e o primeiro possível cliente, era nada menos, do que a terceira Seguradora do país, preparando-se para aumentar sua participação no mercado e alcançar o primeiro lugar nos próximos cinco anos.
A aproximação com a GLS fora conseguida através do Diretor de Artes, que conhecia o Diretor de Marketing da Seguradora, e com quem, pelo menos é o que fora dito, ele jogava golfe uma vez por semana.
Quando os primeiros contatos foram feitos, Charles Spencer, o Partner in Charge da agência, indicou Teresa para ser a coordenadora do projeto e ela percebeu que tinha diante de si uma ótima oportunidade para mostrar seu talento.
A reunião daquela manhã, contudo, a deixou preocupada. O “atrazo”, com zê, fora uma tremenda idiotice e o revisor seria convenientemente advertido. A tal frase de abertura, com o emprego do “calcule” para apresentar uma plataforma de cálculo, ela agora concordava, não era das mais felizes, merecendo, talvez, a nota negativa recebida. Estes fatos não eram graves, podiam ser consertados.
Mas havia o Paulo César que, inventando aquela bobagem de professor de História Egípcia, tinha logo de se engraçar com quem ia praticamente decidir a escolha da agência. O que pensaria Luiz Felipe ?
O que fazer ? Tirar o Diretor de Artes do projeto ? Charles Spencer aceitaria, se justamente Paulo César fora quem conseguira o contato inicial ? Fazia sentido exclui-lo, se ele jogava golfe semanalmente com o Diretor de Marketing da GLS ? Teresa assustou-se com o pensamento seguinte: será que o Diretor já tinha ido ver a coleção de hieróglifos, que não existia ? Se isto tivesse acontecido, ou estivesse acontecendo, os méritos da obtenção da conta iriam todos para o falso professor de História Egípcia, não importando os “atrazos” constantes no seu texto.
Entrou em sua sala acompanhada por Paulo César, que permanecera calado durante toda a viagem do centro da cidade até Botafogo. Mas, agora, a sós com Teresa, sem a presença do motorista, disse que queria conversar.
- Em primeiro lugar, Teresa, quero lhe dizer que realmente eu conheci o Luiz Felipe numa festa de aniversário de uma amiga mas não me lembro muito bem desta história de hieróglifos...
Teresa o interrompeu dizendo que ele não tinha que lhe dar satisfação alguma sobre sua vida particular e não estava nem um pouco interessada no que ele fazia ou deixava de fazer.
E, com muito cuidado para não ofender, e, como sempre, tentando ser profissional, acrescentou:
- Se você se encontrou ou não com ele, se ele foi ou não foi a sua casa, eu não tenho nada com isso. Ele não é meu marido, nem você é meu marido... O que temos que pensar é se, e como, isto pode afetar o nosso projeto, ou seja, se o Luiz Felipe vai se aproveitar disso para me prejudicar, se ele vai...
Paulo César não permitiu que ela continuasse:
- Disso o quê, Teresa ? E prejudicar você, por quê ?
Fez uma pausa, interfonou para a copa, pediu café, tirou a gravata e, muito seguro, continuou:
- Se você pensa que aquela babaquice do atraso com zê, e tudo mais que ele falou, foi para prejudicar você, está redondamente enganada. Eu já disse que conheço os homens ? Pois é. O que ele estava fazendo é se exibir para você, chamando sua atenção, como um pavão abrindo as penas.
Teresa riu, sentindo-se descontraída.
- E, finalmente, minha cara, quer saber ? Ele está muito a fim de você.
- Que idéia, Paulo César... que idéia !
Charles Spencer chamou os dois para ouvir o relato do primeiro encontro com o futuro cliente.
Teresa deixou que Paulo César falasse, mesmo sabendo que ele não era tão objetivo quanto ela, sempre acrescentando pormenores que não tinham nada a ver com o assunto principal. Mas isto não tinha importância, porque, afinal, Charles Spencer gostava dele e da maneira graciosa com que ele contava suas histórias. E confiava muito nele.
Além disso, Teresa estava meio distante, remoendo tudo que ouvira de seu colega e, como um computador que tivesse travado, não conseguia ir em frente, sem deletar a afirmação final, quase novelesca, de que Luiz Felipe estava a fim dela.
O sócio encarregado convidou-os para almoçar. Teresa passou antes em sua sala e, vendo o velho Aurélio dormindo sobre a mesa, não resistiu e acordou-o. Paulo César, esperando na porta, disse que ela não precisava procurar porque atraso era com esse mesmo. Mas Teresa não estava mais preocupada com o atraso e estava na letra efe.
O Aurélio, então, lhe explicou que “estar a fim de alguém” significava estar querendo namorar ou fazer amor.
Foi almoçar.
Tentou se recompor, colocar de lado todos os pensamentos confusos que lhe estavam incomodando desde a hora em que encontrara Luiz Felipe... por que ele a impressionara tanto ? Será que estava tão carente assim, a ponto de acreditar em bobagens do tipo “amor à primeira vista”? Ou seria “uma forte atração sexual à primeira vista” ? Na sua idade ?
Mas, seu computador travara outra vez e a mensagem não saía do monitor: por que Paulo César dissera que Luiz Felipe estava a fim dela ? E se fosse verdade ? E se ela também estivesse a fim dele ?
Até que ponto isto atrapalharia a continuação do processo ? Até que ponto isto prejudicaria os seus planos de carreira na Mark and Spencer ?
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Capítulo 20 - Prevista a publicação para 10/12.
sábado, 6 de dezembro de 2008
Meu, Sifu !

- Ou você diria ao paciente: Meu, sifu. Vocês falariam isso para o paciente de vocês? Vocês não falariam. (O Globo on line)
Discriminação no Céu...
- O próximo!
- Marceneiro.
- Por aqui. Próximo!
- Advogado.
- Por aqui. Próximo!
- Médico.
- Por favor, fornecedor é pela porta dos fundos!
Se Quiserdes Manter vossos Empregos, Engravidai vossas Mulheres

Lula manda Comprar

Segundo Lula, a população, muitas vezes influenciada pelo noticiário, deixa de comprar temendo perder o emprego, mas a lógica, de acordo com ele, está errada. As pessoas podem perder o emprego caso não comprem. Deixando de comprar, disse o presidente, as fábricas não produzem mais automóveis e outros bens duráveis, o que pode fazer com que as montadoras de veículos promovam demissões.
Na foto, para dar o exemplo, o Presidente Lula comprando, de sociedade com o Governador José Serra, seu carrinho novo. (Com o cartão corporativo, é claro)
Comentários dos Leitores
Muito bom o texto, sobretudo porque ao ver o título e a foto, pensei que fosse um louvor ao Golpe de 64.Ao contrário, é de uma ironia beirando o sarcasmo. Uma pequena obra-prima. Você pode informar o autor ?
Caro Anderson,
Não sei quem é o autor. Se soubesse, como é a norma do Bob's Blog, teria publicado.
Agradeço sua participação.
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Anônimo sobre a nota "A Arrogância do Aborrecente":
Aprimorando as coisas inventadas por vocês.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Modus in Rebus

A Crise - Uma Fábula do Século XXI
(Fernando Caldeira)
A crise
(Autor Desconhecido)
Um homem vivia à beira de uma estrada e vendia cachorro quente. Ele não tinha rádio, não tinha televisão e nem lia jornais, mas produzia e vendia o melhor cachorro quente da região. Ele se preocupava com a divulgação do seu negócio e colocava cartazes pela estrada, oferecia o seu produto em voz alta e o povo comprava e gostava. As vendas foram aumentando e, cada vez mais ele comprava o melhor pão e a melhor salsicha.
Foi necessário também adquirir um fogão maior para atender a grande quantidade de fregueses. E o negócio prosperava e prosperava . . .
Seu cachorro quente era o melhor! Vencedor, ele conseguiu pagar uma boa escola ao filho.
O menino cresceu, e foi estudar Economia numa das melhores Faculdades do país.
Finalmente, o filho já formado, voltou para casa, notou que o pai continuava com a vida de sempre, vendendo, agradando e prosperando e teve uma séria conversa com o pai :
- Pai, então você não ouve rádio? Você não vê televisão? Não acessa a Internet e não lê os jornais? Há uma grande crise no mundo. A situação do nosso País é crítica. Está tudo ruim. O Brasil vai quebrar!
Depois de ouvir as considerações do filho Doutor, o pai pensou:
Bem, se meu filho que estudou Economia na melhor Faculdade, lê jornais, vê televisão e internet, e acha isto, então só pode estar com a razão!
Com medo da crise, o pai procurou um fornecedor de pão mais barato ( e é claro, pior ).
Começou a comprar a salsicha mais barata ( que era, também, a pior ). Para economizar, parou de fazer cartazes de propaganda na estrada. Abatido pela noticia da crise, já não oferecia o seu produto em voz alta.
Tomadas essas ‘providências’, as vendas começaram a cair e foram caindo, caindo e chegaram a níveis insuportáveis e o negócio de cachorro quente do velho, que antes gerava recursos até para fazer o filho estudar Economia na melhor Faculdade… quebrou.
O pai, triste, então falou para o filho:
- Você estava certo, meu filho, nós estamos no meio de uma grande crise!
E comentou com os amigos, orgulhoso:
- Bendita a hora em que eu fiz meu filho estudar economia, ele me avisou da crise …
Aprendemos uma boa lição :
Vivemos em um mundo contaminado de más noticias e, se não tomarmos o devido cuidado, essas más noticias nos influenciarão a ponto de roubar a prosperidade de nossas vidas...
Pitta - O Retorno

A Arrogância do Aborrecente
- Vocês cresceram em um mundo diferente, um mundo quase primitivo.
Nós, os jovens de hoje, crescemos com televisão, aviões a jato, viagens espaciais, homens caminhando na Lua, nossas espaçonaves tendo visitado Marte. Nós temos energia nuclear, carros elétricos e a hidrogênio, computadores com grande capacidade de processamento, celulares...
- Você está certo, filho. Nós não tivemos essas coisas quando éramos jovens... por isso nós as inventamos. E você, o que está fazendo para a próxima geração?'
Jogador Italiano Prestigia Evento Gay no Brasil

(Na foto jogador italiano (não gay) prestigiando o evento no Brasil)
Comentários dos Leitores
Mal posso esperar pelo próximo capítulo.É óbvio que o Luiz Felipe também vai transar com a Teresa. Mas, será que também vai encarar o Paulo César ? Tá ficando quente essa novela !
Parabéns.
Prezado Nelson,
Não há mais na TV, nem aqui, as cenas dos próximos capítulos... Aguarde porque o próximo capítulo será publicado no domingo. Diferentemente das novelas na TV, onde o desenvolvimento da história ocorre conforme os índices do IBOPE, As Gralhas estão prontas desde 1999. O destino de todos os personagens já está traçado.
Agradeço os elogios.
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Antonio Fernando Esteves sobre a nota "Paulinho Absolvido":
Que País é esse ...........
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Inter de Porto Alegre conquista a Copa Sul-Americana

Éramos Felizes e não Sabíamos

Paulinho Absolvido

Ivanildo vai ao Banco Central

A MP 442 também possibilita que o BC faça empréstimos em moeda estrangeira a instituições financeiras e permite que empresas de leasing emitam letras de crédito.
- A proposta se encontra entre as medidas necessárias para o enfrentamento da crise - declarou em discurso o senador Francisco Dornelles (foto), relator da matéria no Senado.
Dornelles manteve o texto aprovado na Câmara, o qual determina que o Banco Central apresente a cada trimestre relatórios sobre as operações realizadas. O projeto também estabelece a punição dos controladores de instituições financeiras que venderem ao BC carteiras de crédito que se tornarem insolventes.
- Nesta matéria, o PSDB concorda com os pressupostos de relevância e urgência da medida provisória. Trata-se do enfrentamento de uma crise de proporções agigantadas - destacou o senador Alvaro Dias (PSDB-PR).
Ivanildo diz que vai demorar para voltar do almoço.
- Vou passar no Banco Central, chefe.
- Alguma reportagem ?
- Não, chefe. Estou atrasado no carnê das Casas Bahia, nas contas de luz e gás e no curso de passadeira da minha patroa. Vou ver se o Banco Central pode me dar uma ajudinha.
Lula em Setembro: Crise ? Que Crise ?

Comentários dos Leitores
Segundo amigos gays que tenho (e me honram com a sua amizade), não há opção. Eles não acordaram um dia qualquer, olharam-se no espelho e tomaram a decisão: "a partir de hoje serei gay, discriminado, humilhado, ridicularizado ou, no mínimo, acusado de ter optado por uma preferência sexual fora dos padrões". E costumam saber o que preferem desde a mais tenra infância.
Armando sobre a nota "Nomes... De Novo":
Concordo em gênero, número e grau com a Sra. Clara. Sou gay assumido, tenho 39 anos, vivo numa boa com minha ex-mulher e meus dois filhos e também no local de trabalho. Não fiz nenhuma opção sexual aos dezoito anos. É uma frase infeliz do autor do texto. Acho que ele quis dizer que, aos dezoitos anos o gay, que já nasceu gay, assume sua condição. Alguns, como eu, assumem mais tarde.O que pensa a Sra. Clara ?
Clara sobre a nota "Nomes... De Novo":
Pois é, Armando! Daqui a algumas décadas ou quem sabe alguns anos, as pessoas comentarão : "no começo do século 21 tinha gente que achava ser feio ou anormal ser homossexual, que afinal é uma coisa tão normal...". E aí a turma que hoje pensa que isso é algo a ser discutido por quem quer que seja vai parecer tão antiga...
Anônimo sobre a nota "Nomes... De Novo":
Essa onda de gayismo está virando uma tsunami. Se homossexualismo fosse normal, Deus não teria criado Adão e Eva e sim Adão e Ivo.
Clara sobre a nota "Nomes... De Novo":
Esta piada antiga e pobre do "anônimo" é um dos exemplos da mentalidade ultrapassada que algumas pessoas ainda têm. E são tão pobres de espírito que precisam se esconder no anonimato.
Hugo sobre a nota "Nomes... De Novo":
Gente, vamos parar com essa obsessão por gays. A matéria é sobre nomes. A referência a gays foi apenas pontual e o leitor Armando matou a charada, ou seja, o que o autor do texto deve ter querido dizer é que aos dezoitos anos (poxa, vê se entendem: dezoito, a maioridade)o gay decide assumir ou não. Foi uma piada !
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Otelo sobre a nota "Obama e Hillary - Café com Leite":
Não foi politicamente correto colocar uma foto do Obama e da Hillary sob o título "Café com Leite".
Soa a preconceito racial. Até quando ?
Caro Otelo,
Se você se chama realmente Otelo? Lembrei de outra dupla café com leite que saiu da pena de Shakespeare: Otelo e Desdêmona e espero que a dupla americana não tenha o mesmo fim trágico...
Quanto ao politicamente correto, lembro meu texto de 10/11 - Bagus Plenum sum - em bom português, estou de saco cheio - com esta bobagem de politicamente correto. E continuo. Cada vez mais.
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Jorge Eduardo sobre a nota "Justiça Condena Daniel Dantas a 10 anos de Prisão":
Hoje no JB (que só eu e o revisor lemos)Augusto Nunes escreve sobre o caso de um promotor- Thales Ferri Schoedl- que matou um e feriu gravemente outro indivíduo por haverem, juntos, mexido com a namorada do cara:
"Na semana passada, a questão foi liquidada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo...Por unanimidade, os 23 desembargadores dispensaram Schoedl de quaisquer culpas..."Entende-se como legítima defesa", diz o texto...".
É isso ai.
A Justiça no Brasil tarda e falha.E ai de quem roubar a galinha do vizinho: vai para em Bangu 1, no mínimo.
As Gralhas Enfurecidas (018)
- Consulta médica, às onze horas da noite ?
- É, Suzana, é a única hora livre dela.
Mercedes resolveu fazer o jantar em casa. Luiz Felipe sentiu-se como um adolescente, entrando, pela primeira vez na casa da namorada... não levou um ramo de flores, mas entregou duas garrafas de vinho italiano, da mesma marca que vira Mercedes devorar na festa de aniversário de sua amiga.
Na sobremesa, com o segundo Valpolicello já pela metade, Mercedes, com uma voz deliciosamente enrolada, apresentou seu relatório sobre as candidatas ao namoro.
- Onde é que você arrumou aquelas mulheres ? Deus me livre, como falam. Olha que meus colegas dizem que eu falo demais, mas as suas amigas... Pareciam umas gralhas enfurecidas.
Luiz Felipe concordou e disse que elas, certamente, estavam se exibindo, mas não informou que a dermatologista era a gralha chefe, que, realmente não tinha parado de falar nem quando foi para a cama com ele... Não, não seria correto acrescentar esta informação.
Finalmente, Mercedes emitiu seu longo parecer e concluiu:
- Em suma: se você quer se chatear pelo resto da vida, fique com a professorinha de química... ela é muito chatinha...a psicanalista é aquilo mesmo, ou seja, uma psicanalista, e acho que você já lidou demais com este gênero em toda a sua vida.
Luiz Felipe pensou na dermatologista mas achou que Mercedes não falaria sobre ela porque, afinal, não estava sequer inscrita no concurso.
Enganou-se:
- Agora, a viúva assanhada...
Ricardo, o filho temporão de Mercedes, do alto da ingenuidade de seus treze anos, apareceu na sala e perguntou à mãe se Luiz Felipe era o novo namorado dela. Falaram, então, sobre filhos e a viúva assanhada foi esquecida.
Encerraram a noite com vinho do Porto e às duas da madrugada Luiz Felipe, mais ou menos bêbado, estava na casa da viúva assanhada, que o esperava desde as dez, com uma deliciosa torta de abóbora a qual, ela afirmou, era bom para curar a ressaca, depois do jantar de negócios que ele disse que tivera...
No dia seguinte, chegou ao escritório às dez horas, cansado, com sono e de ressaca, culpando a torta de abóbora. Ligou o micro, conectou a Internet e, desanimado, viu que tinha cento e quarenta e três mensagens para responder.
A primeira vinha de uma tal rosangela@ion.com.br e transcrevia uma nota do jornal sob o título “odor que excita”, na qual o pesquisador chefe da Fundação de Pesquisas do Cheiro e Sabor, de Chicago, declarava que o que tirava as mulheres do sério era o odor de pepino, talco infantil e doce de anis. Quanto aos homens, escrevia o Doutor Alan Hirsch, o que mais excitava o pênis era o cheiro da torta de abóbora.
Luiz Felipe apertou a tecla do responder e sugeriu a Rosângela que no próximo encontro ela o esperasse fantasiada de abóbora, informando que ele iria vestido de pepino. E acrescentou que, se depois de tudo, ainda se sentissem insatisfeitos, poderiam comer um ao outro.
Adiou as respostas às outras mensagens porque havia trabalho mais urgente a ser feito. O projeto da agência havia sido finalmente entregue e Luiz Felipe tinha que examiná-lo para expor suas primeiras impressões na reunião que teria no final da tarde, com Ernesto Fialho e Mauro Cardoso.
Como acontecera em outras oportunidades, a GLS não estava utilizando a agência de publicidade encarregada de sua comunicação permanente, seja nas revistas, nos jornais, na TV, nos out-doors, nas ruas e nos estádios de futebol. Para campanhas específicas, o projeto era sempre entregue a outra agência, escolhida pelo Comitê de Marketing.
A agência escolhida fora a Mark and Spencer e a responsável pela campanha era uma mulher que, segundo Mauro, fizera uma carreira meteórica na empresa, destacando-se em campanhas muito boas para uma rede de supermercados e no lançamento de uma nova marca de cigarro.
- O Charles, o sócio principal, me contou que depois que ela ficou viúva, o trabalho se tornou uma verdadeira obsessão. A gente sempre subestima essas mulheres, vocês não acham ?
Luiz Felipe pensou na sua psicanalista e em sua observação de que ele, não tendo casado, vivia cercado por mulheres. A dentista, a professora de italiano, a psicanalista. E, agora, o profissional de publicidade, com quem passaria a tratar sobre o projeto de divulgação das novas plataformas da GLS era, também, uma mulher.
Foi para o bar que sempre freqüentava quando queria pensar na vida e decidir que não decidiria coisa alguma...
Bebeu três doses de uísque e, pelo celular, telefonou para Rosângela, mas desligou antes que ela atendesse. Achou que se fosse para a casa dela, acabariam na cama e Luiz Felipe não sentia a menor vontade de fazer sexo, como, aliás, sempre acontecia depois de três uísques, e das duas cervejas tomadas antes, ainda no escritório, no final da reunião. Então, telefonou para Mercedes. Ela ainda era, por enquanto, a amiga com quem gostava de conversar, a amiga com quem ainda mantinha, por enquanto, um relacionamento platônico, o que quer que isso pudesse significar.
Ricardo, o filho temporão, atendeu e transmitiu o recado:
- Minha mãe está na casa da minha avó.
Pensou em Rosângela. Pagou a conta, telefonou-lhe, e seguiu para Copacabana, com muita esperança de que tivesse sobrado um pedaço da torta de abóbora e de que ela conseguisse eliminar o efeito nefasto das doses de uísque que perambulavam ameaçadoramente em seu cérebro.
Luiz Felipe chegou outra vez atrasado ao escritório, mas não estava sentindo os efeitos da bebida da véspera, quase acreditando que a torta de abóbora, além das qualidades divulgadas pela Fundação de Pesquisas do Cheiro e Sabor, de Chicago, era mesmo bastante eficiente na cura de ressacas, como dissera sua namorada dermatologista.
Teresa, a publicitária da Mark and Spencer, chegara há meia hora, acompanhada por Paulo César, o Diretor de Artes da agência, uma figura estranha, usando suspensórios cor de rosa e uma ridícula gravata borboleta da mesma cor, sobre uma camisa preta. Era assim que se vestiam os Diretores de Artes das agências de publicidade ?
Teresa estava fazendo uma magnífica apresentação do projeto de divulgação, usando um sofisticado programa de computador, mas Luiz Felipe já não estava prestando atenção. Um pequeno gesto do Diretor de Artes, arrumando o laço da gravata, provocou-lhe uma sensação de “déjà-vu” e ele concluiu que, efetivamente, já o tinha visto, usando não necessariamente a mesma gravata, mas certamente uma outra, de igual mau gosto. Onde ? Quando ?
Terminada a apresentação, Luiz Felipe informou que examinaria toda a papelada e que faria algumas correções, porque havia alguns erros de ortografia no texto.
- Não sei se foi proposital, ou seja, se é um artifício publicitário, mas “atraso”, se não houve um novo acordo ortográfico entre Brasil e Portugal, nesta madrugada, se escreve com esse. É uma pequena falha...
Teresa sabia que a GLS podia vir a se tornar uma importante conta para a agência. Era preciso ser profissional.
Dirigiu-se ao seu colega Paulo César:
- É uma vergonha nós chegarmos aqui sem o texto bem revisado. Paulo César, lembre-me, por favor, para falarmos com o Floriano.
Luiz Felipe passou mais algumas folhas e voltou a atacar:
- Outra coisa, Teresa, apresentar a plataforma de cálculos aos corretores com essa frase... é de uma criatividade nota menos três.
E leu a frase, imitando o locutor da TV, encerrando o jornal das oito:
- Corretor: calcule o que nós podemos fazer por você!
O Diretor de Artes também sabia da importância daquele encontro. Ele tinha perfeita consciência do que a conta da GLS Seguros, mesmo na contratação de campanhas temporárias, poderia representar para a agência em termos de faturamento e de prestígio, mas também sentia-se protegido pelo Diretor de Marketing, que era o chefe do chefe de Luiz Felipe, e achou que não precisava ficar tão calado quanto Teresa.
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Justiça Condena Daniel Dantas a 10 anos de Prisão

Ihhhhhhhhhhhhh !!!

Deixo para Ivanildo explicar:
- Os verbos derivados de VIR se conjugam como ele. O futuro do subjuntivo do verbo VIR é VIER. Exemplo: Se ele vier aqui, dou o seu recado. Logo, não é se a polícia intervir e sim se a polícia intervier. Fui !
Nomes... De Novo

Nos comentários, a leitora Clara citou um Marciano, filho de Mara e Luciano e o leitor Pedro Paulo, um gozador, escreveu que sua mãe se chamava Mercedes e seu pai Damasceno, mas que felizmente não lhe o registraram como Merda.
Vejo, agora, no Globo on line que o jogador português do Manchester United, ganhou o prêmio de melhor do mundo. Seu nome: Cristiano Ronaldo. (foto).
Esquisito, não ? Como esquisito é o meu nome: Roberto Ricardo. Por uma razão que não sei explicar, acho que para se ter dois prenomes, um deve ser dissílabo e o outro trissílabo, não importando a ordem. Assim, caem bem Paulo Roberto, Roberto Carlos, José Alberto, Pedro Henrique etc etc etc.
O que penso mesmo é que as pessoas deviam ter um nome provisório (por exemplo: filho 1, filha 1...) até aos 18 anos. Nesta idade, assim como fazem a opção sexual, escolheriam o nome.
Que acham ? Vamos fazer uma campanha para alterar o Código Civil ?
A NASA e o Xixi

Cientistas da NASA (foto) estavam testando um equipamento que custou U$ 250 milhões desenvolvido para reciclar a urina e outros dejetos líquidos, na nave espacial, transformando-os em água potável. O equipamento, contudo, não funcionou. Então, cuidado, não acredite se surgir uma publicidade na TV oferecendo xixi reciclado. Não é reciclado.
Comentários dos Leitores
Caro Fernando,
Sou mulher, sou loura mas não sou burra. Mas, não entendi.
Você diz que a história é escrita pelos vencedores. Quem foram os vencedores no caso de João Cândido ? A história que o trata como herói (com estátua inaugurada com a presença do Lula) ou a que o apresenta como vilão, como o artigo do Capitão de Mar e Guera Gilberto ? Afinal, ele foi um herói ou um crápula ?
Prezada Sheila,
“Os vencedores” são uma referência àqueles que um dia chegaram ao poder. No nosso caso, são aqueles que estão no poder, convencidos de que - só agora – podem cumprir um destino traçado há décadas. Assim, no presente não conseguem construir o futuro; contentam-se em realizar o passado. Não é novo, nem é privilégio de brasileiro, manipular o passado de modo a justificar o que o manipulador ousou pensar à época; nem tão pouco o é fazê-lo desonestamente, de olhos postos em vantagens futuras. Vale tudo, até criar heróis.
Nada disso é História. É puro engodo. Não sei se João Cândido foi um crápula, mas herói não foi.
Fernando Caldeira
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Anônimo sobre a nota "Obama e Hillary - Café com Leite":
Por falar em dormir com o inimigo ...
As chances de reeleição do Obama caíram pela metade
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Alberto del Castillo sobre a nota "Obama e Hillary - Café com Leite":
Vamos ver quem vencerá esta batalha de "egos".Acho a Hillary mais preparada para engolir o adversário.
O Obama abriu uma porta muito difícil de fechar para a próxima eleição.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
A história é escrita pelos vencedores – Fernando Caldeira (*) - Final
CMG (RM-1)
Pior é que João Cândido, um marinheiro velho, de trinta anos, não foi um amotinado naquela revolta. O motim vinha sendo urdido por marinheiros novos, vindos das novas Escolas de Aprendizes do Nordeste, mais intelectualizados e cooptados por políticos. O Marechal Hermes da Fonseca assumira há uma semana. Tinha derrotado Rui Barbosa nas urnas. Trazia de volta os militares ao poder , que haviam perdido desde a saída de Floriano Peixoto, quinze anos antes.
A Revolta dos Marinheiros em 1910 eclodiu no Encouraçado Minas Gerais, recém recebido na Inglaterra. Na véspera o Comte. Batista das Neves havia punido um marinheiro com 25 chibatadas, a pena máxima prevista em lei. Cumpria o doloroso dever dos Comtes. ao julgar um subalterno que havia navalhado no rosto um companheiro dormindo. Como os ânimos estavam exaltados, resolveu dormir a bordo após voltar de um jantar num navio estrangeiro, na bóia, com o navio fundeado na Baía da Guanabara. Dispensou seu Ajord no portaló e rumou para o Camarote, sendo tocaiado e trucidado por golpes de machado do CAV. Era cerca de meia noite. Instalou-se grande confusão a bordo, com mortos e feridos. Não era um motim de marinheiros contra oficiais. Muitos subalternos lutaram junto aos oficiais. Outros navios, também fundeados, imaginaram que a revolta política havia começado, alguns aderiram. Na verdade , adrede marcada, eclodiria quinze dias depois, como eclodiu no Batalão Naval, onde hoje está o CGCFN.
João Cândido, entrara para a Marinha em Rio Grande, pelas mãos do então CF Alexandrino de Alencar, de cuja família era cria, com quinze anos de idade. Em 1910, amigo dos Oficiais, principalmente por sua ligação com o ex-Ministro Alexandrino,que acabara de deixar o poder, foi encontrado pelos verdadeiros revoltosos, escondido nas entranhas do Minas Gerais, e forçado a entregar o manifesto da revolta aos Deputados que rumavam para o navio numa lancha. Na verdade um só deputado, Oficial da MB na Reserva, aceitou a incumbência. Esse documento, cujo original está arquivado no SDGM, escrito a mão, por gente letrada, estava pronto e tinha data posterior ao dia da entrega. Nada falava sobre castigos físicos, sim da vida dura da guarnição, rancho ruim, falta de pessoal, soldos baixos, etc A chibata, deflagradora do motim no Minas, abortando o movimento, foi o pretexto arranjado pelos políticos, para militarizá-lo e cair fora das conseqüências. Políticos debateram no Congresso, que como sabem ficava na Cinelândia, sob a hipótese de bombardeio do Centro da cidade. Os jornais divulgavam as notícias, alarmando a população. O Presidente Hermes da Fonseca fora Ajord de seu tio, Deodoro da Fonseca, quase duas décadas antes, quando assistiu à sua deposição em condições semelhantes. Tudo indica que o movimento, de maior abrangência do que foi divulgado, pretendia depô-lo. Mas provas não existem. Após o pesado bombardeio ao Batalhão Naval, comandado pelo Gen. Menna Barreto, cujo Estado-Maior ocupou o Edifício Tamandaré, da Marinha, muitos documentos foram destruídos, inclusive depoimentos colhidos nos diversos inquéritos em andamento.
Esta história toda custou a ser estudada, principalmente pela vergonhosa participação da Marinha. João Cândido, negro, analfabeto, filho de escravos, foi usado por décadas como suporte a políticos populistas e ainda está sendo. Gostou do papel glorioso que lhe atribuíram. Assim, a história de sua vida é deturpada. Declarou, no Inquérito, que era nascido na Argentina. Na verdade foi numa fazenda próxima à fronteira no Sul. Em 63, quando estávamos na Escola Naval, no navio hidrográfico Canopus, o Comte Varella e seu Imediato foram assassinados por um Marinheiro julgado e punido na véspera com a pena máxima, dez dias de prisão rigorosa, a golpes de "machados do CAV". Não acham muita coincidência? Por esta época fazia sucesso o único livro publicado sobre a dita Revolta da Chibata, em tom ideológico, por um jornalista chamado Edmar Morel, quase um incitamento à insubordinação de marinheiros. Nesta época João cândido freqüentava o Sindicato dos Metalúrgicos, a convite, para contar detalhes de sua gloriosa história. Foi nesse Sindicato que Marinheiros se abrigaram, estimulados pela inoperância do Presidente João Goulart, para desafiar os Chefes Navais e a Instituição.
O Governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, recebeu e rendeu homenagens a João Cândido, já envelhecido, mas envaidecido pelas múltiplas e periódicas homenagens em diversas situações. Considero o valor desse cidadão por ter conseguido manter essa impostura por toda a vida e até depois da morte. O Alte. Hélio Leôncio Martins, historiador naval ainda vivo, primeiro Comte. do Nael Minas Gerais, estudou a fundo a "Revolta dos Marinheiros de 1910", documentou-se e publicou seu trabalho num livro de curta tiragem, na década de 80. Li-o em 1998, colhido numa estante do Clube Naval. Comparei-o com o do Edmar Morel, de 1963. Enquanto este só relata os jornais da época e o que dizia João Cândido, já senil, endeusando-o, o Alte. Leôncio produziu um trabalho encadeado, fartamente documentado, nada emocional, narrando fatos e deixando as conclusões para o leitor. Hoje tudo que ouço falar e vejo escrito na imprensa sobre o assunto, está pautado no livro do Morel. É pena! Fazer o quê. Recontar as mazelas da Marinha no passado? Faço isto sem prazer. Algumas vezes mandei estes escritos para a Imprensa. Fui ignorado. Não vende. A história ao contrário sim. Recentemente a família de João Cândido foi indenizada no que foi contado nos jornais como anistia. Mas como? Ele já foi anistiado três vezes. A primeira logo após a revolta, pelo Congresso. A Marinha não aceitou, prendeu-o junto com os outros, Teriam que pagar pelo menos pelo assassinato de Batista das Neves. Foi anistiado novamente depois, não seguindo para a Amazônia com os outros, para trabalhos forçados no Acre, na construção da Madeira-Mamoré. E agora, por influência da Ministra Marina Silva, pelo Congresso, com direito à indenização. Detalhe: ele faleceu em 1979.
O verdadeiro líder da Revolta, apareceu na década de 40, no interior da Bahia, contando a história do planejamento, urdido numa casa próxima ao Campo de Santana, no Rio de Janeiro, onde se reunia com civis. Chegou a escrever uma carta anônima para o SDGM, desmascarando João Cândido. Chamava-se Francisco Martins. Apurou-se que ele não servia no Minas, mas num dos navios engajados. Estranhamente conseguiu dar baixa da Marinha uma semana depois, silenciosamente. O Cabo Anselmo, líder da insubordinação dos marinheiros em 64 também está vivendo na clandestinamente. Vem tentando conseguir anistia, promoção e indenização. Conseguirá?
Agora vejo transferirem a estátua de João Cândido para a Praça XV. Estava no Museu da República há pouco tempo. Com tristeza.
Ivanildo, Jerominho e Pasárgada

Obama e Hillary - Café com Leite

Rubinho Sobe ao Pódio

Ivanildo, o Mau: Rubinho no kart é imbatível !
Eu Confesso: Assisto à "A Favorita"...

— Sabia que Orlandinho ia mudar de atitude, ficar machão, falando grosso, mas não sei se ele fica confuso ou se age de propósito — diz Iran.
A transa só não dura mais porque Céu pede arrego. Orlandinho sai da cama, veste uma bermuda, calça um par de sandálias e diz que vai pegar um “rango”. É o suficiente para Céu perturbar o marido: “Você virou macho, tá com voz de bofe!”. Ele pega seu robe bordado e se defende: “Pára de rogar praga, sua monstra. Sou muito gay”. É Orlandinho em cima do muro. De novo.
Comentários dos Leitores
Não sou gay anônimo. Sou uma anônima. Você é um gato muito charmoso. Não quer me dar seu telefone ?
Prezada Anônima,
Não será você a ninfeta anciã que passeou de elevador com James Bond numa tarde chuvosa de uma quinta-feira ?
Não vou lhe fornecer meu telefone mas sugiro (um amigo, dono de restaurante japonês) trocarmos mensagens por e-mail. Eis o meu:
roberto.argento1@gmail.com.
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Anônimo sobre a nota "Ivanildo Pergunta":
Quem manda emprestar a quem está pior do que a gente ? Quem paga mal, paga duas vezes. Quem empresta errado sifu. Só que no caso, somos nós que nusfu.
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
A História é Escrita pelos Vencedores – Fernando Caldeira (*) – (1)
No momento estou lendo, com imenso prazer, "PÓS-GUERRA - Uma história da Europa desde 1945" de Tony Judt. Ed. Objetiva. Há alguns anos li, com prazer ainda maior, os livros do Elio Caspari: Ditadura Envergonha, ... Escancarada e ...Encurralada. Trabalhos feitos com notável equilíbrio. Uma obra a serviço da História e não um panfleto tardio. (Gaspari perdeu-se um pouco no volume "dedicado" ao Geisel e ainda não nos brindou com o lamentável período Figueiredo). Mas o dia de hoje (24.11.08) brindou-me com muito material: Pela manhã, vou a O Globo e leio o excelente artigo "MEMÓRIA" de Denis Lerrer Rosenfield - professor de filosofia da UFRGS. O destaque dos editores, neste artigo, é "Nada justifica que os cidadãos não tenham acesso a um período de sua história". O autor fala do erro que é o não abrir os arquivos da ditadura e de uma de suas conseqüências, o "bolsa-ditadura". Afinal, como diz o autor, e é sabido pela "torcida do flamengo", os que se reivindicam da "resistência" da "ditadura militar" lutavam pela causa que escolheram: "socialismo", "comunismo", "ditadura do proletariado". Em um momento Denis Rosenfield diz: "Imaginem se Lênin e Trotsky, tendo fracassado em sua tentativa de derrubar o regime czarista, viessem a pleitear, anos depois, uma "bolsa-ditadura", resultante do seu insucesso. As autoridades governamentais russas deveriam pagar por não terem sido derrubadas e assassinadas!" Depois desta leitura, abro meu e-mail e encontro uma reação às recentes homenagens ao neo-herói João Cândido, que não comento, mas reproduzo abaixo.
Bob’s Blog – A reprodução a que Fernando Caldeira se refere, texto do Capitão de Mar e Guerra Gilberto Carneiro, será publicada amanhã.
Quem se der ao trabalho de ler isso tudo talvez concorde comigo que os vencedores de plantão estão neste momento escrevendo (ou seria rabiscando, garatujando?) sua versão da história (com minúscula mesmo!). Chego a imaginar como tudo isso estará apresentado nas cartilhas que serão empurradas goela abaixo a nossos filhos e netos. Mas se não concordar, não ouse imaginar/dizer (como uma forma de fuga!) que fui, sou ou serei a favor da chibata, da ditadura, da censura, da falta de liberdade, da opressão,... Afinal quem não tem o hábito do livre-pensar costuma ser rápido no gatilho para rotular.
*Fernando Caldeira é não-historiador, não-filósofo, não-cientista-político.
É um não-tudo, dos anos de bolsa-tudo.
Meus Dez Minutos de Fama

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Em tempo: Nas fotos, quem sou eu, quem é Sean Connery ?
Comentários dos Leitores
Antonio Fernando Esteves
Muito bom.
Stella
Um assunto delicado, tratado com muita fineza e graça. Além disso a piada é ótima. Parabéns ao autor da charge e ao Bob's Blog que a publicou.
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Herbert sobre a nota "Você é Branco ? Cuide-se ! - Ives Gandra":
Ótimo artigo do Sr. Ives Gandra. Não é um desvairado e histérico berro dos bolsonaros da vida. A aposentadoria para membros do MST (em bom português, invasores de terras) é um acinte !
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George sobre a nota "Recessão e Depressão - Márcio Cavour":
Enfim, um texto curto, objetivo, claro sem nenhum economês. Parabéns.
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Anônimo sobre a nota "Oh, Céus !":
A verdade se manifestou numa imagem capturada pela ESPN, basta ver no youtube, procure por "penalty flamengo espn" e veja. NÃO HOUVE PENALTY. A canalha rubro-negra quis linchar um homem honrado, o melhor juiz do país, inclusive distribuindo o número de seu celular para a turba enfurecida por um esperto que rouba no Flamengo há anos...
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Anônimo sobre a nota "As Gralhas Enfurecidas (017)":
Você devia mudar o título de seu livro para "O Favorito". Esse Luiz Felipe é dos bons. Em 17 capítulos já papou a Luisa, a Rosângela e, claro, vai papar a Mercedes...Estou ansioso pelos próximos capítulos.
Afinal, para quem Lula Governa ?

Segundo o jornal, eles resistem à tendência global e continuam consumindo.
"Revistas de comportamento estão cheias de anúncios de spas e resorts, bolsas de estilistas famosos e pulseiras de diamantes que custam mais do que muitos brasileiros ganham durante a vida inteira", diz a matéria.
O Guardian afirma ainda que o Brasil é líder mundial no aumento do número de milionários.
"Nos últimos dois anos, o número de milionários subiu de 130 mil para 220 mil e pelo menos por enquanto, a crise econômica não fez com que eles parassem de gastar", diz o texto.
Apesar disso, a reportagem cita a queda nos preços das commodities e o atraso em grandes projetos de infra-estrutura como alguns dos indícios de que a crise financeira está começando a atingir o Brasil.
Para o jornal, as classes baixa e média também estariam sendo afetadas com a situação do crédito.
"No entanto, a crise parece uma possibilidade distante em lugares como o Jardim Pernambuco, onde o silêncio da tarde só é quebrado pelo canto dos pássaros e o barulho das bolas de tênis", diz o Guardian.
Segundo o diário, "os ricos brasileiros podem estar aproveitando a vida luxuosa, mas os compatriotas menos abastados estão começando a sentir os efeitos da crise de crédito".
(*)The Guardian é um de jornal britânico de centro esquerda que circula de segunda a sábado e pertence ao Guardian Media Group. Até 1959 era conhecido como The Manchester Guardian, nome pelo qual ainda é referido algumas vezes nos EUA. A circulação diária entre julho e dezembro de 2004 foi de 345.000 cópias.
Até 12 de setembro de 2005, foi publicado em formato standard. Após essa data, adotou o formato berlinense, mais reduzido. Manteve, entretanto, o uso de cores na publicação.
Ivanildo Pergunta
Depois de uma auditoria nos contratos com o Brasil, o governo equatoriano anunciou o calote na dívida com o BNDES. Se concretizado, a conta será debitada no Tesouro, em Brasília - ou seja, vai ser paga pela sociedade brasileira.
(O Globo on line)
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Ivanildo me pergunta:
- Chefe, eu faço parte da sociedade brasileira ?
Chiquinho da Mangueira

De acordo com o oficial, Chiquinho solicitara em reunião a redução do número de operações na Mangueira, alegando que os bandidos queriam uma trégua porque a venda de drogas estava caindo. Ainda segundo o tenente-coronel, o secretário teria dito que estava sendo pressionado pelos bandidos. À época, Chiquinho confirmou a reunião, realizada no batalhão, mas negou a acusação. Ele afirmou que, para evitar que crianças fossem feridas por balas perdidas, pedira apenas que as blitzes não fossem realizadas nos horários de entrada e saída das escolas. O inquérito foi arquivado pelo Ministério Público estadual.
Também em 2003, dois agentes penitenciários disseram que Chiquinho, entre 1997 e 1999, visitava dois traficantes no presídio Bangu III. Ele negou e disse que foi ao presídio, a convite do diretor, para desenvolver projetos de ressocialização.
No ano passado, o nome de Chiquinho apareceu em uma lista, apreendida pela Polícia Federal, durante a Operação Hurricane. Ele teria supostamente recebido doações de bicheiros e da máfia dos caça-níqueis para sua campanha à Assembléia.
(O Globo on line)
