sábado, 25 de julho de 2009

Bolsa Família: 2,9 milhões de votos a Lula



O programa Bolsa Família garantiu em média três pontos percentuais, ou 2,9 milhões de votos, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais de 2006, afirma o pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV).
O impacto é bem superior ao do crescimento da economia, outro indicador analisado: 0,34 ponto percentual. Segundo a pesquisa, o efeito eleitoral do programa nos estados do Norte e do Nordeste foi superior ao do restante do país: em Alagoas, o maior índice, alcançaria 8,17 pontos percentuais, enquanto no Rio de Janeiro teria sido de 1,12 e em São Paulo, de 1,89 ponto. Depois de Alagoas, Roraima (6,85%) e Acre (6,53%) foram os estados com maior efeito na eleição. Lula venceu com 61% dos votos.
Para mensurar esse impacto, o pesquisador consultou bases de dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do IBGE e do Ministério do Desenvolvimento Social. Foram analisados 3.400 dos 5.500 municípios brasileiros. O modelo estatístico, explica Pinheiro, apresenta o efeito isolado de cada uma das 18 variáveis pesquisadas - entre elas a cobertura do programa social e índices de educação, saúde e renda.
No município alagoano de Traipu, por exemplo, em que o Bolsa Família atinge 68% das famílias, a pesquisa credita ao programa do governo 14 pontos percentuais na votação. No Rio, que tem cobertura de 4,5%, o efeito teria sido quase nulo: 0,008 ponto percentual.
Segundo o estudo, o aumento de um ponto percentual no número de beneficiários do programa elevou em 0,55 ponto percentual a votação de Lula em 2006 na média. Já a mesma variação na taxa de crescimento econômico teve impacto de 0,21 ponto percentual. Pinheiro lembra que o crescimento do PIB não melhora diretamente a vida da população mais pobre. E pondera que a relação entre o Bolsa Família, criado em 2004, e a reeleição do presidente não é tão forte nem decisiva:
- Eram 11 milhões de famílias e foram 3 pontos percentuais, ou 2,9 milhões de votos. Dada a cobertura, é bem menos do que as pessoas imaginam.

2 comentários:

  1. Ivanildo,podemos sugerir o fim da Bolsa Família e avaliar o eflexo nas urnas. Assim não ficamos envolvidos por números mirabolantes.

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  2. Alberto del Castillo25 de julho de 2009 às 10:43

    Até que outro estudo seja apresentado, estes números parecem indicar que os críticos do Bolsa Família não têm razão em atribuir a grande popularidade do Lula a este fundo assistencial. As análises simplistas sempre conduzem a erros gerados por paixões políticas.

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