sábado, 6 de junho de 2009

Palpites Dispensáveis - Luiz Garcia

A secret[aria de Estado Hillary Clinton, além de bem informada, é esperta como ela só. Mas todos os talentos têm limites. E um dos seus é ignorar o quanto demoram decisões da Justiça brasileira até atingirem o ponto em que se tornal realmente definitivas.
Hillary, precipitadamente, achou que era para valer, sem chance de recurso, a devisão de um juiz federal, segunda-feira passada, mandando que o menino Sean, de 9 anos, fosse entregue em 48 horas ao seu pai, o americano David Goldman, para ir morar com ele, definitivamente, nos Estados Unidos.
Na terça-feira, o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu a sentença, até que o plenário do STF tome a sua própria decisão sobre o caso. Vai demorar.
É preciso reconhecer que a história é complicada. Sean é órfão de mãe, a brasileira Bruna Bianchi (morta no parto de uma filha com seu segundo marido). Vive com o segundo marido da mãe, a avó e uma meia-irmã.
O caso permite duas posições. De um lado, os direitos do pai. De outro, a alegação, nunca desmentida, de que há quase cinco anos (muito tempo, levando-se em conta a sua idade) Sean vive distante do pai natural, que não se interessou por ele até a morte da mãe.
A questão que parece crucial não é exatamente a dos direitos paternos em tese. E sim como o pai tem exercido esses direitos. Na verdade, ele foi totalmente ausente enquanto a ex-esposa era viva. E se mostra pateticamente suadoso do filho a partir do momento em que ele é herdeiro da mãe falecida. Parece mais lógico ver no seu comportamento uma suspeita relação de causa e efeito, muito mais do que um súbito acesso de zelo paterno.
Demaneira, uma maneira lógica e humana de resolver a questão, é perguntar a Sean onde e com quem quer viver. A sentença, agora suspensa, que determinou a entrega ao pai, reconhece implicitamente que uma adaptação à nova vida seria complicada. E criou um mecanismo de passagem igualmente complicado: nos primeiros 15 dias, ficaria com o pai biológico durante o dia e as noites com a família brasileira. Nos 15 dias seguintes, dormiria com o pai e passaria quatro horas de cada ia com a família brasileira. Depois desses 30 dias, o pai teria a guarda definitiva. E alguém acha que isso garantiria a ausência de trauma ?
No fim das contas, uma história triste, envolvendo pessoas, não países, muito menos seus governos. E que por isso dispensa qualquer precipitada tomada de posição da secretária de Estado americana.

5 comentários:

Anônimo disse...

Por favor Sr. leia antes de falar sobre o assunto.

www.bringseanhome.org

e por gentileza assine a Peticao.

Hélio disse...

Sem entrar no mérito da questão, não é estranho que alguém faça um comentário e ao final escreva "e por gentileza assine a Petição" quando o próprio comentarista não o fez, assinalando "anônimo" ?

AAreal disse...

Estou na linha do Hélio, nosso sábio blogueiro. Pra mim o Luiz Garcia devia aplicar pra si o título de seu artigo "Palpites dispensáveis". Pra finalizar, ele diz que o verdadeiro pai "se mostra pateticamente suadoso do filho a partir do momento em que ele é herdeiro da mãe". Cabe pensar que o pai adotivo tbm tem esse pensamento.

Unknown disse...

Acontece q o Pai adotivo nao precisa de heranca nenhuma.... Eh um advogado trabalhador, q sempre proporcionou, alem de muito amor e dedicacao, tudo de melhor para Sean e sua mae....

Unknown disse...

Acontece q o Pai adotivo nao precisa de heranca nenhuma.... Eh um advogado trabalhador.... Que sempre proporcionou , alem de muito amor e dedicacao, tudo de melhor a Sean e sua Mae....